Todo diabético tem alto risco cardiovascular?

Um dos grandes temores de quem tem diabetes é o receio de ter sua expectativa ou qualidade de vida afetada, principalmente por conta de um risco aumentado para  sofrer um infarto, derrame cerebral ou amputação de membros inferiores. Mas será que todos os diabéticos são iguais, ou seja, tem um risco cardiovascular aumentado? Ou será que existe uma população diabética cujo risco é mais baixo, podendo ser até mesmo próximo da população sem diabetes?

Neste mês de julho as Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, e Diabetes, publicaram um posicionamento em conjunto que trata da questão supra-citada. Neste post serão abordadas as principais recomendações relacionadas à estratificação do risco cardiovascular.

O posicionamento definiu que existem quatro grupos de pacientes diabéticos classificados de acordo com o risco cardiovascular: baixo risco ( < 10% de chance de ter um evento cardiovascular em 10 anos); risco intermediário ( risco entre 10 e 20%); risco aumentado ( risco entre 20 a 30%); risco muito aumentado ( acima de 30%).

Estratificação do risco cardiovascular

1) Diabéticos com baixo risco

Fazem parte deste grupo os pacientes que possuem os seguintes critérios:

  • Homens com menos de 38 anos e mulheres com menos de 46 anos de idade
  • Não tenham os fatores de riscos descritos nas tabelas 1, 2 e 3 abaixo:

 

Tabela 1 – Fatores de risco

Duração de diabetes maior que 10 anos

História Familiar de doença coronariana prematura ( menos de 55 anos nos homens e 65 anos nas mulheres)

Presença de Síndrome Metabólica

Pressão alta em tratamento ou não

Tabagismo

Filtração glomerular ( renal) menor que 60 ml/min/1.73m2

Albuminúria acima de 30 mg/g de creatinina

Neuropatia cardíaca autonômica

Retinopatia diabética

 

Tabela 2 – Aterosclerose subclínica

Escore de cálcio arterial coronariano  >10 U Agatston

Placa na carótida incipiente (espessura da camada íntima >1.5 mm)

Angiotomografia de coronárias com uma placa definida

Indice tornozelo-braquial <0,9

Aneurisma da Aorta Abdominal

 

Tabela 3 – Doença aterosclerótica clínica

Síndrome coronariana aguda

 Infarto agudo do miocárdio ou angina instável

Angina estável ou infarto prévio

Derrame cerebral aterosclerótico ou ataque isquêmico transitório

Revascularização de carótidas, coronárias e periférica

Insfuciência vascular periférica ou amputação de membro

Doença aterosclerótica severa ( obstrução >50%) em qualquer território arterial

Importante mencionar que o escore de cálcio nas coronárias é o melhor exame para rastrear e indicar  a presença de placas de gorduras nas artérias. Porém, apesar da sua utilidade, ao permitir re-estratificar uma parcela de pacientes com baixo risco para riscos mais elevados, não é um exame fácil de ser obtido por uma boa parcela de pacientes, visto que pode não estar disponível em centros de cidades do interior, bem como a dificuldade em obter a cobertura pelos planos de saúde.

2) Diabéticos com risco intermediário

Fazem parte deste grupo os pacientes que possuem os seguintes critérios:

  • Homens  entre 38 e 49 anos e mulheres entre  46 a 56 anos de idade
  • Ausência  dos fatores de riscos apresentados apresentados nas tabelas acima.

3) Diabéticos com risco  alto

  • Homens acima de 49 anos e mulheres acima de 56 anos de idade
  • Homens ou mulheres de qualquer idade, com fatores de risco para o coração ou doença ateroesclerótica subclínca (tabelas 1 e 2).

4) Diabéticos com risco muito alto

  • Pacientes de qualquer idade com doença ateroesclerótica clínica (tabela 3).

Importância de estratificar o risco cardiovascular

A definição do risco cardiovascular permite que possamos identificar uma parcela de nossos pacientes diabéticos com risco cardiovascular mais baixo, que não necessitam de um tratamento com metas mais agressivas, tais como utilizar estatinas ( medicamento para reduzir o colesterol) mais potentes e em doses mais altas, indicadas para pacientes com risco cardiovascular alto ou muito alto.

Calculadora para estratificação de risco cardiovascular

As sociedades médicas que elaboraram esse posicionamento participaram da elaboração do aplicativo que já está  disponível para computadores, tablets  e celulares, com a finalidade de propiciar ao médico assistente uma ferramenta que permite realizar o cálculo do risco cardiovascular para cada paciente, levando em conta todos os critérios supramencionados, e definindo qual o tratamento recomendado para cada caso.

 

 

 

 

 

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Hipotireoidismo: saiba como identificar

O hipotireoidismo é uma condição em que a glândula tireóide não produz quantidade suficiente dos seus hormônios.

O hipotireoidismo desregula o balanço normal das reações químicas no seu corpo. Ele raramente causa sintomas nos estágios iniciais, mas ao longo do tempo, quando não tratado, pode causar vários problemas de saúde, como aumento de peso, dor articular, infertilidade e doenças cardíacas.

A boa notícia é que os testes de função tireoidiana são acessíveis para o diagnóstico dessa condição.O  tratamento é realizado com hormônio sintético similar ao produzido pela tireóide, e administrado de maneira simples, segura e eficaz,desde que o médico ajuste a dose corretamente para você.

Quais os sinais e sintomas do hipotireoidismo?

Os sinais e sintomas da doença variam de acordo com a severidade da disfunção hormonal. Mas em geral, os sintomas se desenvolvem lentamente ao longo de anos.

Os sinais e sintomas de hipotireoidismo incluem:

  • Fadiga

  • Sensibilidade aumentada ao frio

  • Constipação intestinal

  • Ganho de peso

  • Edema de face

  • Voz rouca

  • Fraqueza muscular

  • Elevação do colesterol

  • Dores musculares

  • Dores articulares

  • Menstruação irregulares

  • Queda de cabelos

  • Diminuição da frequência cardíaca

  • Depressão

  • Prejuízo da memória

Quando o hipotireoidismo não é tratado, pode gradualmente se tornar mais severo. O estímulo constante para que a glândula produza mais hormônios pode causar um aumento no seu volume (conhecido como bócio).

O hipotireoidismo avançado, conhecido como mixedema, é raro, mas quando ocorre deve ser tratado com urgência. Sinais e sintomas incluem queda de pressão arterial, dificuldade para respirar, queda da temperatura corporal, queda do nível de consciência e, eventualmente, coma.

Quando procurar um médico?

Procure seu médico se você se sentir cansado sem motivo aparente, ou se tiver algum outro sinal ou sintoma de hipotireoidismo.

Você também deve procurar o médico para avaliar a função da tireóide se já foi submetido à cirurgia de tireóide, tratamento prévio com iodo radioativo ou medicamentos anti-tireóide, radioterapia da cabeça, pescoço ou parte superior do tórax. No entanto, pode levar anos ou décadas para que alguma destas terapias resultem em hipotireoidismo.

Se você tiver colesterol elevado, pergunte ao seu médico se  problema na tireóide  pode ser a causa. E se você estiver recebendo tratamento para o hipotireoidismo, agende consultas de reavaliação conforme a orientação médica, para que a dose do hormônio seja corrigida e se mantenha adequada.

Quais as causas do hipotireoidismo?

Sua tireóide é uma pequena glândula em forma de borboleta situada na parte da frente do pescoço, imediatamente baixo do pombo de Adão. Os hormônios produzidos pela tiroide – triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) – possuem enorme impacto na sua saúde, afetando todos os aspectos do metabolismo. Eles são responsáveis pelo metabolismo de carboidratos e gorduras, ajudam a controlar a temperatura corporal, influenciam nos batimentos do coração e controle da pressão arterial entre outras funções.

O hipotireoidismo pode ser causado por vários fatores, incluindo:

  • Doença autoimune. A causa mais comum de hipotireoidismo é uma doença inflamatória da tiroide conhecida como Tireoidite de Hashimoto. Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico produz anticorpos que atacam seu próprio corpo. Às vezes este processo envolve a tireóide, afetando a sua habilidade em produzir hormônio.

  • Tratamento para hipertiroidismo. O tratamento para o excesso de hormônios da tireóide (uma doença conhecida como hipertiroidismo), reduz a produção dos hormônios da tireóide. Em alguns casos pode resultar em deficiência de produção de  hormônio tireoidiano permanente.

  • Cirurgia de tireóide. A remoção da glândula é uma causa de hipotireoidismo. Você deverá realizar a reposição do hormônio da tireóide por toda a vida.

  • Radiação. Radioterapia usada para câncer da cabeça e pescoço pode causar hipotireoidismo, mesmo após muitos anos de sua aplicação.

  • Medicamentos. Vários medicamentos podem contribuir para o aparecimento do hipotireoidismo. Os mais comuns são o lítio e a amiodarona.

Menos frequentemente, o hipotireoidismo pode resultar das seguintes doenças:

  • Doenças congênitas. Algumas crianças podem nascer com hipotireoidismo. A doença é verificada no teste do pezinho.

  • Doença da hipófise. É uma causa rara que ocorre pela deficiência do hormônio estimulador da tiroide (TSH)

  • Gravidez. Algumas mulheres desenvolvem a doença durante ou após a gravidez. Se não tratado, aumenta o risco de parto prematuro, aborto e préeclâmpsia.

  • Deficiência de iodo. O iodo encontrado nos frutos do mar e no sal iodado é essencial para a produção dos hormônios da tireóide. No Brasil, o iodo ingerido através do sal iodado (sal de cozinha) é suficiente para a produção adequada dos hormônios.

Quem tem risco aumento para desenvolver o hipotireoidismo?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver hipotireoidismo, você terá risco aumentado se:

  • For uma mulher com mais de 60 anos

  • Tiver alguma doença autoimune

  • Tiver história familiar de doenças da tireóide

  • Tiver sido tratada com iodo radioativo ou medicamentos anti-tiride

  • Tiver recebido radiação na cabeça, pescoço ou parte superior do tórax

  • Tiver sofrido cirurgia da tireóide

  • Tiver grávida ou tiver tido um bebê nos últimos 12 meses

Quais as complicações do hipotireoidismo não tratado?

O hipotireoidismo quando não tratado pode causar problemas de saúde:

  • Bócio. É como é chamado o aumento da glândula tiroide.

  • Problemas cardiovasculares. Causados pelo aumento do colesterol ruim (LDL).

  • Problemas de saúde mental. Depressão, alteração do raciocínio e memória podem ser consequências da doença.

  • Neuropatia periférica. Quando o hipotireoidismo permanece por longo tempo sem tratamento, isto pode afetar os nervos periféricos e causar sintomas como dor, formigamento e fraqueza muscular na área afetada.

  • Mixedema. É uma condição rara e tratável, que ocorre quando o hipotireoidismo fica muito tempo sem diagnóstico ou tratamento. Os sintomas incluem uma intolerância intensa ao frio e fraqueza, seguido por uma letargia profunda e perda da consciência. Trata-se de uma emergência de tratamento médico.

  • Infertilidade. Níveis baixos de hormônio tireoidiano pode interferir na ovulação, com prejuízo da fertilidade.

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Osteoporose e Nutrição: 05 dicas para a prevenção e o tratamento

Como qualquer tecido vivo, os ossos necessitam de nutrientes para que eles possam crescer e manter o crescimento. Esta é a razão porque a nutrição adequada é um componente chave para tanto o manejo quanto a prevenção da osteoporose. E existe uma dieta saudável para o osso? A resposta é sim. Aqui serão listados cinco passos para alimentar-se bem com o intuito de fortalecer os ossos.

1. Coma mais vegetais, frutas e grãos integrais

Estudos mostram que comer mais vegetais e frutas melhora a saúde óssea. Estes alimentos em geral tem menos calorias e gorduras, e são ricos em fibras, vitaminas essenciais e minerais. Também contém fitoquímicos, substâncias que podem proteger contra a osteoporose.

Procure comer quatro ou mais porções de vegetais e três de frutas por dia. Ambos são excelentes fontes de magnésio, potássio, e vitaminas C, K e A, os quais desempenham um papel na manutenção da saúde óssea.

Também coma quatro porções de grãos por dia, de preferência integral ( tem mais nutrientes, especialmente magnésio e fibras).

2. Escolha fontes saudáveis de proteína e gordura

Proteína é importante para a saúde óssea, porque é um componente principal do tecido ósseo e desempenha um importante papel na manutenção do osso. As melhores escolhas incluem as proteínas de plantas, como feijão e nozes, assim como o peixe, aves sem pele e cortes magros de carnes. Produtos lácteos com pouca gordura, como o leite e o iogurte natural, são outra boa fonte de proteína e também fornecem o cálcio, que beneficia a saúde do osso. Proteína deve compor entre 25 a 35% das calorias totais diárias.

As gorduras saturadas  são prejudiciais aos ossos. As melhores escolhas de gorduras são as monoinsaturadas, encontradas no azeite de oliva, oleaginosas e sementes.

3. Ingira o cálcio necessário

Cálcio é essencial pra saúde do osso. Este mineral é um bloco de construção chave do osso, e auxilia na prevenção da perda de massa óssea e fraturas osteoporóticas em idosos. Embora a ingesta diária recomendada para a maioria dos adultos varia entre 1000 a 1200 mg ou mais, a dieta habitualmente fornece muito menos.

Se você não está ingerindo cálcio suficiente, tente aumentar o consumo de alimentos que são ricos neste mineral. Leite e outros produtos lácteos são a fonte mais rica, mas o cálcio também é encontrado na couve, brócolis, queijo tofu e cereais.

Se você não consegue ingerir cálcio suficiente através da dieta, então você deve suplementar. Um suplemento com cálcio é frequentemente recomendado para mulheres pós-menopausadas, porque reduz a taxa de perda óssea. Deve sempre ser acompanhado de vitamina D, a qual garante a absorção apropriada do cálcio. O magnésio também auxilia o direcionamento do cálcio para o osso.

4.Limite o açúcar, sal e aditivos de fosfato

Alimentos que contém açúcares adicionados durante o processamento, geralmente fornecem muitas calorias, aditivos e conservantes, e poucas vitaminas, minerais e outros nutrientes. Por esta razão, alimentos processados e bebidas açucaradas devem ser evitados. Os refrigerantes são frequentemente o grande vilão.

Muito sal na dieta também pode ser prejudicial. Além do aumento na pressão arterial, pode aumentar a excreção de cálcio pela urina. Procure não ingerir mais do que 05 gramas de sal por dia.

O fósforo é usado como aditivo em alimentos processados. O excesso de fósforo pode interferir na absorção de cálcio pelo intestino.

 

5. Limite o consumo de álcool e cafeína

Consumir mais do que um ou duas doses de álcool por dia acelera a perda óssea e diminui a capacidade do organismo de absorver o cálcio.Se você escolher ingerir álcool, que o faça com moderação. Para adultos saudáveis, significa a ingesta de uma dose para mulheres e duas para os homens. Ingerir álcool nas refeições também  diminui a absorção de cálcio.

 Cafeína pode aumentar discretamente a excreção de cálcio na urina. O consumo moderado de cafeína – cerca de 02 a 03 xícaras de café por dia – não é tão prejudicial desde que sua dieta contenha ingestão de cálcio adequada.
Muitos não sabem, mas o endocrinologista é especialista no metabolismo ósseo. Se você tem ou deseja prevenir o aparecimento da osteoporose, procure um endocrinologista de sua confiança e obtenha todas as orientações necessárias.
Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP