A insulina de hoje não é mais aquele fantasma do passado

É comum as pessoas terem conceitos equivocados sobre o papel  da insulina no tratamento do diabetes. Podem ter ouvido falar: ” Eu comecei a insulina e minha perna foi amputada”.   Nós sabemos que a insulina não é a razão da amputação da perna, mas o paciente fica com isto na mente, e a insulina torna-se um grande medo, um verdadeiro fantasma. É dever do médico ajudar o paciente a superar esse preconceito.

Os médicos tiveram uma parcela importante de culpa em incutir o temor dos pacientes em relação à insulina. Era comum, no passado, o profissional  ameaçar o paciente dizendo : ” Se você não caprichar na dieta, vou ter que lhe prescrever insulina na próxima vez”. Ou seja, associando à insulina como algo ruim, um castigo.

Muitos estudos tem mostrado o tempo que leva o médico a realizar uma modificação necessária no tratamento. É a chamada inércia terapêutica. Tem sido demonstrado que algumas vezes o paciente permanece fora da meta de tratamento, com a diabetes descompensada por anos, e mesmo assim, o profissional toma a conduta de ” dar mais uma chance” ao paciente. Particularmente quando o paciente tem sintomas de deficiência de insulina, tais como perda de peso, urinar muito, muita sede, aumento do apetite e visão turva, a introdução de um medicamento oral para reduzir a glicemia não surtirá efeito.

A insulina de hoje não é a mesma do tempo dos nossos pais ou avós. Temos melhores análogos de insulina ( insulinas geneticamente modificadas), temos canetas para aplicação de insulina, e agulhas mais finas e mais curtas. A aplicação de insulina tornou-se mais fácil, prática, indolor, segura, e portanto, mais aceitável por parte dos diabéticos.

Não há mais justificativas, com o conhecimento e a tecnologia no tratamento do diabetes, que médicos protelem a introdução da insulina. Agir tardiamente contribui de maneira decisiva no aparecimento de complicações micro e macrovasculares ( retinopatia, amputação, impotência, insuficiência renal, infarto e derrame cerebral).

Os análogos de insulina, tanto os de longa ação, quanto os de ação ultra-rápida tendem a causar menos hipoglicemias e uma menor variabilidade da glicemia, quando comparados às opções de  insulinas disponíveis no passado ( NPH e Regular). Algoritmos para ajuste na dose de insulina são disponibilizados aos pacientes, que permitem um auto-ajuste na dose de insulina prescrita, afim de atingir o alvo terapêutico, e permitindo uma maior independência do paciente.

É preciso conscientizar a população que a insulina é uma arma importante no bom controle da diabetes e prevenção de complicações, e sua indicação jamais deve ser retardada pelo profissional de saúde, quando sua utilização estiver indicada.

 

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

About Dr. Paulo Freitas

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