Pré-diabetes: o que você precisa saber

Definição

Pré-Diabetes é definido como o aumento da glicose no sangue insuficiente para ser definido como diabetes, ou seja, quando a glicemia está entre 100 e 125 mg/dl no jejum, entre 140 e 199 mg/dl após o teste de tolerância à glicose ou hemoglobina glicada ( A1C) entre 5,7 a 6,4%.

É importante destacar que pessoas com pré-diabetes frequentemente tem outros fatores de risco para o coração e circulação, tais como obesidade, pressão alta, e aumento de colesterol, apresentando aumento do risco para Infarto Agudo do Miocárdio e Derrame Cerebral.

Como manejar o pré-diabetes

Pacientes com pré-diabetes devem ser encaminhados para um acompanhamento nutricional e programa de aconselhamento para atividade física, buscando um alvo de perda ponderal em torno de 7% do peso corporal e aumentar a atividade física para o mínimo de 150 minutos por semana.

Exercícios de resistência, tais como levantamento de peso, tem efeito benéfico na circunferência abdominal, melhora na sensibilidade insulínica, e diminuição do risco para diabetes.

Quatro grandes estudos mostraram uma robusta redução na progressão para diabetes com as mudanças acima citadas: o Diabetes Prevention Program ( DPP) mostrou redução de 58% em 03 anos; o estudo Da Qing 43% em 20 anos; o Finnish Diabetes Prevention Study ( DPS) 43% em 07 anos; redução de 34% em 10 anos no U.S. Diabetes Prevention Program Outcomes Study ( DPPOS).

A medicação metformina deve ser considerada especialmente para aqueles com Indice de Massa Corporal > 35 kg/m2 ( cálculo disponível na nossa home page), aqueles com menos de 60 anos de idade, e mulheres com Diabetes Gestacional prévia.

Uma medicação promissora para normalizar a glicemia e evitar a progressão para diabetes é o liraglutide (Saxenda®), recém-chegada ao mercado brasileiro, e aprovada para o tratamento da obesidade.

Tecnologia no controle do pré-diabetes

A tecnologia pode ser um meio efetivo para atingir os objetivos supracitados. Estudos recentes dão suporte aos pequenos grupos virtuais da internet para perda de peso, aplicativos de telefones celulares e outros dispositivos. Aplicativos de celulares para emagrecimento e prevenção de diabetes tem sido validados pela sua capacidade em reduzir a média glicêmica em indivíduos com pré-diabetes.

O pedômetro, um dispositivo para registrar a sua caminhada diária, pode ser um grande aliado para uma vida mais ativa. Para aqueles indivíduos em que seja recomendado atividades físicas de nível moderado, o objetivo é realizar 10.000 passos por dia.

Fonte: Prevention or Delay of Type 2 Diabetes. Diabetes Care 2016;39(Suppl. 1):S36–S38| DOI: 10.2337/dc16-S007

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Sal é realmente maléfico para a saúde?

O consumo excessivo de sal é um determinante bem estabelecido de aumento da pressão arterial.  Em 2010 causou aproximadamente 19% de todos as causas globais de mortes.

Em adição aos efeitos na pressão arterial , também estão implicados outros problemas, tais como câncer gástrico e osteoporose.

A OMS recomenda que todos os países implementem um programa de redução do consumo de sal. O alvo é uma redução de 30% até 2025.

Alguns estudos de baixa qualidade, com conflitos de interesse, ainda questionam os benefícios da redução de sal.

Uma revisão sistemática bem conduzida, por um grupo de universidades conceituadas e de vários países, publicada em 2016, publicou o impacto do sal dietético na saúde pública.

Foram analisados três grandes estudos e todos mostraram malefícios do aumento na ingesta de sal.

Um dos estudos mostrou diminuição do risco de cefaléias na ordem de 31% entre o grupo que consumia uma média de 2,8 gramas de sal por dia , quando comparado ao grupo que consumia uma média de 8,6 gramas  por dia.

Outros dois estudos mostraram aumento na mortalidade geral. Em um dos estudos, com seguimento por 18 anos, ficou evidenciado o incremento na mortalidade geral na ordem de 19% e também na relacionada ao câncer, na ordem de 43%, principalmente dos tipos gástrico e de células renais.

Os achados desta revisão dão suporte às recomendações da OMS e Sociedades de Hipertensão, para a recomendação de redução global no consumo de sal.

Em um próximo post vou escrever sobre os  tipos de sal e alternativas para ajudar a diminuir o seu consumo.

Fonte:

1. The Science of Salt: A Systematic Review of Quality Clinical Salt Outcome Studies June 2014 to May 2015. Johnson et al; J Clin Hypertens (Greenwich). 2016 Jul 21. doi: 10.1111/jch.12877. [Epub ahead of print]

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