Dieta de baixo carboidrato e diabetes tipo 1

Antes da descoberta da insulina, a vida das crianças com diabetes mellitus tipo 1 era mantida com restrição de carboidratos. Após o advento do tratamento com insulina, a ingestão de carboidratos recomendada foi aumentada sem trabalhos clínicos que provassem superioridade. Nos anos 80, a dieta pobre em gorduras e contendo até 60% da energia a partir de carboidratos tornou-se o padrão. Apesar de avanços médicos e tecnológicos,o manejo do diabetes mellitus tipo 1 ainda  permanece insatisfatório na maioria dos pacientes. Dados estatísticos mostram que apenas 20% das crianças e 30% dos adultos atingem bom controle do diabetes. Um grande desafio é o controle da glicemia pós-prandial ( pós-refeição), o qual é um determinante da hemoglobina glicada. Mesmo com análogos de insulina modernos, um desbalanço entre a absorção de carboidratos e a ação da insulina tipicamente existe após as refeições.

A dieta de baixo carboidrato é definida com a ingesta ≤ 20 gramas a 50 gramas por dia de carboidratos ou ≤ 5% a 10% de carboidratos como proporção das calorias diárias.

Em em estudo realizado pela universidade de Harvard, com seguimento médio de pouco mais de dois anos, e publicado recentemente no conceituado  jornal Pediatrics, mostrou que dos 300 participantes, cuja ingesta diária de carboidratos era na ordem de 36 ± 15 gramas de carboidratatos por dia, 97% atingiram a meta de controle proposta pela Associação Americana de Diabetes. A média de hemoglobina glicada atingida ficou em torno de 5,7% ( ou seja, dentro dos níveis de pacientes não diabéticos ), uma redução em torno de 1,5% da hemoglobina glicada inicial. A média de glicose no sangue foi de 104± 16 mg/dl.

O índice de eventos adversos foi baixo. Apenas 2% foram hospitalizados nos últimos 12 meses, 1%  tiveram hospitalização com cetoacidose diabética e 2% por outras razões. Hipoglicemia severa foi infrequente ( apenas 2% dos casos).

O nível de satisfação dos pacientes com a dieta foi em  nível de de muito bom a excelente em 86% dos indivíduos.

Os níveis de triglicerídeos foram menores, assim como os níveis de HDL ( colesterol bom) e LDL ( colesterol ruim) foram maiores. A dose diária total de insulina reduziu. O peso também reduziu. Os dados obtidos também não mostraram efeito adverso na velocidade de crescimento  das crianças  com a dieta pobre em carboidrato, porém pesquisa adicional deve ser realizada para confirmar esse dado.

A dieta com baixo carboidrato, portanto, pode permitir o controle excepcional do diabetes mellitus tipo 1 sem aumentar o risco de efeitos colaterais. Assim sendo, as  complicações crônicas do diabetes a longo prazo podem ser prevenidas.

Embora os resultados são promissores, estes achados não são suficientes para serem interpretados como suficiente para justificar uma mudança globalizada no manejo do diabetes. Estudos adicionais são necessários para determinar qual o grau de restrição de carboidrato é necessário para atingir esses benefícios, o regime ideal de insulina para acompanhar essa dieta ( com ênfase especial em evitar a hipoglicemia severa), a segurança e eficácia.

Se você portador de diabetes mellitus tipo 1 tiver interesse em realizar o tratamento nutricional com dieta de baixo carboidrato, todo o cuidado é necessário. É imprescindível que o endocrinologista ajuste o seu esquema de insulina, oriente a monitorização da glicemia capilar, acompanhe a evolução e solicite exames periódicos de controle . O acompanhamento de uma nutricionista também é essencial para  elaborar o seu cardápio,  realizar os devidos ajustes, tirar as dúvidas em relação aos alimentos que podem ser consumidos e auxiliar na adesão ao tratamento. Realizar essa dieta por conta própria não é recomendado, pois  pode acarretar riscos à sua saúde, especialmente em relação à possibilidade de hipoglicemia severa e cetoacidose diabética.

Fonte: Management of type 1 diabetes with a very low-carbohydrate diet. Lennerz B et al. Pediatrics, May 7, 2018, pg 1-9.

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Hiperplasia adrenal congênita causa síndrome dos ovários policísticos

A hiperplasia adrenal congênita é um distúrbio genético devido a uma alteração em uma enzima da glândula adrenal. A mais comum é a alteração na enzima 21-hidroxilase. A redução na atividade desta enzima pode causar manifestações de aumento de pêlos em áreas típicas dos homens (na área de barba, acima do lábio superior, ao redor dos mamilos, na região do tórax, do baixo abdômen, das nádegas, na parte interna das coxas), acne, irregularidade menstrual e infertilidade . Aproximadamente 5% dos casos de mulheres com a síndrome dos ovários policísticos podem ter hiperplasia adrenal congênita como causa. Assim sendo, a exclusão de hiperplasia adrenal congênita é obrigatória para mulheres com este quadro clínico.

1) Como diagnosticar hiperplasia adrenal congênita

1.1 Dosar a 17- hydroxiprogesterona (17-OHP)

– Níveis de 17-OHP no sangue acima de 10 ng/ml (ou 1000 ng/dl) fazem o diagnóstico

– Níveis de 17-OHP entre 2 e 10 ng/ml não permitem a exclusão do diagnóstico. Neste caso o médico deve solicitar um teste da cortrosina, o qual é um teste de estímulo da glândula adrenal. Níveis de 17-OHP acima de 10 ng/ml fazem o diagnóstico. O sangue é colhido uma hora após a infusão de cortrosina.

– Níveis d 17-OHP abaixo de 2 ng/ml excluem o diagnóstico

OBS: o sangue deve ser colhido na fase folicular do ciclo, ou seja, no início do ciclo menstrual

1.2 Teste genético

Após o diagnóstico pelo exame laboratorial, a pesquisa da alteração na enzima 21-hydrolase é recomendada, especialmente para aconselhamento genético em razão da possibilidade de ocorrer a hiperplasia adrenal congênita no descendente.

2) Tratamento da Hiperplasia Adrenal Congênita

2.1  Tratamento das manifestações do excesso de hormônio masculino( androgênio)

O excesso de androgênios produzido pela glândula adrenal pode ser tratado pela administração de medicamento corticóide ou pelo bloqueio dos efeitos do hormônio masculino em outros órgãos através da administração de medicamento antiandrogênio. Entretanto, em mulheres adultas com hiperplasia adrenal congênita, a redução no nível de hormônio masculino circulante também pode ser obtida pelo bloqueio da produção de androgênio de origem ovariana, através do uso de pílula anticoncepcional.

A efetividade em reduzir os sintomas do excesso de androgênio é maior com o uso de antiandrogênio (acetato de ciproterona ou espironolactona) do que com o uso de corticóide. Em um estudo, o uso do antiandrogênio acetato de ciproterona reduziu o excesso dos pêlos em 54% dos pacientes e apenas em 24% dos que usaram hidrocortisona. Em outro estudo a combinação de acetato de ciproterona com etinilestradiol foi superior à dexametasona (excesso de pêlos melhoraram em 66% e 31% dos pacientes respectivamente).

2.2  Manejo da infertilidade

Mulheres adulta que apresentam quadro de infertilidade podem se beneficiar do tratamento com corticóide ou pela  indução da ovulação.

Em um estudo recente com 38 pacientes com alteração no ciclo menstrual, 71% das mulheres regularizaram o ciclo menstrual com o tratamento com hidrocortisona.

O uso de citrato de clomifeno ou técnica de reprodução assistida deve ser considerado em caso de má resposta ao tratamento com corticóide.

– Manejo da grávida com hiperplasia adrenal congênita

O tratamento com corticóide está indicado na gravidez de mulheres com hiperplasia adrenal congênita pois mostra benefício em reduzir a taxa de aborto.

Deve ser realizado com a administração de hidrocortisona ( 20 a 25 mg por dia) ou prednisona ( 2,5 a 5 mg por dia). Dexametasona não deve ser utilizada, pois esta atravessa a barreira fetoplacentária e pode impactar o desenvolvimento fetal.

Conclusão

Hiperplasia adrenal congênita deve ser sempre pesquisada em mulheres com diagnóstico de síndrome de ovários policísticos.

Em mulheres com hiperplasia adrenal congênita com dificuldade para engravidar ou com alteração na ovulação podem se beneficiar do uso de corticóide.

O uso de corticóide na gravidez pode reduzir a chance de aborto.

Em mulheres cujo objetivo maior seja a melhora dos sintomas decorrente do excesso de androgênios, o tratamento com anticoncepcional oral ou bloqueio na ação dos androgênios é o mais indicado.

Fonte: Non-classic congenital adrenal hyperplasia due to 21-hydroxylase deficiency revisited: an updatewith a special focus on adolescent and adult women. Carmina et al . 2017 Sep 1;23(5):580-599. doi: 10.1093/humupd/dmx014.

  

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Transexualidade: o que você precisa saber

O tema transexualidade, intensamente debatido nos dias atuais, é complexo e gera uma série de dúvidas relacionadas a diagnóstico, acompanhamento, tratamento e como agir em relação a esta condição. Tanto a maioria dos profissionais de saúde, quanto a população, em geral, conhecem muito pouco sobre o tema.

Um dos grandes desafios é diminuir a barreira do preconceito em relação aos transgêneros, e assim sendo, permitir que estas pessoas tenham as mesmas oportunidades que os cisgêneros ( pessoas que se identificam, em todos os aspectos, com seu gênero de nascimento).

A seguir vamos explicar os principais aspectos relacionados à transexualidade.

1. O que é transexualidade?

Transexualidade é a condição em que os indivíduos possuem  o desejo de viver e ser aceito como membro do sexo oposto, geralmente acompanhado pelo desejo de tornar o seu corpo o mais congruente possível com o seu sexo preferido, através de cirurgia e tratamento hormonal.

A identidade transexual deve estar presente de maneira persistente, por pelo menos dois anos, e não ser um sintoma de um distúrbio mental ( ex: esquizofrenia) ou associado com uma anormalidade cromosômica.

2. O que é disforia de gênero?

Um inconformismo acentuado entre o gênero vivenciado, expresso e o gênero designado ao nascimento, por pelo menos seis meses de duração, manifestado por pelo menos dois dos seguintes:

  • Inconformismo, não aceitação do gênero expresso e os caracteres sexuais primários e secundários
  • Forte desejo de se livrar das características sexuais do sexo vigente
  • Forte desejo pelas características sexuais do sexo oposto
  • Forte desejo de pertencer ao sexo oposto
  • Forte desejo de ser tratado como pertencente ao sexo oposto
  • Forte convicção que apresenta os sentimentos e reações do sexo oposto

3. Como definir  um homem trans ou uma mulher trans?

Homem trans, ou homem transgênero, é uma pessoa que nasceu no sexo feminino, mas que se identifica e vive como homem.

Já uma mulher trans é ao contrário, é uma pessoa que nasceu no sexo masculino, mas que se identifica e vive como mulher.

4. Como é a orientação sexual dos(as) transgêneros?

A orientação sexual do transgênero é independente da sua identidade de gênero. Traduzindo, o homem trans pode ter atração por homens, mulheres, ou ser bisexual, assim como os indivíduos que não são transgêneros. Se o homem trans tiver desejo por outros homens, ele é considerado homem trans homossexual, se tiver desejo por mulheres, ele é considerado homem trans heterossexual. O mesmo ocorre com a mulher trans.

5. Como abordar a transexualidade na consulta inicial?

5.1 Saber os objetivos do paciente é crucial

Embora vários irão procurar uma transição completa, incluindo cirurgia, outros irão escolher apenas receber suplementação hormonal, optando em não serem manejados cirurgicamente.

5.2 Transição de gênero jamais deve ser feito sem envolvimento de um profissional de saúde mental ( psiquiatra/psicólogo)

É essencial que o clínico ( endocrinologista) trabalhe em proximidade com o profissional de saúde mental, cuja colaboração é crucial nas seguintes áreas:

  • Realizar/confirmar o diagnóstico de disforia de gênero
  • Prescrever tratamento para o paciente durante a transição
  • Avaliar, diagnosticar, e tratar toda condição psiquiátrica concomitante – isto pode servir para reduzir a chance de arrependimento pós-operatório em indivíduos que serão submetidos à cirurgia de redesignação de gênero.

6. Tratamento hormonal

Para a realização do tratamento hormonal, o homen trans ou a mulher trans deve  ter o diagnóstico de  disforia de gênero persistente e bem documentada; capacidade para tomar uma decisão com pleno conhecimento e para consentir com o tratamento; ter pelo menos 18 anos de idade no Brasil (se menor de idade, seguir as normas para adolescentes);  se possuir problemas de saúde física ou mental,  estes devem estar bem controlados.

6.1 Mulher trans

6.1.1 Estradiol

A utilização de estrogênio por via oral, e especificamente, o etinilestradiol ( presente nos anticoncepcionais orais), aumenta o risco de tromboembolismo pulmonar. Devido a esse problema de segurança, etinilestradiol não é recomendado para a terapia hormonal feminizante. Para as pessoas com fatores de risco para tromboembolismo, recomenda-se  estrogênio transdérmico ( gel ou adesivo). O risco de efeitos adversos aumenta com doses mais elevadas, particularmente com doses específicas que levam a níveis acima dos normais para a mulher.

As pacientes com condições co-mórbidas, como obesidade, pressão alta, diabetes, que podem ser afetadas pelo estrogênio, devem evitar a administração por via oral se possível e começar com níveis mais baixos.

6.1.2 Estradiol combinado com anti-andrógenos

Uma combinação de estrogênio e anti-andrógenos é o regime mais comumente estudado para a feminilização. Os medicamentos comumente usados para reduzir os efeitos da androgenização pertencem a várias classes de medicamentos que têm tanto o efeito de reduzir os níveis da testosterona endógena como a atividade da testosterona nos tecidos e, portanto, a redução das características masculinas, como, por exemplo, os pelos do corpo. Como minimizam a dose de estrogênio necessária para suprimir a testosterona, contribuem assim para reduzir os riscos
associados com altas doses de estrogênio exógeno.

Os antiandrógenos comumente utilizados são o acetato de ciproterona ou a espironolactona.

6.2 Homem trans

6.2.1 Testosterona

A testosterona é normalmente administrada por via transdérmica ou parenteral (IM), embora
preparações bucais e implantáveis também estejam disponíveis. . Como o cipionato ou enantato de testosterona intramuscular são frequentemente administrados a cada 2-4 semanas, alguns usuários desses medicamentos
podem observar uma variação cíclica em efeitos secundários (por exemplo, fadiga e irritabilidade no fim do ciclo de injeção, agressividade ou humor expansivo no início do ciclo de injeção),bem como mais tempo fora dos níveis fisiológicos normais. Essas situações  podem ser mitigadas pela utilização de um regime de dosagem mais baixa mas com uma administração mais frequente, ou através da utilização de uma preparação trans-dérmica diária. O undecanoato de testosterona intramuscular  mantém estáveis os níveis fisiológicos de testosterona por cerca de 12 semanas e tem sido eficaz na tanto na condição de hipogonadismo como em indivíduos homens trans.
Há evidências de que a testosterona trans-dérmica e intramuscular alcançam resultados masculinizantes semelhantes, embora o processo possa ser um pouco mais lento com preparações trans-dérmicas. Especialmente de acordo com a idade do usuário, o objetivo é usar a menor dose necessária para manter o resultado clínico desejado, observando-se as devidas precauções para manter a densidade óssea.

7. Quais os riscos do tratamento hormonal?

Todas as intervenções médicas trazem riscos. A probabilidade de um evento adverso grave depende de muitos fatores: a auto-medicação, a dose, a via de administração e as características clinicas da pessoa usuária do serviço (idade, doenças concomitantes, antecedentes familiares,hábitos de saúde).

Os principais  riscos do tratamento para os homens trans ( utilizam testosterona) são: elevação importante do hematócrito,aumento de peso, acne, calvície, apnéia do sono, aumento do colesterol, doença cardiovascular, hipertensão , diabetes e desestabilização de transtorno psiquiátrico.

Em relação às mulheres trans ( utilizam hormônios feminilizantes), temos o tromboembolismo venoso ( relacionado principalmente com anticoncepcional e estradiol via oral), cálculos biliares, ganho de peso, hipertrigliceridemia, doença cardiovascular, hipertensão e hiperprolactinemia ou prolactinoma ( tumor na hipófise produtor de prolactina).

Cabe ressaltar que a reposição hormonal acompanhada por médicos especialistas, é a melhor maneira de evitar as complicações do tratamento. Muitas vezes os transgêneros realizam a hormonioterapia por conta própria, sem qualquer acompanhamento ou monitoramento, por não saber a quem recorrer ou até mesmo do receio de  não ter um acolhimento adequado na consulta com o  profissional, em razão de preconceito.

O tratamento hormonal, em doses similares às usadas pelas mulheres na menopausa ou no tratamento do hipogonadismo masculino em geral é suficiente para induzir às mudanças corporais. O uso de doses muito elevadas de estrogênio ou testosterona predispõe o aparecimento de complicações.

A equipe formada pelos endocrinologistas   Dra. Karina Freitas e Dr. Paulo de Tarso Freitas, a psicóloga Liliane Pereira, o psiquiatra Dr. José Vilela, o urologista Dr. Jovânio Fernandes da Rosa e a ginecologista Dra. Cássia Soares, está preparada  e à disposição para realizar o adequado atendimento em todas as etapas do processo transexualizador.

 

 

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Todo diabético tem alto risco cardiovascular?

Um dos grandes temores de quem tem diabetes é o receio de ter sua expectativa ou qualidade de vida afetada, principalmente por conta de um risco aumentado para  sofrer um infarto, derrame cerebral ou amputação de membros inferiores. Mas será que todos os diabéticos são iguais, ou seja, tem um risco cardiovascular aumentado? Ou será que existe uma população diabética cujo risco é mais baixo, podendo ser até mesmo próximo da população sem diabetes?

Neste mês de julho as Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, e Diabetes, publicaram um posicionamento em conjunto que trata da questão supra-citada. Neste post serão abordadas as principais recomendações relacionadas à estratificação do risco cardiovascular.

O posicionamento definiu que existem quatro grupos de pacientes diabéticos classificados de acordo com o risco cardiovascular: baixo risco ( < 10% de chance de ter um evento cardiovascular em 10 anos); risco intermediário ( risco entre 10 e 20%); risco aumentado ( risco entre 20 a 30%); risco muito aumentado ( acima de 30%).

Estratificação do risco cardiovascular

1) Diabéticos com baixo risco

Fazem parte deste grupo os pacientes que possuem os seguintes critérios:

  • Homens com menos de 38 anos e mulheres com menos de 46 anos de idade
  • Não tenham os fatores de riscos descritos nas tabelas 1, 2 e 3 abaixo:

 

Tabela 1 – Fatores de risco

Duração de diabetes maior que 10 anos

História Familiar de doença coronariana prematura ( menos de 55 anos nos homens e 65 anos nas mulheres)

Presença de Síndrome Metabólica

Pressão alta em tratamento ou não

Tabagismo

Filtração glomerular ( renal) menor que 60 ml/min/1.73m2

Albuminúria acima de 30 mg/g de creatinina

Neuropatia cardíaca autonômica

Retinopatia diabética

 

Tabela 2 – Aterosclerose subclínica

Escore de cálcio arterial coronariano  >10 U Agatston

Placa na carótida incipiente (espessura da camada íntima >1.5 mm)

Angiotomografia de coronárias com uma placa definida

Indice tornozelo-braquial <0,9

Aneurisma da Aorta Abdominal

 

Tabela 3 – Doença aterosclerótica clínica

Síndrome coronariana aguda

 Infarto agudo do miocárdio ou angina instável

Angina estável ou infarto prévio

Derrame cerebral aterosclerótico ou ataque isquêmico transitório

Revascularização de carótidas, coronárias e periférica

Insfuciência vascular periférica ou amputação de membro

Doença aterosclerótica severa ( obstrução >50%) em qualquer território arterial

Importante mencionar que o escore de cálcio nas coronárias é o melhor exame para rastrear e indicar  a presença de placas de gorduras nas artérias. Porém, apesar da sua utilidade, ao permitir re-estratificar uma parcela de pacientes com baixo risco para riscos mais elevados, não é um exame fácil de ser obtido por uma boa parcela de pacientes, visto que pode não estar disponível em centros de cidades do interior, bem como a dificuldade em obter a cobertura pelos planos de saúde.

2) Diabéticos com risco intermediário

Fazem parte deste grupo os pacientes que possuem os seguintes critérios:

  • Homens  entre 38 e 49 anos e mulheres entre  46 a 56 anos de idade
  • Ausência  dos fatores de riscos apresentados apresentados nas tabelas acima.

3) Diabéticos com risco  alto

  • Homens acima de 49 anos e mulheres acima de 56 anos de idade
  • Homens ou mulheres de qualquer idade, com fatores de risco para o coração ou doença ateroesclerótica subclínca (tabelas 1 e 2).

4) Diabéticos com risco muito alto

  • Pacientes de qualquer idade com doença ateroesclerótica clínica (tabela 3).

Importância de estratificar o risco cardiovascular

A definição do risco cardiovascular permite que possamos identificar uma parcela de nossos pacientes diabéticos com risco cardiovascular mais baixo, que não necessitam de um tratamento com metas mais agressivas, tais como utilizar estatinas ( medicamento para reduzir o colesterol) mais potentes e em doses mais altas, indicadas para pacientes com risco cardiovascular alto ou muito alto.

Calculadora para estratificação de risco cardiovascular

As sociedades médicas que elaboraram esse posicionamento participaram da elaboração do aplicativo que já está  disponível para computadores, tablets  e celulares, com a finalidade de propiciar ao médico assistente uma ferramenta que permite realizar o cálculo do risco cardiovascular para cada paciente, levando em conta todos os critérios supramencionados, e definindo qual o tratamento recomendado para cada caso.

 

 

 

 

 

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Hipotireoidismo: saiba como identificar

O hipotireoidismo é uma condição em que a glândula tireóide não produz quantidade suficiente dos seus hormônios.

O hipotireoidismo desregula o balanço normal das reações químicas no seu corpo. Ele raramente causa sintomas nos estágios iniciais, mas ao longo do tempo, quando não tratado, pode causar vários problemas de saúde, como aumento de peso, dor articular, infertilidade e doenças cardíacas.

A boa notícia é que os testes de função tireoidiana são acessíveis para o diagnóstico dessa condição.O  tratamento é realizado com hormônio sintético similar ao produzido pela tireóide, e administrado de maneira simples, segura e eficaz,desde que o médico ajuste a dose corretamente para você.

Quais os sinais e sintomas do hipotireoidismo?

Os sinais e sintomas da doença variam de acordo com a severidade da disfunção hormonal. Mas em geral, os sintomas se desenvolvem lentamente ao longo de anos.

Os sinais e sintomas de hipotireoidismo incluem:

  • Fadiga

  • Sensibilidade aumentada ao frio

  • Constipação intestinal

  • Ganho de peso

  • Edema de face

  • Voz rouca

  • Fraqueza muscular

  • Elevação do colesterol

  • Dores musculares

  • Dores articulares

  • Menstruação irregulares

  • Queda de cabelos

  • Diminuição da frequência cardíaca

  • Depressão

  • Prejuízo da memória

Quando o hipotireoidismo não é tratado, pode gradualmente se tornar mais severo. O estímulo constante para que a glândula produza mais hormônios pode causar um aumento no seu volume (conhecido como bócio).

O hipotireoidismo avançado, conhecido como mixedema, é raro, mas quando ocorre deve ser tratado com urgência. Sinais e sintomas incluem queda de pressão arterial, dificuldade para respirar, queda da temperatura corporal, queda do nível de consciência e, eventualmente, coma.

Quando procurar um médico?

Procure seu médico se você se sentir cansado sem motivo aparente, ou se tiver algum outro sinal ou sintoma de hipotireoidismo.

Você também deve procurar o médico para avaliar a função da tireóide se já foi submetido à cirurgia de tireóide, tratamento prévio com iodo radioativo ou medicamentos anti-tireóide, radioterapia da cabeça, pescoço ou parte superior do tórax. No entanto, pode levar anos ou décadas para que alguma destas terapias resultem em hipotireoidismo.

Se você tiver colesterol elevado, pergunte ao seu médico se  problema na tireóide  pode ser a causa. E se você estiver recebendo tratamento para o hipotireoidismo, agende consultas de reavaliação conforme a orientação médica, para que a dose do hormônio seja corrigida e se mantenha adequada.

Quais as causas do hipotireoidismo?

Sua tireóide é uma pequena glândula em forma de borboleta situada na parte da frente do pescoço, imediatamente baixo do pombo de Adão. Os hormônios produzidos pela tiroide – triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) – possuem enorme impacto na sua saúde, afetando todos os aspectos do metabolismo. Eles são responsáveis pelo metabolismo de carboidratos e gorduras, ajudam a controlar a temperatura corporal, influenciam nos batimentos do coração e controle da pressão arterial entre outras funções.

O hipotireoidismo pode ser causado por vários fatores, incluindo:

  • Doença autoimune. A causa mais comum de hipotireoidismo é uma doença inflamatória da tiroide conhecida como Tireoidite de Hashimoto. Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico produz anticorpos que atacam seu próprio corpo. Às vezes este processo envolve a tireóide, afetando a sua habilidade em produzir hormônio.

  • Tratamento para hipertiroidismo. O tratamento para o excesso de hormônios da tireóide (uma doença conhecida como hipertiroidismo), reduz a produção dos hormônios da tireóide. Em alguns casos pode resultar em deficiência de produção de  hormônio tireoidiano permanente.

  • Cirurgia de tireóide. A remoção da glândula é uma causa de hipotireoidismo. Você deverá realizar a reposição do hormônio da tireóide por toda a vida.

  • Radiação. Radioterapia usada para câncer da cabeça e pescoço pode causar hipotireoidismo, mesmo após muitos anos de sua aplicação.

  • Medicamentos. Vários medicamentos podem contribuir para o aparecimento do hipotireoidismo. Os mais comuns são o lítio e a amiodarona.

Menos frequentemente, o hipotireoidismo pode resultar das seguintes doenças:

  • Doenças congênitas. Algumas crianças podem nascer com hipotireoidismo. A doença é verificada no teste do pezinho.

  • Doença da hipófise. É uma causa rara que ocorre pela deficiência do hormônio estimulador da tiroide (TSH)

  • Gravidez. Algumas mulheres desenvolvem a doença durante ou após a gravidez. Se não tratado, aumenta o risco de parto prematuro, aborto e préeclâmpsia.

  • Deficiência de iodo. O iodo encontrado nos frutos do mar e no sal iodado é essencial para a produção dos hormônios da tireóide. No Brasil, o iodo ingerido através do sal iodado (sal de cozinha) é suficiente para a produção adequada dos hormônios.

Quem tem risco aumento para desenvolver o hipotireoidismo?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver hipotireoidismo, você terá risco aumentado se:

  • For uma mulher com mais de 60 anos

  • Tiver alguma doença autoimune

  • Tiver história familiar de doenças da tireóide

  • Tiver sido tratada com iodo radioativo ou medicamentos anti-tiride

  • Tiver recebido radiação na cabeça, pescoço ou parte superior do tórax

  • Tiver sofrido cirurgia da tireóide

  • Tiver grávida ou tiver tido um bebê nos últimos 12 meses

Quais as complicações do hipotireoidismo não tratado?

O hipotireoidismo quando não tratado pode causar problemas de saúde:

  • Bócio. É como é chamado o aumento da glândula tiroide.

  • Problemas cardiovasculares. Causados pelo aumento do colesterol ruim (LDL).

  • Problemas de saúde mental. Depressão, alteração do raciocínio e memória podem ser consequências da doença.

  • Neuropatia periférica. Quando o hipotireoidismo permanece por longo tempo sem tratamento, isto pode afetar os nervos periféricos e causar sintomas como dor, formigamento e fraqueza muscular na área afetada.

  • Mixedema. É uma condição rara e tratável, que ocorre quando o hipotireoidismo fica muito tempo sem diagnóstico ou tratamento. Os sintomas incluem uma intolerância intensa ao frio e fraqueza, seguido por uma letargia profunda e perda da consciência. Trata-se de uma emergência de tratamento médico.

  • Infertilidade. Níveis baixos de hormônio tireoidiano pode interferir na ovulação, com prejuízo da fertilidade.

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Osteoporose e Nutrição: 05 dicas para a prevenção e o tratamento

Como qualquer tecido vivo, os ossos necessitam de nutrientes para que eles possam crescer e manter o crescimento. Esta é a razão porque a nutrição adequada é um componente chave para tanto o manejo quanto a prevenção da osteoporose. E existe uma dieta saudável para o osso? A resposta é sim. Aqui serão listados cinco passos para alimentar-se bem com o intuito de fortalecer os ossos.

1. Coma mais vegetais, frutas e grãos integrais

Estudos mostram que comer mais vegetais e frutas melhora a saúde óssea. Estes alimentos em geral tem menos calorias e gorduras, e são ricos em fibras, vitaminas essenciais e minerais. Também contém fitoquímicos, substâncias que podem proteger contra a osteoporose.

Procure comer quatro ou mais porções de vegetais e três de frutas por dia. Ambos são excelentes fontes de magnésio, potássio, e vitaminas C, K e A, os quais desempenham um papel na manutenção da saúde óssea.

Também coma quatro porções de grãos por dia, de preferência integral ( tem mais nutrientes, especialmente magnésio e fibras).

2. Escolha fontes saudáveis de proteína e gordura

Proteína é importante para a saúde óssea, porque é um componente principal do tecido ósseo e desempenha um importante papel na manutenção do osso. As melhores escolhas incluem as proteínas de plantas, como feijão e nozes, assim como o peixe, aves sem pele e cortes magros de carnes. Produtos lácteos com pouca gordura, como o leite e o iogurte natural, são outra boa fonte de proteína e também fornecem o cálcio, que beneficia a saúde do osso. Proteína deve compor entre 25 a 35% das calorias totais diárias.

As gorduras saturadas  são prejudiciais aos ossos. As melhores escolhas de gorduras são as monoinsaturadas, encontradas no azeite de oliva, oleaginosas e sementes.

3. Ingira o cálcio necessário

Cálcio é essencial pra saúde do osso. Este mineral é um bloco de construção chave do osso, e auxilia na prevenção da perda de massa óssea e fraturas osteoporóticas em idosos. Embora a ingesta diária recomendada para a maioria dos adultos varia entre 1000 a 1200 mg ou mais, a dieta habitualmente fornece muito menos.

Se você não está ingerindo cálcio suficiente, tente aumentar o consumo de alimentos que são ricos neste mineral. Leite e outros produtos lácteos são a fonte mais rica, mas o cálcio também é encontrado na couve, brócolis, queijo tofu e cereais.

Se você não consegue ingerir cálcio suficiente através da dieta, então você deve suplementar. Um suplemento com cálcio é frequentemente recomendado para mulheres pós-menopausadas, porque reduz a taxa de perda óssea. Deve sempre ser acompanhado de vitamina D, a qual garante a absorção apropriada do cálcio. O magnésio também auxilia o direcionamento do cálcio para o osso.

4.Limite o açúcar, sal e aditivos de fosfato

Alimentos que contém açúcares adicionados durante o processamento, geralmente fornecem muitas calorias, aditivos e conservantes, e poucas vitaminas, minerais e outros nutrientes. Por esta razão, alimentos processados e bebidas açucaradas devem ser evitados. Os refrigerantes são frequentemente o grande vilão.

Muito sal na dieta também pode ser prejudicial. Além do aumento na pressão arterial, pode aumentar a excreção de cálcio pela urina. Procure não ingerir mais do que 05 gramas de sal por dia.

O fósforo é usado como aditivo em alimentos processados. O excesso de fósforo pode interferir na absorção de cálcio pelo intestino.

 

5. Limite o consumo de álcool e cafeína

Consumir mais do que um ou duas doses de álcool por dia acelera a perda óssea e diminui a capacidade do organismo de absorver o cálcio.Se você escolher ingerir álcool, que o faça com moderação. Para adultos saudáveis, significa a ingesta de uma dose para mulheres e duas para os homens. Ingerir álcool nas refeições também  diminui a absorção de cálcio.

 Cafeína pode aumentar discretamente a excreção de cálcio na urina. O consumo moderado de cafeína – cerca de 02 a 03 xícaras de café por dia – não é tão prejudicial desde que sua dieta contenha ingestão de cálcio adequada.
Muitos não sabem, mas o endocrinologista é especialista no metabolismo ósseo. Se você tem ou deseja prevenir o aparecimento da osteoporose, procure um endocrinologista de sua confiança e obtenha todas as orientações necessárias.

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

A vida é feita de escolhas: como escolher o caminho da saúde

Você vai saber neste post como ingressar e manter-se no caminho da saúde. Abordaremos os principais hábitos que causam malefícios para a saúde, como eliminá-los de sua vida e, acima de tudo, como superar os deslizes.

Infelizmente nas mídias sociais vemos cada vez mais profissionais oportunistas, que se aproveitam do público leigo em medicina, para oferecer uma série de produtos de eficácia questionada, tais como filtros de água alcalina, coenzima Q10 e polivitamínicos, sem embasamento científico, e normalmente de custo elevado, com a finalidade de prevenir as doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, enfim, garantir uma melhor qualidade de vida. Agora respondam: a pessoa que fuma, é sedentária, tem excesso de peso, realmente vai se beneficiar de tais substâncias, ou apenas vai engordar os cofres do fornecedor?

De acordo com  0 livro bíblico do Apocalipse, os quatro cavaleiros do apocalipse irão anunciar o fim do mundo.  De acordo com dados de desfecho cardiovascular, cinco hábitos prejudiciais anunciam a chegada da doença cardíaca: tabagismo, sedentarismo, excesso de peso, má alimentação e ingerir álcool em excesso.

De maneira isolada ou em conjunto, eles desencadeiam a formação de placas de gorduras nas artérias e estimulam sua progressão.  Fazem isso por interferência no metabolismo e alterações no trabalho celular e dos tecidos. Também alteram os marcadores de saúde que nós nos preocupamos tanto: pressão arterial, colesterol, e glicose no sangue. Muito frequentemente, o desfecho destes cinco hábitos é um infarto, derrame cerebral, doença arterial periférica, aneurisma  da aorta, problema de válvula cardíaca, ou insuficiência cardíaca. E o dano causado não é limitado ao sistema cardiovascular, mas estendem-se aos rins, ossos, e cérebro.

O quanto manter hábitos ruins contribui para o apocalipse da saúde pessoal?

Muito. Em um estudo de 4900 homens e mulheres na Grã-Bretanha, os pesquisadores calcularam os danos causados aos indivíduos que tinham quatro hábitos não saudáveis – tabagismo, pouca ingesta de frutas e legumes, pouca atividade física, e ingestão de mais do que 21 drinques alcoólicos por semana em homens ou 14 para mulheres. Comparado aos participantes com hábitos saudáveis, aqueles que tinham apenas um dos hábitos maléficos tiveram um índice de mortalidade 85% maior durante os 20 anos do estudo, enquanto aqueles que tinham todos os quatro hábitos tiveram índice de 349% a mais de mortalidade, ou seja, taxa de mortalidade maior do que três vezes quando comparado ao grupo com hábitos benéficos.  Os pesquisadores também  concluíram que as pessoas com todos os quatro hábitos não saudáveis eram fisicamente 12 anos mais velhas que a idade cronológica deles.

O quanto manter hábitos saudáveis podem contribuir para nossa saúde?

Um grande estudo ( Estudo Nurses’ Health) mostrou que as pessoas com peso normal, que praticavam atividade física regularmente, que consumiam uma dieta equilibrada, e consumo moderado de álcool, tinham 83% a menos de propensão para sofrer um infarto ou morrer por doença cardíaca ao longo dos 14 anos do estudo. Mais do que 2/3 de todos os eventos cardiovasculares foram atribuídos ao cigarro, excesso de peso, dieta desbalanceada, e alcoolismo.

Cinco estratégias para o caminho da saúde

1. Evite o tabagismo

2. Seja ativo

Qualquer quantidade de exercício diário é melhor do que nada. Pelo menos 30 minutos por dia é o ideal.

3. Almeje um peso saudável

Se você está acima do peso normal, perder apenas 5 a 10% do seu peso inicial pode fazer uma enorme diferença na sua pressão arterial ou glicose no sangue.

4. Enriqueça sua dieta

Adicione frutas e vegetais, grãos integrais, gordura insaturada, proteína do bem ( do feijão, nozes,castanhas, peixes  e aves) e ervas e especiarias. Subtraia alimentos processados,sal,carboidratos de rápida absorção ( a partir do pão branco, arroz branco,batatas e similares), carne vermelha, refrigerantes e outras bebidas adoçadas.

5. Beba álcool com moderação

Limite a ingesta a 1 ou 2 drinques por dia para homens e 01 drinque para mulheres.

Como implementar a mudança de hábitos

1. Trace metas

Ter objetivos específicos, que podem ser alcançados com facilidade, é a chave para o sucesso. Objetivos que envolvam mudanças comportamentais ( ” Eu vou ingerir 03 porções de grãos integrais por dia”) tendem a produzir um resultado mais efetivo do que objetivos fisiológicos ( ” Eu vou baixar o meu colesterol”)

2. Registre o seu progresso

Com tudo que você tem que  lembrar todos os dias, é difícil saber se você está atingindo as suas metas diárias. Registrar o quanto você caminhou ao  longo do dia ( se você usar um pedômetro), ou o quanto emagreceu a cada semana dá um importante feedback sobre o seu progresso. Dados sobre dezenas de estudos mostram que o auto-monitoramento é um importante atributo para o sucesso nas mudanças.

3. Motivação

Mudar um hábito ou comportamento é melhor se você tem uma boa razão para fazer isto. Ouvir o seu médico dizer ” Você precisa parar de fumar” não é uma razão tão impactante para parar quanto um familiar ou amigo diagnosticado com câncer de pulmão. Motivação pode ser algo grande, como ficar em forma para entrar em um vestido com número menor para um casamento. Quanto mais pessoal for a motivação, mais eficaz será.

4. Busque suporte

Começar uma mudança não é tão desafiadora quanto ser fiel a ela.  Suporte da família, amigos, um médico, ou alguém mais  — até mesmo de uma comunidade online— pode prover feedback e encorajamento, especialmente quando você está se sentindo pra baixo.

5. Recompense a si mesmo

Mudança de hábitos é um trabalho árduo. Portanto, dê a você mesmo premiações ao longo do caminho. Estas podem ser pequenas coisas, como um novo CD ou um vaso de flores, ou algo maior, como uma viagem especial. O prazer que você adquire a partir  das recompensas, serve como estímulo a reforçar as mudanças positivas que você está fazendo.

6. Volte aos trilhos

Frequentemente os planos mais elaborados para cessar o tabagismo ou iniciar uma atividade física são sabotados. Isto é esperado – ninguém é perfeito, e a vida pode, num determinado momento, ir em uma direção contrária aos planos mais meticulosos. Ao invés de desanimar, e jogar tudo para o espaço, foque na motivação e objetivos que você traçou e use-os para continuar seguindo em frente. É nesse momento de recaídas que o suporte é o  mais importante.

. A equipe do Vitalité está à disposição para lhe dar todo o suporte necessário para que os resultados sejam alcançados, e você tenha uma melhora na qualidade de vida.Deixo uma mensagem final para aqueles que estão motivados a iniciar a mudança:

”  Você não precisa almejar por uma completa transformação de uma vez só. Pequenas mudanças na dieta, exercício, ou peso corporal podem fazer uma grande diferença na sua saúde. Estabelecer metas que você possa realisticamente atingir, e então ir ao encontro delas, podem projetar incrementos maiores no futuro.”

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Por que a meia-idade pode ser uma ameaça?

Meia-idade pode ser definida como período compreendido entre a maturidade e a velhice, geralmente percebido entre os quarenta e cinquenta e cinco anos de idade.

Aqueles quilos extras adquiridos  no período da meia-idade podem representar aumento da gordura abdominal e o consequente aumento no risco de doenças cardíacas.

É raro uma mulher de 50 anos ter a mesma medida da cintura que tinha na adolescência. Em 2014, um estudo mostrou que um grupo de mulheres acompanhadas por 5 anos mantiveram o índice de massa corporal estável, mas aumentaram a circunferência abdominal lentamente, passando  de 91,9 cm para 93 cm. Os pesquisadores ainda tentam entender este fenômeno, mas já se sabe que o aumento da circunferência abdominal aumenta o risco de doença cardíaca, diabetes e osteoporose.

A circunferência abdominal representa o acúmulo de gordura subcutânea, de gordura visceral (localizada dentro dos órgãos ou entre eles) ou ambos. A gordura visceral é a mais nociva ao organismo.

A gordura subcutânea é tipicamente encontrada nos quadris e nas coxas, funciona com estoque e é liberada quando o organismo necessita de energia.

Em contraste, a gordura visceral – que se acumula no fígado, pâncreas e órgãos digestivos – é muito ativa. É quebrada rapidamente liberando ácidos graxos, hormônios e fatores inflamatórios que agem em todo corpo.

Zona de risco na meia-idade

Estudos têm demonstrado que para mulheres com o mesmo índice de massa corpórea, mas com medidas de cintura diferente, o risco de doenças é maior quanto maior a circunferência abdominal. O risco começa aumentar quando a medida atinge 80 cm.

No homem, o alerta começa com a medida de 94 cm.

Medidas para reduzir a gordura do abdome

1) Suspender a ingesta de carboidratos simples

Comer carboidratos simples – arroz, pão branco, batata e doces – faz o seu corpo secretar mais insulina, o hormônio que regula o açúcar. A insulina sinaliza para o corpo armazenar mais gordura.

2) Exercícios

A combinação de exercícios aeróbicos com exercícios de força traz mais benefícios. Combine aeróbicos de moderada intensidade, pelo menos 150 minutos por semana, com exercícios de força  ao menos duas vezes por semana.

3) Medicamentos

O uso de liraglutida pode estar indicado nos pacientes com aumento da circunferência abdominal, naqueles  com risco aumentado para diabetes ou com alteração da glicose instalada. A liraglutida auxilia na perda de peso, reduzindo a circunferência abdominal,melhorando a produção e a sensibilidade à insulina.

Consulte  o endocrinologista para uma avaliação clinica pormenorizada e o tratamento mais indicado ao seu caso.

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Aplicativo Glic facilita a vida dos diabéticos

O objetivo deste post é divulgar a todos os pacientes diabéticos um aplicativo brasileiro, totalmente gratuito, desenvolvido por uma equipe da USP e voltado para todos os tipos de diabetes.

O aplicativo Glic pode ser baixado tanto na app store quanto na google play.

Quais as vantagens em utilizar o aplicativo Glic:

Quem tem diabetes

  • Registros/Diários de glicemia, medicamentos e alimentação;
  • Conexão em tempo real com a equipe médica;
  • Tabela nutricional com mais de 1.500 alimentos para contagem de carboidratos;
  • Cálculo de dose de insulina (considerando ingestão de gordura);
  • Relatórios e Gráficos do tratamento;
  • Suporte da Equipe Glic.

Médicos

  • Acessar em tempo real (e à distância) o prontuário eletrônico dos pacientes;
  • Otimizar o tempo da consulta médica, dados compartilhados pela internet (nuvem);
  • Dados para decisões mais esclarecidas;
  • Alertar pacientes sobre medicamentos na hora e dose prescrita;
  • Paciente mais engajado e feliz com o tratamento do diabetes.

Nutricionistas

  • Acompanhar em tempo real a alimentação e glicemias do seu paciente;
  • Otimizar o tempo da consulta;
  • Facilitar a adesão do paciente à terapia com contagem de carboidratos;
  • Ter o registro da alimentação do seu paciente para as consultas de rotina;
  • Dados para auxiliar e as decisões do tratamento.

Este aplicativo certamente irá facilitar  a interação da equipe multidisciplinar com o paciente, contribuindo para o alcance das metas do controle glicêmico e hemoglobina glicada.

A equipe do Vitalité está à disposição para lhe ajudar em eventuais dúvidas no manuseio  do aplicativo. O site do aplicativo é gliconline.net.

 

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Cansado de estar cansado? Não aceite a fadiga como parte do envelhecimento

Cansaço, fraqueza, perda de energia. Existem várias maneiras de descrever aquelas vezes que você está tão exausto que não consegue fazer nada. Quase sempre você se recupera com uma boa noite de sono, mas se você estiver realmente com fadiga, isto pode ser um sinal de algum problema de base.

Qualquer um pode se sentir cansado algumas vezes e a energia do indivíduo pode diminuir com a idade, mas você não deve se sentir tão cansado a ponto de não ter um estilo de vida ativo.

A fadiga pode se manifestar de várias maneiras: reduzindo energia para praticar exercícios, diminuindo a concentração, a memória e o estado de alerta, causando mais irritabilidade e isolamento.

 10 causas principais de fadiga

1) Hipotireoidismo

Causa comum de cansaço e astenia. Costuma estar associados a outros sinais e sintomas, como pele seca, constipação intestinal, intolerância ao frio, dores nas articulações, elevação dos níveis de colesterol sanguíneo, perda de cabelo e retenção de líquidos..

2) Insuficiência Cardíaca

Causa cansaço inicialmente aos esforços, e progredindo para atividades banais, como pentear o cabelo e escovar os dentes. Causa retenção de líquidos, podendo provocar inchaço nas pernas e falta de ar, principalmente quando o paciente se deita.

3) Anemia

Causa frequente de cansaço. Em grau avançado, cursa com palidez da pele e aceleramento dos batimentos cardíacos em repouso.

4) Insuficiência Renal Crônica

Pode causar cansaço por vários motivos. Os mais importantes são anemia, acúmulo de toxinas no organismo, acidez do sangue e desnutrição.

5) Diabetes Mellitus

O diabetes não tratado cursa habitualmente com cansaço, perda de peso, excesso de urina e sede permanente.

Para saber mais sobre Diabetes Mellitus clique em ” Diabetes Mellitus tipo 2: Como eu trato

6) Doenças Pulmonares

As doenças dos pulmões, principalmente a bronquite crônica, o enfisema e a asma, são causas comuns de cansaço.

7) Síndrome da Fadiga Crônica

A fadiga crônica é uma síndrome ainda pouco conhecida que costuma causar cansaço crônico sem causa aparente.

O paciente com síndrome da fadiga crônica não apresenta nenhuma alteração ao exame físico nem aos exames complementares. Ele queixa-se de dores, mas nenhuma lesão é encontrada, queixa-se de febre, mas o termômetro nunca a mostra, refere fraqueza muscular, mas os exames dos músculos são todos normais.

Depressão, fibromialgia e infecções virais, como a mononucleose infecciosa, costumam ser gatilhos para o início desta síndrome.

8) Medicamentos

O uso prolongado de medicamentos pode ser a causa de um cansaço crônico. Relaxantes musculares, antidepressivos, anti-histamínicos, beta-bloqueadores e analgésicos opióides são causas comuns. Excesso de cafeína também pode levar ao cansaço, assim como o consumo excessivo de álcool.

9)Distúrbios do Sono

Qualquer distúrbio do sono que atrapalhe uma boa noite de sono pode ser o motivo de um cansaço crônico. Neste caso, o cansaço vem acompanhado de sonolência durante o dia. A apneia obstrutiva do sono é uma causa comum de cansaço e sonolência, principalmente em pessoas obesas.

10) Depressão

A depressão, também chamada de transtorno depressivo maior, é uma doença psiquiátrica crônica, muito comum e caracterizada por uma alteração do humor do paciente, que deixa-o triste além do normal, desanimado, sem energia, com baixa autoestima e com dificuldade de lidar com sua vida pessoal e profissional.

Sinais de alerta para o diagnóstico de fadiga:

  • Acordar exausto mesmo após uma boa noite de sono
  • Falta de motivação durante o dia
  • Inabilidade para atividades prazerosas
  • Crises súbitas de exaustão
  • Encurtamento da respiração

Como melhorar o nível de energia:

1) Tomar um copo de café ou chá – um pouco de cafeína pode melhorar o dia, mas você não precisa mais do que isso para elevar a energia mental, principalmente pela manhã.

2) Caminhar por 30 minutos ao dia contínuos ou dividido em dois períodos de 15 minutos.

3) Tirar um cochilo de 20 minutos principalmente no meio do dia para evitar o cansaço posterior.

4) Interromper o uso do álcool por algumas semanas.

O endocrinologista poderá lhe ajudar a identificar a causa e os possíveis tratamentos, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP