Hormônios da “fonte da juventude” parte 2 – GH

Você já deve ter lido na Internet ou em revistas dizendo que certos hormônios podem ajudá-lo a manter-se jovem. Mas estes apelos sobre hormônios anti-envelhecimento são verdadeiros? Em um post anterior escrevemos sobre o DHEA. Agora vamos escrever sobre os mitos e verdades sobre o Hormônio do Crescimento (GH). O GH reverte o envelhecimento? Melhora a performance atlética? Aumenta a força e massa muscular? Diminui o peso corporal?

1) O que é o Hormônio do Crescimento Humano (GH)?

O GH humano é uma substância produzida no seu corpo que controla o  crescimento e metabolismo. É produzido pela glândula hipófise, uma pequena glândula na base do seu cérebro.  Uma outra forma, o GH humano sintético, é comercializado na forma idêntica ao GH humano e é utilizado na medicina para crianças e adultos que necessitam utilizá-lo em razão de deficiência deste hormônio.

2) O que faz o GH no organismo?

O GH tem importantes funções. Em crianças, auxilia no crescimento estatural, aumento na massa muscular e comprimento dos ossos, e diminuição da gordura corporal.

Em adultos, estimula o metabolismo, tendo efeitos benéficos na massa muscular, bem como atuando no metabolismo da glicose e dos lipídeos.

3) De que forma o GH é utilizado de maneira ilegal?

O GH é muitas vezes utilizado em desacordo com as resoluções do Conselho Federal de Medicina e com as normas da ANVISA. As pessoas utilizam com a finalidade de tentar reverter os efeitos do envelhecimento ou melhorar a performance atlética. Atletas algumas vezes o utilizam conjuntamente com esteróides anabolizantes para hipertrofia e aumento de força muscular, bem como diminuir a gordura corporal.

4) Quais são os riscos do uso não recomendado do GH?

Você pode ter uma série de efeitos colaterais se  utilizá-lo sem apresentar deficiência. Efeitos colaterais a curto prazo incluem dores musculares e articulares, formigamentos, e inchaço de mãos e pés. Utilizando altas doses  a longo prazo ( mais do que alguns meses), pode causar diabetes, aumento da pressão arterial, ou doença cardíaca.

Existem dosagens e testes laboratoriais para identificar se você apresenta deficiência de GH. A reposição de GH para pacientes com deficiência comprovada traz benefícios, promovendo melhoras na saúde física e  mental.

Fonte: Endocrine Society – Hormone Health Network

 

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Hormônios da “fonte da juventude” parte 1 – DHEA

Você já deve ter lido sobre matérias na Internet ou em revistas afirmando que certos hormônios podem ajudá-lo a manter-se jovem. Mas estas informações sobre hormônios antienvelhecimento são verdadeiras? Neste post vou lhe ajudar a separar o que é mito e o que é verdadeiro sobre o DHEA. Em outro post abordarei o Hormônio do Crescimento (GH).

Supostos benefícios do DHEA

É divulgado na mídia que a reposição de DHEA proporcionaria os seguintes benefícios: retardo no envelhecimento, aumento na força muscular, melhora da imunidade e diminuição do peso corporal.

Não há comprovação científica a respeito destas ações.  Evidências mais robustas são necessárias.

O que é DHEA?

DHEA (dehidroepiandrosterona) é um hormônio feito a partir do colesterol pelas glândulas adrenais, localizadas logo acima dos rins.

O que faz o DHEA?

Seu corpo transforma DHEA em dois importantes hormônios sexuais: testosterona e estrogênio. Testosterona é a responsável pelo surgimento da puberdade nos meninos, promovendo crescimento de pêlos na face e região pubiana, aumento do pênis e testículos, e engrossamento da voz. Em homens adultos, a testosterona está relacionada com o apetite sexual, com a massa muscular e óssea, e produção de esperma. Estrogênio em mulheres está relacionada ao desenvolvimento mamário, liberação de óvulo pelo ovário, períodos menstruais e gravidez. Homens tem uma pequena quantidade de estrogênio, assim como mulheres tem uma pequena quantidade de testosterona.

DHEA tem utilidade no tratamento de doenças?

Alguns pesquisadores tem sugerido que DHEA pode ser usada para tratar insuficiência da Adrenal (doença de Addison), depressão,lupus, obesidade, doença de Alzheimer, osteoporose, doença de Crohn, infertilidade, e problemas ligados a menopausa.

DHEA não é ainda aprovado pelo FDA, nem pela ANVISA como tratamento para estes problemas de saúde. Mais pesquisa é necessária neste campo para estudar os benefícios potenciais e os possíveis riscos a longo prazo da suplementação de DHEA.

Uso inapropriado do DHEA

Algumas pessoas utilizam DHEA, com a esperança que irá aumentar a resistência e força muscular, aumentar a energia, diminuir a gordura corporal, reforçar a imunidade. Porém estes efeitos não estão provados.

Quais são os riscos de ingerir DHEA sem recomendação médica?

Em mulheres, DHEA pode causar alterações relacionadas ao aumento na testosterona: irregularidade menstrual, aumento de pêlos na face, aumento da sudorese, diminuição do tamanho das mamas, e engrossamento na voz.

Em homens, pode causar alterações relacionadas a um aumento no estrogênio e/ou queda na testosterona: ginecomastia( aparecimento de mamas), diminuição no tamanho dos testículos, espinhas, e queda de cabelos.

Alguns efeitos desaparecem com a interrupção do DHEA, porém outros podem ser permanentes.

Não é recomendado utililizar DHEA para melhorar a qualidade de vida. Ao invés disto, o ideal é investir em estratégias para que os pacientes realizem atividades físicas semanais de maneira periódica e suficente, tenham um sono adequado, e uma dieta balanceada.

Se você está preocupado com sua saúde, fale com o seu médico de confiança sobre o que é melhor para você.

Fonte: Endocrine Society – Hormone Health Network

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Fadiga Adrenal: mito ou verdade

Você está se sentindo desanimado e estressado? Lutando para  conseguir manter as atividades diárias da vida e suas demandas? Está tendo problemas com o sono? Você  deve ter lido sobre “fadiga adrenal” como uma razão para seus sintomas. Embora alguns websites de medicina alternativa  afirmem que fadiga adrenal é um diagnóstico real, isto não está comprovado pela ciência médica.

Visão geral

• ” Fadiga adrenal” não é uma condição médica real. Não há evidências científicas para suportar a teoria que o estresse mental, emocional, ou físico prolongados esgote as glândulas adrenais e cause uma série de sintomas comuns.

• A insuficiência adrenal é uma doença real e diagnosticada através de testes sanguíneos.

• Não há exame que possa detectar fadiga adrenal.

• Hormônios e vitaminas prescritos para ” tratar” fadiga adrenal podem não ser seguros. Tomá-los sem necessidade, podem fazer suas glândulas adrenais pararem de funcionar e inclusive colocar sua vida em risco.

O que é ” fadiga adrenal”?

O termo fadiga adrenal tem sido usado para explicar um grupo de sintomas que são ditos ocorrerem em pessoas que estão sob estresse físico, emocional ou mental prolongados. Os profissionais que endossam esse diagnóstico dizem que você estará mais susceptível a essa condição se você tem um trabalho estressante; se realiza trabalho noturno; se é um estudante que também trabalha; se é pai ou mãe solteira; ou se é viciado em álcool ou drogas.

Os sintomas atribuídos à fadiga adrenal incluem cansaço, dificuldade em adormecer à noite ou em acordar pela manhã, compulsão por sal ou açúcar, e necessidade em fazer uso de estimulantes como cafeína para suportar  as atividades durante o dia. Estes sintomas são comuns e  inespecíficos, ou seja, podem ser encontrados em inúmeras doenças. Eles inclusive podem ocorrer como parte de uma vida normal e muito atarefada.

Nenhuma prova científica existe para aceitar fadiga adrenal como uma condição médica verdadeira. Uma vez é dito a você que possui esta condição, a causa real de seus sintomas pode não ser investigada e tratada corretamente.

Qual é a teoria por trás da fadiga adrenal?

Defensores do diagnóstico de fadiga adrenal acreditam que o problema inicia quando diferentes estresses da vida ultrapassam a capacidade do organismo em lidar com essa situação. Nossas glândulas adrenais – pequenos órgãos localizados acima dos rins – geralmente lidam com o estresse produzindo hormônios como cortisol. De acordo com a teoria de fadiga adrenal, quando as pessoas são submetidas a períodos prolongados de estresse, suas glândulas adrenais não conseguem manter a produção ideal desses hormônios para atender as necessidades do organismo. Quando isto ocorre, sintomas de ” fadiga adrenal” pode aparecer.

Qual é a diferença entre fadiga adrenal e insuficiência adrenal?

Enquanto o diagnóstico de fadiga adrenal não é aceito pela maioria dos médicos, a insuficiência adrenal é uma condição médica real que ocorre quando nossas glândulas adrenais não são capazes de produzir hormônios de maneira suficiente. Insuficiência adrenal é causada por lesão das glândulas adrenais ou um problema na hipófise  – uma pequena glândula no cérebro que sinaliza para as adrenais produzirem cortisol.

Uma pessoa com insuficiência adrenal pode ficar desidratada, confusa, e perder muito peso. Pode sentir fraqueza, cansaço, ou tontura, e queda de pressão arterial. Outros sintomas incluem dor no estômago, enjôo, vômitos e diarreia.

Insuficiência adrenal é diagnosticada pelo exame de sangue, e pode ser tratada com medicamentos que repõem os hormônios que as adrenais normalmente produzem.

Como é ” diagnosticado” fadiga adrenal?

Não há teste que possa detectar fadiga adrenal. Muitas vezes, é dito para o paciente que ele possui fadiga adrenal com base apenas nos sintomas. Algumas vezes, um teste sanguíneo ou salivar pode ser solicitado, mas testes para fadiga adrenal não são baseados em evidências científicas ou suportadas por estudos científicos de qualidade, portanto os resultados e análises dos testes podem não estar corretos.

Os tratamentos para fadiga adrenal são benéficos ou prejudiciais?

Os médicos que defendem o diagnóstico  de fadiga adrenal podem orientá-lo a melhorar seu estilo de vida, no sentido de cessar o tabagismo, álcool, e drogas. Iniciar  um programa de exercícios, alimentando-se de maneira saudável, e seguindo uma rotina diária de sono e despertar, irá quase sempre fazê-lo se sentir bem, não importa qual o diagnóstico.

Você pode ser orientado a adquirir suplementos especiais ou vitaminas, normalmente manipulados. Estes suplementos podem eventualmente prejudicar ainda mais a sua saúde, se houver equívoco na dose de algum ingrediente manipulado.

Se é prescrito cortisol para você, quando você não precisa dele, suas adrenais podem parar de funcionar e ficarem incapazes de produzir o cortisol de maneira suficiente quando você for submetido a um estresse físico. Quando você parar de ingerir o cortisol, após uso prolongado,  as adrenais podem ficar “adormecidas” por meses. Pessoas nesta situação correm o sério risco de desenvolver uma condição ameaçadora da vida chamada crise adrenal.

O que você deveria fazer ao receber o diagnóstico de fadiga adrenal?

Pedimos que você não gaste seu precioso tempo aceitando um diagnóstico duvidoso de ” fadiga adrenal” se você está com sintomas de cansaço, sentindo-se fraco ou deprimido. Neste caso, você pode ter um diagnóstico de  insuficiência adrenal, depressão, apnéia obstrutiva do sono, ou outros problemas clínicos. Receber o diagnóstico correto é muito importante para ajudá-lo a se sentir bem e resolver seu problema de saúde.

O endocrinologista é o profissional especialista e mais capacitado para realizar ou excluir  um diagnóstico de deficiência hormonal. Também está capacitado para investigar todas as hipóteses diagnósticas, no caso de a pessoa apresentar os sintomas supracitados.

Fonte: Hormone Health Network. Endocrine Society.

 

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Dieta com pouca gordura não é a mais efetiva

Dieta com pouca gordura não é mais efetiva que outras dietas para auxiliar na perda de peso a longo prazo. Por décadas até os dias atuais, tem-se falado que para perder ou manter o peso , tem que parar de comer gordura. E como está a situação hoje em dia? Vivemos uma epidemia de pessoas com sobrepeso e obesidade.

Ano passado foi publicada na conceituada revista Lancet uma metanálise, que analisou 53 artigos científicos, envolvendo 68 mil pacientes que realizaram dietas para emagrecimento.

Dezoito trabalhos compararam dietas low-carb ( pobre em carboidratos) com dietas com pouca gordura, e neste comparativo, dieta low-carb ocasionou uma  perda de peso mais significativa a longo prazo.

A questão central para o sucesso de uma dieta é colocar claramente para o paciente as escolhas alimentares que são saudáveis e aquelas que ele deve evitar. Quando é colocado para o paciente que ele deve ingerir pouca gordura, é natural que aja uma compensação aumentando o consumo de carboidratos ou açúcares. Aumentando a carga de carboidratos, o pâncreas será mais exigido, liberando mais insulina. A insulina é sabidamente um hormônio que forma gordura.

Os alimentos industrializados, tais como  biscoitos, doces e  salgadinhos, são ricos em carboidratos e gorduras. O hábito de consumir estas substâncias, tão presente nas nossas crianças, está contribuindo para o crescimento da obesidade infantil. E uma criança gordinha terá muito mais dificuldade de perder gordura na vida adulta.

Uma alimentação saudável deve ser composta de frutas, carboidratos com baixo indice glicêmico ( elevam menos a glicose no sangue), os quais em geral são os carboidratos ricos em fibras, verduras e legumes.

Para aqueles que precisam emagrecer, a dieta com controle na ingesta dos carboidratos, optando por uma ingestão variada de alimentos em suas versões low-carb, tais como pães, tortas, lasanhas e  pizzas, é uma maneira efetiva de tratamento. Uma das grandes vantagens desta dieta é que o indivíduo não precisa sentir fome, pois não há controle na quantidade a ser ingerida.

As nutricionistas do vitalité centro médico tem experiência com este tratamento, e podem lhe ajudar a escolher uma opção variada de cardápios, de acordo com a sua preferência, de modo a facilitar a sua aderência a esta dieta.

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Diabetes é uma doença invisível

Hoje, 14 de novembro, é o dia mundial do diabetes. O lema deste ano é :”Diabetes é uma doença invisível”.

Diabetes is um grande e problema crescente: 415 milhões de adultos vivem com diabetes em 2015 e este número é esperado aumentar para em torno de   642 milhões  ou um a cada dez adultos em 2040.

Um a cada dois adultos com diabetes não tem a sua doença diagnosticada. Muitas pessoas vivem com diabetes tipo 2 por um longo período sem tomar conhecimento das suas reais condições.Na hora do diagnóstico, as complicações do diabetes podem já estar presentes.

Até 70% dos casos de diabetes tipo 2 podem ser prevenidos ou retardados ao adotar-se estilos de vida mais saudáveis.

Com os níveis crescentes de má nutrição e  inatividade física entre as crianças em diversos países, diabetes mellitus tipo 2 em jovens tem o potencial para se tornar um problema de saúde pública mundial , levando a desfechos muito sérios na saúde da população.

Em diversos países é a primeira causa em cegueira, doença cardiovascular , insuficiência renal e amputação de membros inferiores.

Minha mensagem nesta data é para que aqueles que não costumam ir ao médico para realizar um checkup preventivo, que o façam neste momento, para que, na eventualidade de detectar alguma anormalidade,  possam tratar a condição antes de esta trazer consequências drásticas e irreversíveis. Para aqueles que já possuem o diagnóstico de diabetes, recomendo que encarem a doença com seriedade, adotando hábitos saudáveis de vida, não fumem, façam exercícios físicos regularmente, tenham uma alimentação saudável, evitando produtos industrializados, preferindo os carboidratos mais saudáveis, ricos em fibras, e também as gorduras mono e polinsaturadas. O uso de medicamentos para o controle da doença também auxilia a prevenir o aparecimento das complicações do diabetes, e deve ser usado por toda a vida, pois o diabetes é uma doença crônica, ainda sem cura, mas potencialmente controlável.

Fonte:

IDF – International Diabetes Federation – www.idf.org.br

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Açúcar é o novo cigarro

Temos visto até os dias de hoje campanhas promovidas pelas sociedades médicas para que a população tenha uma dieta pobre em gorduras e com predomínio de carboidratos. Estas medidas não impediram o aumento da prevalência na obesidade e as doenças correlacionadas, especialmente diabetes e hipertensão.

Recentemente foi publicado na mídia que as sociedades de diabetes e cardiologia nos Estados Unidos  foram patrocinadas por indústrias do refrigerante, mais precisamente Coca-Cola e Pepsi. O New York Times publicou ano passado que a Coca-Cola financiou um estudo com o objetivo de subestimar o malefício no consumo de refrigerante na obesidade e focar no sedentarismo.

Uma lata de Coca-Cola tem nove colheres de chá de açúcar. A quantidade diária não deveria ultrapassar três colheres de sopa.

O açúcar está presente  em inúmeros alimentos, tais como catchup, sucos, pães, chocolates e doces. A redução no seu consumo poderá contribuir drasticamente para controlar a epidemia de obesidade. Mas é preciso que as sociedades médicas reconheçam o açúcar como o grande vilão.

Assim como ocorreu com o cigarro, campanhas contra o consumo de refrigerantes na mídia, banir o patrocínio de marcas de refrigerantes em eventos esportivos, assim como qualquer associação com o esporte são medidas urgentes e necessárias.

Uma criança obesa terá muito mais dificuldade de lidar com o peso na vida adulta. Na infância as células gordurosas adquiriras e multiplicadas não são eliminadas na vida adulta. O aparecimento do diabetes mellitus tipo 2, como consequência, tem ocorrido numa frequência maior em adultos jovens, em relação ao passado.

E por que  o açúcar é o inimigo número um no combate à obesidade? Porque o açúcar é quem faz liberar insulina, e a insulina é quem armazena a gordura. Sem ingerir o açúcar, ou reduzindo a ingesta de carboidratos, a gordura do alimento não é armazenada no organismo.

Portanto, o foco de uma alimentação saudável e prevenção e tratamento de doenças deve ser buscar um regime alimentar com controle dos carboidratos, consumo de proteínas e gorduras,especialmente mono e polinsaturadas.

 

 

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Apnéia do sono e obesidade: qual a ligação

A apnéia do sono frequentemente não é diagnosticada na prática clínica. Muitas pessoas procuram o endocrinologista para investigar queixas de cansaço e sonolência diurna, pensando em se tratar de um problema na tireóide. Mas frequentemente a função desta glândula está normal. Então, muitos recorrem, sem sucesso, ao uso de suplementos vitamínicos, visando aumentar a disposição.

Uma hipótese diagnóstica que sempre tem que ser pensada é uma alteração na qualidade do sono, mais especificamente a apnéia  do sono. A apnéia provoca micro despertares durante o sono imperceptíveis na maioria das vezes pelo paciente. Manifesta-se por roncos, sono agitado, pesadelos, o indivíduo acorda sem disposição e pode apresentar sonolência durante o dia, podendo comprometer inclusive a habilidade de dirigir, além de alterações na capacidade de concentração e memória.

É normalmente causada por um aumento na quantidade de gordura nos órgãos internos, também chamada de gordura visceral. O paciente geralmente apresenta um aumento na circunferência abdominal. A gordura infiltra a região da traquéia, e acaba diminuindo o seu calibre durante o sono, período no qual ocorre o relaxamento da sua musculatura lisa. Reduzindo o calibre, provoca  o ronco, a dificuldade respiratória, a retenção de gás carbônico, e as pausas respiratórias, levando aos micro despertares.

A apnéia do sono está frequentemente associada a outros problemas clínicos, tais como hipertensão arterial, sindrome metabólica e diabetes mellitus tipo 2. Em razão disto, ela acarreta um aumento no risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Diante da suspeita de apnéia do sono, o exame de polissonografia deve ser solicitado. Ele permite além de fazer o diagnóstico, classificar a apnéia em leve, moderada ou grave.

O tratamento da apnéia do sono é crucial para reduzir a mortalidade cardiovascular. Medidas não farmacológicas estão indicadas, tais como dieta para perder peso e atividade física regular. Medicamentos para auxiliar na perda do peso também podem ajudar. Um aparelho chamado CPAP, para ser utilizado durante o sono, melhorando o padrão de ventilação do paciente, pode estar indicado, de acordo com o grau de apnéia.

Portanto, se você está com excesso de peso, apresenta roncos, tem um sono agitado, sente-se  muito cansado e sonolento durante o dia, procure um médico e realize o exame de polissonografia. A sua qualidade de vida pode melhorar bastante com o tratamento efetivo deste distúrbio.

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Dieta do mediterrâneo : os 10 mandamentos

A dieta do mediterrâneo é uma recomendação nutricional moderna inspirada originalmente nos padrões de dieta da Grécia, do Sul de Itália, da Espanha e Portugal.

É considerada a dieta mais saudável do mundo.Os principais aspectos desta dieta consiste no consumo elevado e em proporção de azeite, legumes, cereais não refinados, frutas e vegetais, o consumo moderado a elevado de peixe, consumo moderado de lacticínios (queijo e iogurte na sua maior parte), consumo moderado de vinho, e baixo consumo de carnes e seus derivados.O azeite contém uma elevada quantidade de gorduras monoinsaturadas, mais notavelmente o ácido oleico, que estudos epidemiológicos sugerem estar ligado à redução de risco de acidentes vasculares cerebrais e de doenças arteriais coronárias. Também há provas que os antioxidantes existentes no azeite melhoram a regulação do colesterol e a redução do colesterol LDL, assim como outros efeitos anti-inflamatórios e anti-hipertensivos.

Os 10 mandamentos para quem deseja seguir a dieta do mediterrâneo:

1. Utilizar o azeite de oliva como a principal gordura.

 É o azeite mais utilizado na cozinha mediterrânea. É um alimento rico em vitamina E, beta-carotenos e fonte de gordura monoinsaturada, que lhe confere propriedade protetora para o coração.

2. Priorizar os produtos sazonais e frescos.

Valorizam-se os produtos colhidos sazonalmente, como a fruta e legumes da época ou o tipo de peixe que aparece mais nas águas territoriais e nos rios em determinada altura do ano. Produtos mais frescos e pouco processados industrialmente concentram mais nutrientes e são mais econômicos.

3. Tomar bastante líquidos. 

Aporte de 1,5 a 2 litros por dia, através de água, chá sem açúcar, sopas, caldos, ensopados, com baixo teor de sal e gordura, e que ajudam na sensação de saciedade, e garantindo o aporte de vitaminas e nutrientes.

4. Consumir frutos secos (oleaginosas), sementes, azeitonas.

As sementes de sésamo e de linhaça polvilham saladas; nozes, amêndoas, avelãs são usadas como lanches saudáveis . Ricos em nutrientes importantes como o Omega 3, úteis na prevenção de doenças cardiovasculares, ainda fornecem proteína vegetal, vitaminas, minerais e fibra.

5. Preferir proteínas saudáveis. 

O peixe, rico em ômega 3, o qual é benéfico para o coração, é a principal fonte de proteína desta dieta. As carnes brancas também tem preferência em relação à carne vermelha. As leguminosas, como o grão, feijão e a lentilha, também tem destaque, sendo fonte saudável de proteína vegetal e vitaminas

6. Consumir vinho tinto com moderação.

Fonte de polifenóis, é benéfico para a saúde. Recomenda-se o consumo de uma taça por dia para as mulheres e até duas taças para os homens.

7. Utilizar temperos saudáveis: ervas aromáticas, especiarias, alho, cebola

Permitem adicionar gostinho extra aos alimentos, além de poupar o uso do sal, desta forma contribuindo para o controle da pressão arterial.

8. Consumir cereais, de preferência integrais.

Os cereais integrais são fontes de vitaminas, minerais e fibras, contribuindo para o bom funcionamento do intestino e conferindo maior sensação de saciedade.

9. Moderação é a palavra de ordem.

O prato deve ser variado, consumindo os variados alimentos com moderação, respeitando as quantidades diárias estabelecidas. Há espaço para tudo, nas quantidades certas.

10. Associar atividade física regularmente. 

Tão importante quanto se alimentar adequadamente, é a realização de atividade física periodicamente, afim de ajudar a prevenir as doenças cardiovasculares.

Uma versão da dieta do mediterrâneo, adotada pelo Dr. Steve Parker, e voltada principalmente para os pacientes diabéticos, pré-diabéticos, portadores de síndrome metabólica e obesidade, com controle na ingestão dos carbohidratos ( dieta do mediterrâneo low-carb), propicia redução do peso corporal aliada a ingesta de alimentos benéficos para o sistema cardiovascular.

Se você deseja conhecer a dieta do mediterrâneo, ou a versão low-carb, o ideal é consultar uma nutricionista, afim de ajustar as porções ideais dos alimentos de maneira individualizada e auxiliar nas escolhas dos ingredientes. O endocrinologista irá avaliar o seu risco cardiovascular, realizará os exames periódicos necessários para o acompanhamento, ajustará suas medicações, além de outras orientações ou investigações  eventualmente necessárias, de acordo com as queixas clínicas.

 

 

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Obesidade:Entrevista com Dr.Paulo de Tarso Freitas

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

O Lugol pode estar prejudicando a sua tireóide.

Lugol ou solução de Lugol é um composto formado por iodo metalóide (I2) e Iodeto de Potássio em água destilada.

Este produto se emprega frequentemente como desinfetante e antisséptico, e para a desinfecção de água em emergências e como conservante.

Também é indicado para cobrir deficiências de iodo e para a situação de tempestade tireoideana, provocada por um hipertireoidismo severo.

No Brasil, mais recentemente, temos observado um uso indiscriminado e indevido da solução de Lugol. Um determinado médico, famoso no meio leigo, e professor de  um curso de pós-graduação em medicina antienvelhecimento, voltado para  profissionais da medicina, sem qualquer respaldo do Conselho Federal de Medicina, resolveu defender a prescrição de Lugol para prevenção e tratamento do hipotireoidismo, assim como prevenção e tratamento generalizado do câncer.

Cabe ressaltar que a maior fonte mundial de pesquisa de artigos científicos, o PubMed, que compila mais de 26 milhões de artigos científicos, não apresenta evidências que respaldam o uso de Lugol, seja como preventivo, seja como tratamento para o hipotireoidismo ou câncer em geral. Inclusive o uso prolongado de Lugol pode provocar sério dano para a tireóide, provocando e/ou piorando uma disfunção na tireóide ( hipo ou hipertireoidismo).

Por que não usar solução de Lugol?

O iodo é um mineral essencial para o crescimento e desenvolvimento do corpo humano, sua principal função no organismo é a síntese dos hormônios tireoidianos.

A Lei no 6.150 de 1974 revoga a lei 1.944 (1953),  e determina a obrigatoriedade para a iodação de todo o sal para consumo humano e animal produzido no país. Segundo a lei, cada kilograma de sal deveria conter de 10 a 30mg de iodo metalóide.  Em março de 1999, através da Portaria No 218, o Ministério da Saúde estabelece, que somente será considerado próprio para consumo humano o sal que contiver teor igual ou superior a 40 (quarenta) miligramas até o limite de 100 (cem) miligramas de iodo, por quilograma de produto.  Recentemente, norma da ANVISA readequou os níveis para 15 a 45 mg/kg de sal.

A quantidade necessária de ingesta de iodo é de pelo menos 150 ug por dia, sendo menor para crianças abaixo de 12 anos e lactentes. Em uma alimentação normossódica, na faixa de 06 gramas por dia, a quantidade de iodo ofertada ao organismo é na ordem de 200 a 500 ug por dia. Dados do Ministério da Saúde indicam que o brasileiro consome 9,6 gramas de sal diariamente, mas o consumo total pode chegar a 12 gramas, quando levado em consideração alimentos processados e consumidos fora de casa.

Considerando que o brasileiro já adquire a quantidade necessária de iodo através do sal e outros alimentos, a administração de Lugol pode vir a provocar um excesso de iodo no organismo.

Efeitos adversos do excesso de iodo no organismo

O excesso de iodo pode provocar:

• Hipotireoidismo – o excesso de iodo pode provocar doença autoimune contra a tireóide , bem como bloquear a formação e liberação do hormônio da tireóide.

• Hipertireoidismo –  o excesso de iodo a longo prazo também pode aumentar a produção do hormônio tireoideano e provocar hipertireoidismo, especialmente naqueles que tem doença tireoideana subjacente.

• Câncer de tireóide

Conclusão

Se você consultou um profissional que tenha lhe indicado o uso de Lugol como coadjuvante para prevenção ou tratamento de distúrbios da tireóide ou outras doenças, recomendo que pare imediatamente e faça uma reavaliação com um especialista no assunto, neste caso um endocrinologista.

Tanto a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, quanto as Sociedades de Endocrinologia do mundo inteiro, recomendam o uso de Lugol somente para as  situações muito específicas e restritas já anteriormente citadas.

Quero finalizar ilustrando o caso real de  uma paciente portadora de hipotireoidismo, em que foi recomendado o uso de solução manipulada de Lugol como terapia coadjuvante. Ela procurou ajuda de um endocrinologista em razão do aparecimento de sintomas de fadiga, sonolência, ganho de peso e tontura. Seu TSH ( medidor do funcionamento da tireóide), havia passado de um valor de 4 ng/dl ( limite superior da normalidade) para 47 ng/dl, ou seja, um hipotireoidismo severo.

Fonte:

http://www.thyroidmanager.org/chapter/chapter-2-thyroid-hormone-synthesis-and-secretion/#toc-iodine-availability-and-transport

http://portalsaude.saude.gov.br/

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor