Apnéia do sono e obesidade: qual a ligação

A apnéia do sono frequentemente não é diagnosticada na prática clínica. Muitas pessoas procuram o endocrinologista para investigar queixas de cansaço e sonolência diurna, pensando em se tratar de um problema na tireóide. Mas frequentemente a função desta glândula está normal. Então, muitos recorrem, sem sucesso, ao uso de suplementos vitamínicos, visando aumentar a disposição.

Uma hipótese diagnóstica que sempre tem que ser pensada é uma alteração na qualidade do sono, mais especificamente a apnéia  do sono. A apnéia provoca micro despertares durante o sono imperceptíveis na maioria das vezes pelo paciente. Manifesta-se por roncos, sono agitado, pesadelos, o indivíduo acorda sem disposição e pode apresentar sonolência durante o dia, podendo comprometer inclusive a habilidade de dirigir, além de alterações na capacidade de concentração e memória.

É normalmente causada por um aumento na quantidade de gordura nos órgãos internos, também chamada de gordura visceral. O paciente geralmente apresenta um aumento na circunferência abdominal. A gordura infiltra a região da traquéia, e acaba diminuindo o seu calibre durante o sono, período no qual ocorre o relaxamento da sua musculatura lisa. Reduzindo o calibre, provoca  o ronco, a dificuldade respiratória, a retenção de gás carbônico, e as pausas respiratórias, levando aos micro despertares.

A apnéia do sono está frequentemente associada a outros problemas clínicos, tais como hipertensão arterial, sindrome metabólica e diabetes mellitus tipo 2. Em razão disto, ela acarreta um aumento no risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Diante da suspeita de apnéia do sono, o exame de polissonografia deve ser solicitado. Ele permite além de fazer o diagnóstico, classificar a apnéia em leve, moderada ou grave.

O tratamento da apnéia do sono é crucial para reduzir a mortalidade cardiovascular. Medidas não farmacológicas estão indicadas, tais como dieta para perder peso e atividade física regular. Medicamentos para auxiliar na perda do peso também podem ajudar. Um aparelho chamado CPAP, para ser utilizado durante o sono, melhorando o padrão de ventilação do paciente, pode estar indicado, de acordo com o grau de apnéia.

Portanto, se você está com excesso de peso, apresenta roncos, tem um sono agitado, sente-se  muito cansado e sonolento durante o dia, procure um médico e realize o exame de polissonografia. A sua qualidade de vida pode melhorar bastante com o tratamento efetivo deste distúrbio.

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Dieta do mediterrâneo : os 10 mandamentos

A dieta do mediterrâneo é uma recomendação nutricional moderna inspirada originalmente nos padrões de dieta da Grécia, do Sul de Itália, da Espanha e Portugal.

É considerada a dieta mais saudável do mundo.Os principais aspectos desta dieta consiste no consumo elevado e em proporção de azeite, legumes, cereais não refinados, frutas e vegetais, o consumo moderado a elevado de peixe, consumo moderado de lacticínios (queijo e iogurte na sua maior parte), consumo moderado de vinho, e baixo consumo de carnes e seus derivados.O azeite contém uma elevada quantidade de gorduras monoinsaturadas, mais notavelmente o ácido oleico, que estudos epidemiológicos sugerem estar ligado à redução de risco de acidentes vasculares cerebrais e de doenças arteriais coronárias. Também há provas que os antioxidantes existentes no azeite melhoram a regulação do colesterol e a redução do colesterol LDL, assim como outros efeitos anti-inflamatórios e anti-hipertensivos.

Os 10 mandamentos para quem deseja seguir a dieta do mediterrâneo:

1. Utilizar o azeite de oliva como a principal gordura.

 É o azeite mais utilizado na cozinha mediterrânea. É um alimento rico em vitamina E, beta-carotenos e fonte de gordura monoinsaturada, que lhe confere propriedade protetora para o coração.

2. Priorizar os produtos sazonais e frescos.

Valorizam-se os produtos colhidos sazonalmente, como a fruta e legumes da época ou o tipo de peixe que aparece mais nas águas territoriais e nos rios em determinada altura do ano. Produtos mais frescos e pouco processados industrialmente concentram mais nutrientes e são mais econômicos.

3. Tomar bastante líquidos. 

Aporte de 1,5 a 2 litros por dia, através de água, chá sem açúcar, sopas, caldos, ensopados, com baixo teor de sal e gordura, e que ajudam na sensação de saciedade, e garantindo o aporte de vitaminas e nutrientes.

4. Consumir frutos secos (oleaginosas), sementes, azeitonas.

As sementes de sésamo e de linhaça polvilham saladas; nozes, amêndoas, avelãs são usadas como lanches saudáveis . Ricos em nutrientes importantes como o Omega 3, úteis na prevenção de doenças cardiovasculares, ainda fornecem proteína vegetal, vitaminas, minerais e fibra.

5. Preferir proteínas saudáveis. 

O peixe, rico em ômega 3, o qual é benéfico para o coração, é a principal fonte de proteína desta dieta. As carnes brancas também tem preferência em relação à carne vermelha. As leguminosas, como o grão, feijão e a lentilha, também tem destaque, sendo fonte saudável de proteína vegetal e vitaminas

6. Consumir vinho tinto com moderação.

Fonte de polifenóis, é benéfico para a saúde. Recomenda-se o consumo de uma taça por dia para as mulheres e até duas taças para os homens.

7. Utilizar temperos saudáveis: ervas aromáticas, especiarias, alho, cebola

Permitem adicionar gostinho extra aos alimentos, além de poupar o uso do sal, desta forma contribuindo para o controle da pressão arterial.

8. Consumir cereais, de preferência integrais.

Os cereais integrais são fontes de vitaminas, minerais e fibras, contribuindo para o bom funcionamento do intestino e conferindo maior sensação de saciedade.

9. Moderação é a palavra de ordem.

O prato deve ser variado, consumindo os variados alimentos com moderação, respeitando as quantidades diárias estabelecidas. Há espaço para tudo, nas quantidades certas.

10. Associar atividade física regularmente. 

Tão importante quanto se alimentar adequadamente, é a realização de atividade física periodicamente, afim de ajudar a prevenir as doenças cardiovasculares.

Uma versão da dieta do mediterrâneo, adotada pelo Dr. Steve Parker, e voltada principalmente para os pacientes diabéticos, pré-diabéticos, portadores de síndrome metabólica e obesidade, com controle na ingestão dos carbohidratos ( dieta do mediterrâneo low-carb), propicia redução do peso corporal aliada a ingesta de alimentos benéficos para o sistema cardiovascular.

Se você deseja conhecer a dieta do mediterrâneo, ou a versão low-carb, o ideal é consultar uma nutricionista, afim de ajustar as porções ideais dos alimentos de maneira individualizada e auxiliar nas escolhas dos ingredientes. O endocrinologista irá avaliar o seu risco cardiovascular, realizará os exames periódicos necessários para o acompanhamento, ajustará suas medicações, além de outras orientações ou investigações  eventualmente necessárias, de acordo com as queixas clínicas.

 

 

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Obesidade:Entrevista com Dr.Paulo de Tarso Freitas

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Sol e Vitamina D: Entrevista com a Dra. Vanessa Sebastiani

O Lugol pode estar prejudicando a sua tireóide.

Lugol ou solução de Lugol é um composto formado por iodo metalóide (I2) e Iodeto de Potássio em água destilada.

Este produto se emprega frequentemente como desinfetante e antisséptico, e para a desinfecção de água em emergências e como conservante.

Também é indicado para cobrir deficiências de iodo e para a situação de tempestade tireoideana, provocada por um hipertireoidismo severo.

No Brasil, mais recentemente, temos observado um uso indiscriminado e indevido da solução de Lugol. Um determinado médico, famoso no meio leigo, e professor de  um curso de pós-graduação em medicina antienvelhecimento, voltado para  profissionais da medicina, sem qualquer respaldo do Conselho Federal de Medicina, resolveu defender a prescrição de Lugol para prevenção e tratamento do hipotireoidismo, assim como prevenção e tratamento generalizado do câncer.

Cabe ressaltar que a maior fonte mundial de pesquisa de artigos científicos, o PubMed, que compila mais de 26 milhões de artigos científicos, não apresenta evidências que respaldam o uso de Lugol, seja como preventivo, seja como tratamento para o hipotireoidismo ou câncer em geral. Inclusive o uso prolongado de Lugol pode provocar sério dano para a tireóide, provocando e/ou piorando uma disfunção na tireóide ( hipo ou hipertireoidismo).

Por que não usar solução de Lugol?

O iodo é um mineral essencial para o crescimento e desenvolvimento do corpo humano, sua principal função no organismo é a síntese dos hormônios tireoidianos.

A Lei no 6.150 de 1974 revoga a lei 1.944 (1953),  e determina a obrigatoriedade para a iodação de todo o sal para consumo humano e animal produzido no país. Segundo a lei, cada kilograma de sal deveria conter de 10 a 30mg de iodo metalóide.  Em março de 1999, através da Portaria No 218, o Ministério da Saúde estabelece, que somente será considerado próprio para consumo humano o sal que contiver teor igual ou superior a 40 (quarenta) miligramas até o limite de 100 (cem) miligramas de iodo, por quilograma de produto.  Recentemente, norma da ANVISA readequou os níveis para 15 a 45 mg/kg de sal.

A quantidade necessária de ingesta de iodo é de pelo menos 150 ug por dia, sendo menor para crianças abaixo de 12 anos e lactentes. Em uma alimentação normossódica, na faixa de 06 gramas por dia, a quantidade de iodo ofertada ao organismo é na ordem de 200 a 500 ug por dia. Dados do Ministério da Saúde indicam que o brasileiro consome 9,6 gramas de sal diariamente, mas o consumo total pode chegar a 12 gramas, quando levado em consideração alimentos processados e consumidos fora de casa.

Considerando que o brasileiro já adquire a quantidade necessária de iodo através do sal e outros alimentos, a administração de Lugol pode vir a provocar um excesso de iodo no organismo.

Efeitos adversos do excesso de iodo no organismo

O excesso de iodo pode provocar:

• Hipotireoidismo – o excesso de iodo pode provocar doença autoimune contra a tireóide , bem como bloquear a formação e liberação do hormônio da tireóide.

• Hipertireoidismo –  o excesso de iodo a longo prazo também pode aumentar a produção do hormônio tireoideano e provocar hipertireoidismo, especialmente naqueles que tem doença tireoideana subjacente.

• Câncer de tireóide

Conclusão

Se você consultou um profissional que tenha lhe indicado o uso de Lugol como coadjuvante para prevenção ou tratamento de distúrbios da tireóide ou outras doenças, recomendo que pare imediatamente e faça uma reavaliação com um especialista no assunto, neste caso um endocrinologista.

Tanto a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, quanto as Sociedades de Endocrinologia do mundo inteiro, recomendam o uso de Lugol somente para as  situações muito específicas e restritas já anteriormente citadas.

Quero finalizar ilustrando o caso real de  uma paciente portadora de hipotireoidismo, em que foi recomendado o uso de solução manipulada de Lugol como terapia coadjuvante. Ela procurou ajuda de um endocrinologista em razão do aparecimento de sintomas de fadiga, sonolência, ganho de peso e tontura. Seu TSH ( medidor do funcionamento da tireóide), havia passado de um valor de 4 ng/dl ( limite superior da normalidade) para 47 ng/dl, ou seja, um hipotireoidismo severo.

Fonte:

http://www.thyroidmanager.org/chapter/chapter-2-thyroid-hormone-synthesis-and-secretion/#toc-iodine-availability-and-transport

http://portalsaude.saude.gov.br/

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Dieta low carb para diabéticos – 11 evidências favoráveis

Embora  dieta low carb (pouco carboidrato) para diabéticos  ainda é controversa, ela continua demonstrando eficácia, com pouco risco e boa aderência. Ao mesmo tempo, a dieta low fat (pouca gordura) não tem reduzido a incidência de diabetes, nem melhorou o controle da doença, indicando uma possível necessidade de reavaliação a favor de  uma redução em carboidratos.

Definição de Dieta Low Carb

Segundo a Associação Americana de Diabetes, dieta low carb é a ingestão de menos  de 130 gramas de carboidratos por dia. Se a ingestão por inferior a 50 gramas por dia, é considerada very low carb cetogência ( muito pouco carboidrato cetogênica).

11  evidências favoráveis à Dieta Low Carb

1. Hiperglicemia é a principal característica do diabetes. Restrição de carboidratos tem o maior efeito em reduzir a glicose no sangue.

O carboidrato é o principal determinante da glicose no sangue. Sua restrição tem o maior efeito em reduzir a glicose  pós-prandial ( após as refeições), bem como a hemoglobina glicada.

Um estudo que comparou uma dieta muito pobre em carboidratos em relação a uma dieta pobre em calorias, em uma amostra com 102 diabéticos e 261 não-diabéticos , mostrou  que os diabéticos com dieta com restrição de carboidratos reduziram a hemoglobina glicada de 8 para 6,2%, enquanto o grupo com dieta hipocalórica permaneceu acima de 7,5%.

2. A epidemia de obesidade e diabetes tipo 2 tem relação direta com o aumento na ingestão de carboidratos

O estudo NHANES, realizado nos Estados Unidos, indicou um grande aumento na ingesta de carboidratos como o principal contribuinte para o excesso de calorias de 1974 até o ano de 2000. O aumento médio no consumo passou de 42% para 49% das calorias nos homens, e de 45 para 52% nas mulheres. Não houve aumento na ingestão de gorduras. Em consequência, a incidência de Diabetes Mellitus tipo 2 aumentou consideravelmente no período, atingindo as proporções epidêmicas atuais.

O argumento é que a estimulação contínua na produção de insulina pode levar a um estado anabólico que favorece a formação de triglicerídeos. Ocorre também acúmulo de gordura no fígado, e secundariamente no pâncreas, criando uma condição favorável ao aparecimento do diabetes. O fígado gorduroso pode comprometer a ação da insulina neste órgão, contribuindo ao aparecimento da hiperglicemia de jejum. A infiltração de gordura no pâncreas leva à diminuição da produção de insulina pela célula beta. Toda essa cadeia de infiltração de gordura é ativada seja diretamente, ou indiretamente pela ingestão dos carboidratos.

3. Benefícios na restrição de carboidratos não tem relação direta com a perda de peso

Estudos tem mostrado que pequenas restrições nos carboidratos melhoram o controle glicêmico, sem oferecer perda de peso. Portanto, não é a perda de peso ocasionada pela restrição de carboidratos que melhora o controle glicêmico.

4. Embora perda de peso não é pré-requisito, nenhuma intervenção dietética é melhor que a restrição de carboidratos para essa finalidade

Estudos mostram superioridade na redução de peso quando comparam dieta low carb em relação a dieta hipocalórica. Um estudo com 48.000 mulheres na menopausa mostrou que a dieta pobre em gorduras teve resultados muito desfavoráveis a longo prazo, com uma perda modesta de 2 kgs no primeiro ano, e recuperação do peso ao final do estudo.

5. Aderência à dieta low carb é significativamente melhor em pessoas com diabetes tipo 2

A adesão a uma dieta low carb geralmente é melhor, em razão de não impor limite de calorias a serem ingeridas, e oferece maior saciedade advinda da proteína e da gordura. Além disto, pacientes ficam mais satisfeitos e motivados ao terem que reduzir suas doses de medicamentos ou insulina para diabetes.

6. Substituição de carboidrato por proteína é geralmente benéfico

Uma meta-análise envolvendo 1141 obesos em dieta low carb, mostrou uma redução significativa no peso corporal, triglicerídeos e pressão arterial em comparação ao grupo com dieta pobre em gorduras.

 7. Gordura saturada é influenciada mais pela ingestão de carboidratos do que pela quantidade de gordura ingerida na dieta

Um grande temor na implementação de uma dieta pobre em carboidratos é o receito de aumentar o colesterol.Em um estudo com portadores de síndrome metabólica tratados com dieta muito pobre em carboidratos, os níveis de ácidos graxos saturados diminuíram quando comparados ao grupo que ingeriu dieta com pouca gordura.

8. O melhor indicador de complicações micro e macrovasculares em pacientes diabéticos tipo 2 é o controle da glicemia ( Hemoglobina Glicada).

A restrição de carboidratos comprovadamente reduz a hemoglobina glicada, sendo uma alternativa para os pacientes que não estão adequadamente controladas com hipoglicemiantes orais.

9. A restrição de carboidratos é o método mais efetivo em reduzir triglicerídeos e aumentar o HDL-colesterol

10. Pacientes com diabetes tipo 2 em restrição de carboidratos frequentemente reduzem suas medicações. Diabéticos tipo 1 requerem menos insulina.

11. Redução da glicemia pela restrição de carboidratos tem menos efeitos adversos comparáveis ao tratamento medicamentos intensivo.

Conclusão

O benefício da restrição de carboidratos é imediato e bem documentado. Está  estabelecido que emagrecimento, por qualquer método, é benéfico para indivíduos com diabetes. A vantagem de uma restrição de carboidratos é oferecer uma maior saciedade, sem necessidade de reduzir as calorias diárias.

Portanto, é uma  opção eficaz de dieta para os pacientes diabéticos, estando contraindicada  para os portadores de doença nos rins, em razão da necessidade de controlar a ingestão de proteínas.

Saliento porém, que esta dieta não é milagrosa, não oferece a cura do diabetes, como vem sendo alardeado na mídia social e telejornais . Porém, permite um melhor controle da glicose e de todos os parâmetros do metabolismo.

Vitalité  possui profissionais capacitados a orientar e acompanhar os pacientes que desejam ou tenham indicação para realizar esse tratamento dietético, associado ao ajuste dos medicamentos antidiabéticos. A dieta low carb também pode ser realizada por não diabéticos com sobrepeso ou obesidade, visando redução do peso corporal.

Fonte: Dietary carbohydrate restriction as the first approach in diabetes management: critical review and evidence base.FeinmanRD et al. Nutrition 2015 Jan;31(1):1-13. doi: 10.1016/j.nut.2014.06.011. Epub 2014 Jul 16.

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Óleo de coco – modismo ou benéfico para a saúde?

O óleo de coco é um óleo tropical, podendo ser produzido na forma refinada ou virgem ( não-refinado).

É um óleo usado a milhares de anos por povos do mundo todo como alimento e medicamento. Alguns desses países são: India, Panamá, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné, Samoa, Jamaica, grande parte da America do Sul, Nigéria, e Tailândia.

O apelo da mídia, especialmente da mídia social, incentivando o seu consumo tem aumentado exponencialmente nos últimos anos. Os defensores do óleo de coco alegam que ele traria uma série de benefícios, entre eles, ajudar a queimar gordura , reduzir o risco de doenças cardíacas e aterosclerose, diminuir o colesterol e os triglicerídeos, fortalecer o sistema imunológico , melhorar o trânsito intestinal, entre outros. Mas será que o óleo de coco realmente traz tantos benefícios?

Propriedades do óleo de coco

Uma das vantagens do óleo de coco é a resistência à oxidação, o que o torna um óleo estável para o cozimento.

É composto de 92% de ácidos graxos saturados, e tem sido classificado, juntamente com a manteiga, óleo de palma e gordura animal, como uma fonte de gordura saturada. Seu principal componente é o ácido láurico.

O fato do óleo do coco possuir maior quantidade de ácidos graxos de cadeia média (AGCM), diferentemente de outras gorduras saturadas, faz com que tenha um comportamento no metabolismo distinto. Os AGCM são rapidamente absorvidos pelo intestino, sendo rapidamente transportados para o fígado, onde são rapidamente oxidados, gerando energia. Não participam do ciclo do colesterol e não são estocados em depósitos de gorduras.

Óleo de coco x Óleo vegetal

As revisões da literatura científica mostram um número limitado de estudos em humanos para avaliar os méritos do óleo de coco em relação à saúde cardiovascular. A maioria dos estudos tem limitações importantes, que exigem muita cautela na interpretação dos resultados, tais como amostras pequenas, viciadas e avaliação dietética inadequada.

Não há evidências robustas em termos de redução no risco de doenças,  apenas em relação ao colesterol e triglicerídeos. Estudos que compararam o óleo de coco com óleo vegetal (gordura insaturada) mostraram, na maioria deles, aumento tanto do LDL-colesterol ( colesterol ruim), quanto do HDL-colesterol( colesterol bom). Em relação aos  triglicerídeos, não houve diferença.

Como já está bem estabelecido o papel da redução do LDL-colesterol na mortalidade por doença cardiovascular, parece haver um benefício no uso de óleo vegetal em relação ao óleo de coco.

Por que alguns estudos mostram benefícios do óleo de coco?

Todos os estudos que mostraram os  benefícios do óleo de coco são pequenos, sendo muitos deles  em modelos animais . Já  os estudos em humanos são todos  de curta de duração ( poucos meses).

Não há nenhum estudo científico de longa duração, com uma amostra satisfatória, que mostre redução do risco cardiovascular naqueles que utilizaram óleo de coco em comparação com os óleos vegetais.

A afirmação de que o óleo de coco favoreça o emagrecimento é mera suposição, sensacionalista e inverídico. Nenhum estudo mostrou redução de peso por causa do óleo de coco.

As populações que mais utilizam o óleo de coco, tais como a Indonésia, um dos principais produtores mundiais, pertencem a países que tem uma alimentação mais saudável que a da do mundo ocidental, com utilização de produtos menos industrializados, maior consumo de frutas, verduras e legumes. Recomendar o consumo de óleo de coco, fonte de gordura saturada, regularmente para uma população que já consome, no seu dia a dia, uma maior quantidade de gordura saturada, é uma temeridade, pois ninguém sabe os efeitos sobre o risco cardiovascular a longo prazo.

Conclusão

Não há evidências científicas que mostrem que a utilização regular de óleo de coco traga benefícios para a saúde cardiovascular.

O posicionamento das principais Sociedades, entre elas, Associação Americana de Cardiologia, Associação Americana de Nutrição, Sociedade Brasileira de Diabetes e Associação para o Estudo da Obesidade afirma que o aumento no consumo de gordura saturada, incluindo o óleo de coco, aumento o risco para o infarto agudo do miocárdio e derrame cerebral.

Alimentar-se com gordura é definitivamente parte de uma dieta saudável. Apenas lembre-se de escolher alimentos com boa gordura ( monoinsaturada e poliinsaturada). Procure ingerir vegetais, frutas, e cereais integrais; inclua produtos com pouca gordura de origem animal, peixes, aves, legumes, óleos vegetais, amêndoas, castanhas e nozes; limite a ingesta de sódio, doces, refrigerantes e carnes vermelhas. Fazendo isto, sua dieta será baixa em gordura saturada e trans, e diminuirá o seu risco cardiovascular.

Fonte: Virgin coconut oil and its potential cardioprotective effects.BABU, A.S.; VELUSWAMY, S.K.; ARENA, R.; GUAZZI, M.; LAVIE, C.J.Postgraduate Medicine2014 Vol: 126 Nro: 7 Págs: 76-8

            Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans.EYRES, L.; EYRES, M.F.; CHISHOLM, A.; BROWN, R.C.Nutrition Reviews2016 Vol;74 Nro:4 Págs 267-80

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor