Por que a meia-idade pode ser uma ameaça?

Meia-idade pode ser definida como período compreendido entre a maturidade e a velhice, geralmente percebido entre os quarenta e cinquenta e cinco anos de idade.

Aqueles quilos extras adquiridos  no período da meia-idade podem representar aumento da gordura abdominal e o consequente aumento no risco de doenças cardíacas.

É raro uma mulher de 50 anos ter a mesma medida da cintura que tinha na adolescência. Em 2014, um estudo mostrou que um grupo de mulheres acompanhadas por 5 anos mantiveram o índice de massa corporal estável, mas aumentaram a circunferência abdominal lentamente, passando  de 91,9 cm para 93 cm. Os pesquisadores ainda tentam entender este fenômeno, mas já se sabe que o aumento da circunferência abdominal aumenta o risco de doença cardíaca, diabetes e osteoporose.

A circunferência abdominal representa o acúmulo de gordura subcutânea, de gordura visceral (localizada dentro dos órgãos ou entre eles) ou ambos. A gordura visceral é a mais nociva ao organismo.

A gordura subcutânea é tipicamente encontrada nos quadris e nas coxas, funciona com estoque e é liberada quando o organismo necessita de energia.

Em contraste, a gordura visceral – que se acumula no fígado, pâncreas e órgãos digestivos – é muito ativa. É quebrada rapidamente liberando ácidos graxos, hormônios e fatores inflamatórios que agem em todo corpo.

Zona de risco na meia-idade

Estudos têm demonstrado que para mulheres com o mesmo índice de massa corpórea, mas com medidas de cintura diferente, o risco de doenças é maior quanto maior a circunferência abdominal. O risco começa aumentar quando a medida atinge 80 cm.

No homem, o alerta começa com a medida de 94 cm.

Medidas para reduzir a gordura do abdome

1) Suspender a ingesta de carboidratos simples

Comer carboidratos simples – arroz, pão branco, batata e doces – faz o seu corpo secretar mais insulina, o hormônio que regula o açúcar. A insulina sinaliza para o corpo armazenar mais gordura.

2) Exercícios

A combinação de exercícios aeróbicos com exercícios de força traz mais benefícios. Combine aeróbicos de moderada intensidade, pelo menos 150 minutos por semana, com exercícios de força  ao menos duas vezes por semana.

3) Medicamentos

O uso de liraglutida pode estar indicado nos pacientes com aumento da circunferência abdominal, naqueles  com risco aumentado para diabetes ou com alteração da glicose instalada. A liraglutida auxilia na perda de peso, reduzindo a circunferência abdominal,melhorando a produção e a sensibilidade à insulina.

Consulte  o endocrinologista para uma avaliação clinica pormenorizada e o tratamento mais indicado ao seu caso.

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Aplicativo Glic facilita a vida dos diabéticos

O objetivo deste post é divulgar a todos os pacientes diabéticos um aplicativo brasileiro, totalmente gratuito, desenvolvido por uma equipe da USP e voltado para todos os tipos de diabetes.

O aplicativo Glic pode ser baixado tanto na app store quanto na google play.

Quais as vantagens em utilizar o aplicativo Glic:

Quem tem diabetes

  • Registros/Diários de glicemia, medicamentos e alimentação;
  • Conexão em tempo real com a equipe médica;
  • Tabela nutricional com mais de 1.500 alimentos para contagem de carboidratos;
  • Cálculo de dose de insulina (considerando ingestão de gordura);
  • Relatórios e Gráficos do tratamento;
  • Suporte da Equipe Glic.

Médicos

  • Acessar em tempo real (e à distância) o prontuário eletrônico dos pacientes;
  • Otimizar o tempo da consulta médica, dados compartilhados pela internet (nuvem);
  • Dados para decisões mais esclarecidas;
  • Alertar pacientes sobre medicamentos na hora e dose prescrita;
  • Paciente mais engajado e feliz com o tratamento do diabetes.

Nutricionistas

  • Acompanhar em tempo real a alimentação e glicemias do seu paciente;
  • Otimizar o tempo da consulta;
  • Facilitar a adesão do paciente à terapia com contagem de carboidratos;
  • Ter o registro da alimentação do seu paciente para as consultas de rotina;
  • Dados para auxiliar e as decisões do tratamento.

Este aplicativo certamente irá facilitar  a interação da equipe multidisciplinar com o paciente, contribuindo para o alcance das metas do controle glicêmico e hemoglobina glicada.

A equipe do Vitalité está à disposição para lhe ajudar em eventuais dúvidas no manuseio  do aplicativo. O site do aplicativo é gliconline.net.

 

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Cansado de estar cansado? Não aceite a fadiga como parte do envelhecimento

Cansaço, fraqueza, perda de energia. Existem várias maneiras de descrever aquelas vezes que você está tão exausto que não consegue fazer nada. Quase sempre você se recupera com uma boa noite de sono, mas se você estiver realmente com fadiga, isto pode ser um sinal de algum problema de base.

Qualquer um pode se sentir cansado algumas vezes e a energia do indivíduo pode diminuir com a idade, mas você não deve se sentir tão cansado a ponto de não ter um estilo de vida ativo.

A fadiga pode se manifestar de várias maneiras: reduzindo energia para praticar exercícios, diminuindo a concentração, a memória e o estado de alerta, causando mais irritabilidade e isolamento.

 10 causas principais de fadiga

1) Hipotireoidismo

Causa comum de cansaço e astenia. Costuma estar associados a outros sinais e sintomas, como pele seca, constipação intestinal, intolerância ao frio, dores nas articulações, elevação dos níveis de colesterol sanguíneo, perda de cabelo e retenção de líquidos..

2) Insuficiência Cardíaca

Causa cansaço inicialmente aos esforços, e progredindo para atividades banais, como pentear o cabelo e escovar os dentes. Causa retenção de líquidos, podendo provocar inchaço nas pernas e falta de ar, principalmente quando o paciente se deita.

3) Anemia

Causa frequente de cansaço. Em grau avançado, cursa com palidez da pele e aceleramento dos batimentos cardíacos em repouso.

4) Insuficiência Renal Crônica

Pode causar cansaço por vários motivos. Os mais importantes são anemia, acúmulo de toxinas no organismo, acidez do sangue e desnutrição.

5) Diabetes Mellitus

O diabetes não tratado cursa habitualmente com cansaço, perda de peso, excesso de urina e sede permanente.

Para saber mais sobre Diabetes Mellitus clique em ” Diabetes Mellitus tipo 2: Como eu trato

6) Doenças Pulmonares

As doenças dos pulmões, principalmente a bronquite crônica, o enfisema e a asma, são causas comuns de cansaço.

7) Síndrome da Fadiga Crônica

A fadiga crônica é uma síndrome ainda pouco conhecida que costuma causar cansaço crônico sem causa aparente.

O paciente com síndrome da fadiga crônica não apresenta nenhuma alteração ao exame físico nem aos exames complementares. Ele queixa-se de dores, mas nenhuma lesão é encontrada, queixa-se de febre, mas o termômetro nunca a mostra, refere fraqueza muscular, mas os exames dos músculos são todos normais.

Depressão, fibromialgia e infecções virais, como a mononucleose infecciosa, costumam ser gatilhos para o início desta síndrome.

8) Medicamentos

O uso prolongado de medicamentos pode ser a causa de um cansaço crônico. Relaxantes musculares, antidepressivos, anti-histamínicos, beta-bloqueadores e analgésicos opióides são causas comuns. Excesso de cafeína também pode levar ao cansaço, assim como o consumo excessivo de álcool.

9)Distúrbios do Sono

Qualquer distúrbio do sono que atrapalhe uma boa noite de sono pode ser o motivo de um cansaço crônico. Neste caso, o cansaço vem acompanhado de sonolência durante o dia. A apneia obstrutiva do sono é uma causa comum de cansaço e sonolência, principalmente em pessoas obesas.

10) Depressão

A depressão, também chamada de transtorno depressivo maior, é uma doença psiquiátrica crônica, muito comum e caracterizada por uma alteração do humor do paciente, que deixa-o triste além do normal, desanimado, sem energia, com baixa autoestima e com dificuldade de lidar com sua vida pessoal e profissional.

Sinais de alerta para o diagnóstico de fadiga:

  • Acordar exausto mesmo após uma boa noite de sono
  • Falta de motivação durante o dia
  • Inabilidade para atividades prazerosas
  • Crises súbitas de exaustão
  • Encurtamento da respiração

Como melhorar o nível de energia:

1) Tomar um copo de café ou chá – um pouco de cafeína pode melhorar o dia, mas você não precisa mais do que isso para elevar a energia mental, principalmente pela manhã.

2) Caminhar por 30 minutos ao dia contínuos ou dividido em dois períodos de 15 minutos.

3) Tirar um cochilo de 20 minutos principalmente no meio do dia para evitar o cansaço posterior.

4) Interromper o uso do álcool por algumas semanas.

O endocrinologista poderá lhe ajudar a identificar a causa e os possíveis tratamentos, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Importância em contar carboidratos no diabetes mellitus tipo 1

Contar carboidratos é fundamental para o bom controle do diabetes tipo 1. Assim como a tabuada é a base para o aprendizado da matemática, contar carboidratos é a única maneira que permitirá  o portador de diabetes  saber a quantidade ideal de insulina a ser aplicada em cada refeição. Se a pessoa não souber a quantidade de carboidratos na refeição, também não saberá a quantidade de insulina correta a ser aplicada. Isto pode provocar dificuldade para o bom controle, em razão de grande variabilidade ou oscilação glicêmica.

Temos observado na prática diária pacientes com dificuldade em criar a  rotina para contar carboidratos, ou  que apresentam resistência em realizar esse aprendizado. No início pode haver certa dificuldade, mas depois que aprende, o paciente geralmente fica extremamente satisfeito,  com a possibilidade de variar mais o cardápio. Quando   vai em festas, saberá aplicar dose extra de insulina dependendo da quantidade de doces e salgados ingeridos, evitando assim a hiperglicemia.

É importante que o paciente consulte um profissional familiarizado em contagem de carboidratos. Este profissional vai determinar qual a sensibilidade de insulina em cada refeição, ou seja, quantos gramas de carboidratos são metabolizados por cada unidade de insulina a ser aplicada. Também irá  orientar na interpretação dos rótulos dos alimentos.  E irá fornecer um manual de contagem de carboidratos.

No Vitalité, a nossa equipe multidisciplinar está apta a fornecer a orientação adequada para inserir a contagem de carboidratos na rotina diária do paciente diabético tipo 1, através de uma ação integrada entre a nutricionista e o endocrinologista. O endocrinologista realizará o ajuste fino da dose de insulina proporcional a quantidade de carboidratos que o paciente ingere. Sempre é bom lembrar que essa relação insulina:carboidrato varia de paciente para paciente, de acordo com a sensibilidade individual à insulina. A nutricionista adaptará o cardápio dentro das necessidades individuais de carboidratos nas diferentes refeições.

 

 

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Diabetes Mellitus tipo 1: Como eu trato

O uso de insulina é imprescindível no tratamento do Diabetes Mellitus tipo 1  e deve ser instituído assim que o diagnóstico for realizado.Em geral, a dose inicial de insulina é baseada no peso, com doses variando entre 0.4 a 1 unidade/kg por dia, com aumento dos requerimentos na puberdade.

Educação em relação à contagem dos carboidratos, ajustando a dose de insulina da refeição de acordo com a quantidade de carboidratos ingeridos, é de suma importância no manejo, visando o bom controle.
Recomenda-se que a dose da insulina basal  varie de 40 a 60% da dose total diária,para tentar mimetizar a secreção endógena de insulina e o restante da dose diária recomendada seja em forma de bolus de correção (quantidade de insulina rápida ou análogo ultrarrápido para alcançar a glicemia na meta terapêutica desejada) e refeição (quantidade de insulina necessária para metabolizar versus gramas de carboidratos).
O objetivo do tratamento  é manter as glicemias ao longo do dia entre os limites da normalidade, evitando ao máximo a ampla variabilidade na glicemia.
O surgimento dos análogos de insulina, seja de ação lenta ou os de ação ultra-rápida, representou uma evolução no tratamento.
Por meio de técnicas de DNA recombinante, obtiveram-se os análogos de insulina de ação ultrarápida, com o objetivo de tornar o perfil dessas novas insulinas mais fisiológico na melhora do controle glicêmico .Nos dias atuais, estão comercialmente disponíveis três análogos de insulina de ação ultrarrápida: lispro, asparte e glulisina.
Os análogos de insulina de ação prolongada, glargina, detemir e degludeca, também foram obtidos pela técnica de DNA recombinante.Os estudos têm demonstrado menor frequência de hipoglicemia com esses análogos em relação à insulina NPH, o que seria explicado pela ausência (ou diminuição) de pico dessas insulinas.
O fato de esses análogos apresentarem perfil mais estável, menor variabilidade glicêmica, maior previsibilidade, não
apresentarem picos de ação e não necessitarem de homogeneização torna possível uma administração mais flexível.
A titulação da dose de insulina diária é realizada a partir da glicemia de jejum e dos resultados das glicemias capilares ao longo do dia, pré e pós-prandiais.
O sistema de infusão contínua de insulina (SICI) parece ser atualmente o padrão-ouro no tratamento intensivo do DM1, mas necessita de acompanhamento por equipe capacitada. As bombas atualmente disponíveis no Brasil têm funcionamento, tamanhos e pesos muito semelhantes, e diferem na aparência externa e no modo de utilização dos botões. Alguns modelos são à prova d’água e dispõem de controle remoto inteligente e outros podem ser integrados ao sistema de monitoramento contínuo da glicose, inclusive com desligamento automático em hipoglicemia, possibilitando ajustes mais precisos na terapêutica.
A bomba infunde microdoses de insulina de um reservatório por um cateter inserido por meio de uma pequena
agulha no subcutâneo. Pode-se utilizar a insulina regular ou os análogos de ação ultrarrápida de insulina (lispro, asparte e glulisina) para infusão pelo sistema, sem necessidade de diluição.
Tratamento intensivo, seja com múltiplas doses ou sistema de infusão contínua de insulina, requer o monitoramento
intensivo.É necessário realizar pelo menos cinco testes de verificação da glicemia capilar ao dia. Recentemente foi lançado no Brasil um sistema de monitoramento da glicose dispensando a realização de picadas no dedo, através de um sensor do tamanho de uma moeda acoplado ao braço como um adesivo, e trocado a cada 14 dias. A leitura das glicemias através do monitor permite estabelecer um gráfico com o padrão das glicemias ao longo das 24 horas, permitindo uma melhor compreensão da variabilidade glicêmica naquele indivíduo, e melhor ajuste no esquema terapêutico. O fato de o paciente não precisar furar o dedo também facilita a adesão ao monitoramento intensivo. O dispositivo chama-se freestyle livre e foi discutido em outro post.

Medicamentos em estudo para o Diabetes Mellitus tipo 1

1. Metformina

Adicionar metformina ao tratamento do Diabetes Mellitus tipo 1 pode diminuir um pouco as doses de insulina e melhorar o controle metabólico em pacientes com sobrepeso ou obesidade.

Seu uso não é aprovado pela ANVISA e FDA para o tratamento do DM tipo 1.

2.Agonistas do receptor do GLP-1 ( liraglutida, dulaglutida).

São medicamentos que tem um potencial de proteger a célula beta ( produtora de insulina), e suprimir a liberação do glucagon. O glucagon é um hormônio produzido pelas células alfas do pâncreas, e antagoniza a ação da insulina, ou seja, favorece o aumento da glicemia.

Em alguns estudos com Diabetes Mellitus tipo 1 com o uso desta classe,tem sido observados redução na Hemoglobina Glicada significativa, diminuição da glicemia, peso corporal e doses de insulina.

Pacientes com sobrepeso ou obesidade, especialmente aqueles que estão com controle da glicemia insatisfatório, constituem o perfil ideal que talvez possa se beneficiar desta associação.

Na minha experiência de clínica privada, tenho uma paciente que tinha hemoglobina glicada de 9.3 % e  ganho de 8 kgs de peso corporal. Estava insatisfeita com seu corpo e receosa de ter que aumentar a insulina, pois poderia favorecer ainda mais o ganho de peso. Associei liraglutida ao tratamento e a paciente perdeu todo o excesso de peso adquirido, necessitou reduzir as doses de insulina, e a hb glicada reduziu para 6.3%. Está muita satisfeita, e continua com este tratamento até os dias atuais.

O uso dessa classe é off-label ( fora da bula), pois não é aprovado pela ANVISA no tratamento do DM tipo 1.

3. Gliflozinas

Promovem a redução da glicemia através da excreção de glicose pela urina, decorrente do bloqueio do transportador de glicose tipo 2 nos rins. Promove modesta redução de peso e pressão arterial.

Seu uso em DM tipo 1 pode estar associado a um aumento no risco de cetoacidose. Os sintomas de cetoacidose incluem falta de ar, náuseas, vômitos e dor abdominal.

As gliflozinas não são aprovadas pela ANVISA e FDA para o tratamento do DM tipo 1.

Conclusão

O empenho do paciente diabético tipo 1 é essencial para atingir o bom controle glicêmico.

O atendimento por uma equipe multidisciplinar, envolvendo uma nutricionista para orientar e ajustar a contagem de carboidratos, um endocrinologista para acompanhar as glicemias e realizar ajustes nas insulinas, e psicóloga para tratamento de possivel quadro de ansiedade, depressão, compulsão ou  rejeição associados, é fundamental para que os objetivos sejam atingidos.

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor