Curta o sol do verão com muito cuidado

Olá! O verão vem chegando aí com dias mais longos e quentes que sempre nos convidam para atividades prazerosas ao ar livre. Para aproveitar melhor a estação mais quente não esqueça de algumas dicas muito importantes:
1) use filtro solar: ao longo dos anos vamos acumulando os efeitos do sol na nossa pele, e para evitar o envelhecimento precoce e o risco de câncer de pele, não podemos deixar de protege-la diariamente com um filtro solar, que deve ser FPS 30 ou maior. A aplicação deve ser feita 15 minutos antes de sair ao sol, e depois a cada 2 horas, ou quando saimos da água. As crianças com menos de 6 meses devem ser protegidas com o uso de roupas e chapéus, e a partir dos 6 meses o uso de protetor solar deve ser orientado pelo dermatologista ou pediatra.
2) Evite o horário de exposição entre 10 e 16h – durante o horário de verão. Neste horário há maior incidência de radiação UVB, que causa queimaduras e câncer de pele.
3) Não esqueça de tomar água – os líquidos são essenciais, já que com o calor aumenta a sudorese e a perda de água.
4) Aplique hidratantes- com maior exposição a água e ao sol, precisamos hidratar mais a pele e os cabelos. Use hidratantes diários, mas dê preferencia aos que são livres de óleo.
Com essas dicas curtimos o verão cuidando bem do nosso corpo!

Hormônios da “fonte da juventude” parte 1 – DHEA

Você já deve ter lido sobre matérias na Internet ou em revistas afirmando que certos hormônios podem ajudá-lo a manter-se jovem. Mas estas informações sobre hormônios antienvelhecimento são verdadeiras? Neste post vou lhe ajudar a separar o que é mito e o que é verdadeiro sobre o DHEA. Em outro post abordarei o Hormônio do Crescimento (GH).

Supostos benefícios do DHEA

É divulgado na mídia que a reposição de DHEA proporcionaria os seguintes benefícios: retardo no envelhecimento, aumento na força muscular, melhora da imunidade e diminuição do peso corporal.

Não há comprovação científica a respeito destas ações.  Evidências mais robustas são necessárias.

O que é DHEA?

DHEA (dehidroepiandrosterona) é um hormônio feito a partir do colesterol pelas glândulas adrenais, localizadas logo acima dos rins.

O que faz o DHEA?

Seu corpo transforma DHEA em dois importantes hormônios sexuais: testosterona e estrogênio. Testosterona é a responsável pelo surgimento da puberdade nos meninos, promovendo crescimento de pêlos na face e região pubiana, aumento do pênis e testículos, e engrossamento da voz. Em homens adultos, a testosterona está relacionada com o apetite sexual, com a massa muscular e óssea, e produção de esperma. Estrogênio em mulheres está relacionada ao desenvolvimento mamário, liberação de óvulo pelo ovário, períodos menstruais e gravidez. Homens tem uma pequena quantidade de estrogênio, assim como mulheres tem uma pequena quantidade de testosterona.

DHEA tem utilidade no tratamento de doenças?

Alguns pesquisadores tem sugerido que DHEA pode ser usada para tratar insuficiência da Adrenal (doença de Addison), depressão,lupus, obesidade, doença de Alzheimer, osteoporose, doença de Crohn, infertilidade, e problemas ligados a menopausa.

DHEA não é ainda aprovado pelo FDA, nem pela ANVISA como tratamento para estes problemas de saúde. Mais pesquisa é necessária neste campo para estudar os benefícios potenciais e os possíveis riscos a longo prazo da suplementação de DHEA.

Uso inapropriado do DHEA

Algumas pessoas utilizam DHEA, com a esperança que irá aumentar a resistência e força muscular, aumentar a energia, diminuir a gordura corporal, reforçar a imunidade. Porém estes efeitos não estão provados.

Quais são os riscos de ingerir DHEA sem recomendação médica?

Em mulheres, DHEA pode causar alterações relacionadas ao aumento na testosterona: irregularidade menstrual, aumento de pêlos na face, aumento da sudorese, diminuição do tamanho das mamas, e engrossamento na voz.

Em homens, pode causar alterações relacionadas a um aumento no estrogênio e/ou queda na testosterona: ginecomastia( aparecimento de mamas), diminuição no tamanho dos testículos, espinhas, e queda de cabelos.

Alguns efeitos desaparecem com a interrupção do DHEA, porém outros podem ser permanentes.

Não é recomendado utililizar DHEA para melhorar a qualidade de vida. Ao invés disto, o ideal é investir em estratégias para que os pacientes realizem atividades físicas semanais de maneira periódica e suficente, tenham um sono adequado, e uma dieta balanceada.

Se você está preocupado com sua saúde, fale com o seu médico de confiança sobre o que é melhor para você.

Fonte: Endocrine Society – Hormone Health Network

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Fadiga Adrenal: mito ou verdade

Você está se sentindo desanimado e estressado? Lutando para  conseguir manter as atividades diárias da vida e suas demandas? Está tendo problemas com o sono? Você  deve ter lido sobre “fadiga adrenal” como uma razão para seus sintomas. Embora alguns websites de medicina alternativa  afirmem que fadiga adrenal é um diagnóstico real, isto não está comprovado pela ciência médica.

Visão geral

• ” Fadiga adrenal” não é uma condição médica real. Não há evidências científicas para suportar a teoria que o estresse mental, emocional, ou físico prolongados esgote as glândulas adrenais e cause uma série de sintomas comuns.

• A insuficiência adrenal é uma doença real e diagnosticada através de testes sanguíneos.

• Não há exame que possa detectar fadiga adrenal.

• Hormônios e vitaminas prescritos para ” tratar” fadiga adrenal podem não ser seguros. Tomá-los sem necessidade, podem fazer suas glândulas adrenais pararem de funcionar e inclusive colocar sua vida em risco.

O que é ” fadiga adrenal”?

O termo fadiga adrenal tem sido usado para explicar um grupo de sintomas que são ditos ocorrerem em pessoas que estão sob estresse físico, emocional ou mental prolongados. Os profissionais que endossam esse diagnóstico dizem que você estará mais susceptível a essa condição se você tem um trabalho estressante; se realiza trabalho noturno; se é um estudante que também trabalha; se é pai ou mãe solteira; ou se é viciado em álcool ou drogas.

Os sintomas atribuídos à fadiga adrenal incluem cansaço, dificuldade em adormecer à noite ou em acordar pela manhã, compulsão por sal ou açúcar, e necessidade em fazer uso de estimulantes como cafeína para suportar  as atividades durante o dia. Estes sintomas são comuns e  inespecíficos, ou seja, podem ser encontrados em inúmeras doenças. Eles inclusive podem ocorrer como parte de uma vida normal e muito atarefada.

Nenhuma prova científica existe para aceitar fadiga adrenal como uma condição médica verdadeira. Uma vez é dito a você que possui esta condição, a causa real de seus sintomas pode não ser investigada e tratada corretamente.

Qual é a teoria por trás da fadiga adrenal?

Defensores do diagnóstico de fadiga adrenal acreditam que o problema inicia quando diferentes estresses da vida ultrapassam a capacidade do organismo em lidar com essa situação. Nossas glândulas adrenais – pequenos órgãos localizados acima dos rins – geralmente lidam com o estresse produzindo hormônios como cortisol. De acordo com a teoria de fadiga adrenal, quando as pessoas são submetidas a períodos prolongados de estresse, suas glândulas adrenais não conseguem manter a produção ideal desses hormônios para atender as necessidades do organismo. Quando isto ocorre, sintomas de ” fadiga adrenal” pode aparecer.

Qual é a diferença entre fadiga adrenal e insuficiência adrenal?

Enquanto o diagnóstico de fadiga adrenal não é aceito pela maioria dos médicos, a insuficiência adrenal é uma condição médica real que ocorre quando nossas glândulas adrenais não são capazes de produzir hormônios de maneira suficiente. Insuficiência adrenal é causada por lesão das glândulas adrenais ou um problema na hipófise  – uma pequena glândula no cérebro que sinaliza para as adrenais produzirem cortisol.

Uma pessoa com insuficiência adrenal pode ficar desidratada, confusa, e perder muito peso. Pode sentir fraqueza, cansaço, ou tontura, e queda de pressão arterial. Outros sintomas incluem dor no estômago, enjôo, vômitos e diarreia.

Insuficiência adrenal é diagnosticada pelo exame de sangue, e pode ser tratada com medicamentos que repõem os hormônios que as adrenais normalmente produzem.

Como é ” diagnosticado” fadiga adrenal?

Não há teste que possa detectar fadiga adrenal. Muitas vezes, é dito para o paciente que ele possui fadiga adrenal com base apenas nos sintomas. Algumas vezes, um teste sanguíneo ou salivar pode ser solicitado, mas testes para fadiga adrenal não são baseados em evidências científicas ou suportadas por estudos científicos de qualidade, portanto os resultados e análises dos testes podem não estar corretos.

Os tratamentos para fadiga adrenal são benéficos ou prejudiciais?

Os médicos que defendem o diagnóstico  de fadiga adrenal podem orientá-lo a melhorar seu estilo de vida, no sentido de cessar o tabagismo, álcool, e drogas. Iniciar  um programa de exercícios, alimentando-se de maneira saudável, e seguindo uma rotina diária de sono e despertar, irá quase sempre fazê-lo se sentir bem, não importa qual o diagnóstico.

Você pode ser orientado a adquirir suplementos especiais ou vitaminas, normalmente manipulados. Estes suplementos podem eventualmente prejudicar ainda mais a sua saúde, se houver equívoco na dose de algum ingrediente manipulado.

Se é prescrito cortisol para você, quando você não precisa dele, suas adrenais podem parar de funcionar e ficarem incapazes de produzir o cortisol de maneira suficiente quando você for submetido a um estresse físico. Quando você parar de ingerir o cortisol, após uso prolongado,  as adrenais podem ficar “adormecidas” por meses. Pessoas nesta situação correm o sério risco de desenvolver uma condição ameaçadora da vida chamada crise adrenal.

O que você deveria fazer ao receber o diagnóstico de fadiga adrenal?

Pedimos que você não gaste seu precioso tempo aceitando um diagnóstico duvidoso de ” fadiga adrenal” se você está com sintomas de cansaço, sentindo-se fraco ou deprimido. Neste caso, você pode ter um diagnóstico de  insuficiência adrenal, depressão, apnéia obstrutiva do sono, ou outros problemas clínicos. Receber o diagnóstico correto é muito importante para ajudá-lo a se sentir bem e resolver seu problema de saúde.

O endocrinologista é o profissional especialista e mais capacitado para realizar ou excluir  um diagnóstico de deficiência hormonal. Também está capacitado para investigar todas as hipóteses diagnósticas, no caso de a pessoa apresentar os sintomas supracitados.

Fonte: Hormone Health Network. Endocrine Society.

 

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor