Obesidade:Entrevista com Dr.Paulo de Tarso Freitas

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

O Lugol pode estar prejudicando a sua tireóide.

Lugol ou solução de Lugol é um composto formado por iodo metalóide (I2) e Iodeto de Potássio em água destilada.

Este produto se emprega frequentemente como desinfetante e antisséptico, e para a desinfecção de água em emergências e como conservante.

Também é indicado para cobrir deficiências de iodo e para a situação de tempestade tireoideana, provocada por um hipertireoidismo severo.

No Brasil, mais recentemente, temos observado um uso indiscriminado e indevido da solução de Lugol. Um determinado médico, famoso no meio leigo, e professor de  um curso de pós-graduação em medicina antienvelhecimento, voltado para  profissionais da medicina, sem qualquer respaldo do Conselho Federal de Medicina, resolveu defender a prescrição de Lugol para prevenção e tratamento do hipotireoidismo, assim como prevenção e tratamento generalizado do câncer.

Cabe ressaltar que a maior fonte mundial de pesquisa de artigos científicos, o PubMed, que compila mais de 26 milhões de artigos científicos, não apresenta evidências que respaldam o uso de Lugol, seja como preventivo, seja como tratamento para o hipotireoidismo ou câncer em geral. Inclusive o uso prolongado de Lugol pode provocar sério dano para a tireóide, provocando e/ou piorando uma disfunção na tireóide ( hipo ou hipertireoidismo).

Por que não usar solução de Lugol?

O iodo é um mineral essencial para o crescimento e desenvolvimento do corpo humano, sua principal função no organismo é a síntese dos hormônios tireoidianos.

A Lei no 6.150 de 1974 revoga a lei 1.944 (1953),  e determina a obrigatoriedade para a iodação de todo o sal para consumo humano e animal produzido no país. Segundo a lei, cada kilograma de sal deveria conter de 10 a 30mg de iodo metalóide.  Em março de 1999, através da Portaria No 218, o Ministério da Saúde estabelece, que somente será considerado próprio para consumo humano o sal que contiver teor igual ou superior a 40 (quarenta) miligramas até o limite de 100 (cem) miligramas de iodo, por quilograma de produto.  Recentemente, norma da ANVISA readequou os níveis para 15 a 45 mg/kg de sal.

A quantidade necessária de ingesta de iodo é de pelo menos 150 ug por dia, sendo menor para crianças abaixo de 12 anos e lactentes. Em uma alimentação normossódica, na faixa de 06 gramas por dia, a quantidade de iodo ofertada ao organismo é na ordem de 200 a 500 ug por dia. Dados do Ministério da Saúde indicam que o brasileiro consome 9,6 gramas de sal diariamente, mas o consumo total pode chegar a 12 gramas, quando levado em consideração alimentos processados e consumidos fora de casa.

Considerando que o brasileiro já adquire a quantidade necessária de iodo através do sal e outros alimentos, a administração de Lugol pode vir a provocar um excesso de iodo no organismo.

Efeitos adversos do excesso de iodo no organismo

O excesso de iodo pode provocar:

• Hipotireoidismo – o excesso de iodo pode provocar doença autoimune contra a tireóide , bem como bloquear a formação e liberação do hormônio da tireóide.

• Hipertireoidismo –  o excesso de iodo a longo prazo também pode aumentar a produção do hormônio tireoideano e provocar hipertireoidismo, especialmente naqueles que tem doença tireoideana subjacente.

• Câncer de tireóide

Conclusão

Se você consultou um profissional que tenha lhe indicado o uso de Lugol como coadjuvante para prevenção ou tratamento de distúrbios da tireóide ou outras doenças, recomendo que pare imediatamente e faça uma reavaliação com um especialista no assunto, neste caso um endocrinologista.

Tanto a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, quanto as Sociedades de Endocrinologia do mundo inteiro, recomendam o uso de Lugol somente para as  situações muito específicas e restritas já anteriormente citadas.

Quero finalizar ilustrando o caso real de  uma paciente portadora de hipotireoidismo, em que foi recomendado o uso de solução manipulada de Lugol como terapia coadjuvante. Ela procurou ajuda de um endocrinologista em razão do aparecimento de sintomas de fadiga, sonolência, ganho de peso e tontura. Seu TSH ( medidor do funcionamento da tireóide), havia passado de um valor de 4 ng/dl ( limite superior da normalidade) para 47 ng/dl, ou seja, um hipotireoidismo severo.

Fonte:

http://www.thyroidmanager.org/chapter/chapter-2-thyroid-hormone-synthesis-and-secretion/#toc-iodine-availability-and-transport

http://portalsaude.saude.gov.br/

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
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Dieta low carb para diabéticos – 11 evidências favoráveis

Embora  dieta low carb (pouco carboidrato) para diabéticos  ainda é controversa, ela continua demonstrando eficácia, com pouco risco e boa aderência. Ao mesmo tempo, a dieta low fat (pouca gordura) não tem reduzido a incidência de diabetes, nem melhorou o controle da doença, indicando uma possível necessidade de reavaliação a favor de  uma redução em carboidratos.

Definição de Dieta Low Carb

Segundo a Associação Americana de Diabetes, dieta low carb é a ingestão de menos  de 130 gramas de carboidratos por dia. Se a ingestão por inferior a 50 gramas por dia, é considerada very low carb cetogência ( muito pouco carboidrato cetogênica).

11  evidências favoráveis à Dieta Low Carb

1. Hiperglicemia é a principal característica do diabetes. Restrição de carboidratos tem o maior efeito em reduzir a glicose no sangue.

O carboidrato é o principal determinante da glicose no sangue. Sua restrição tem o maior efeito em reduzir a glicose  pós-prandial ( após as refeições), bem como a hemoglobina glicada.

Um estudo que comparou uma dieta muito pobre em carboidratos em relação a uma dieta pobre em calorias, em uma amostra com 102 diabéticos e 261 não-diabéticos , mostrou  que os diabéticos com dieta com restrição de carboidratos reduziram a hemoglobina glicada de 8 para 6,2%, enquanto o grupo com dieta hipocalórica permaneceu acima de 7,5%.

2. A epidemia de obesidade e diabetes tipo 2 tem relação direta com o aumento na ingestão de carboidratos

O estudo NHANES, realizado nos Estados Unidos, indicou um grande aumento na ingesta de carboidratos como o principal contribuinte para o excesso de calorias de 1974 até o ano de 2000. O aumento médio no consumo passou de 42% para 49% das calorias nos homens, e de 45 para 52% nas mulheres. Não houve aumento na ingestão de gorduras. Em consequência, a incidência de Diabetes Mellitus tipo 2 aumentou consideravelmente no período, atingindo as proporções epidêmicas atuais.

O argumento é que a estimulação contínua na produção de insulina pode levar a um estado anabólico que favorece a formação de triglicerídeos. Ocorre também acúmulo de gordura no fígado, e secundariamente no pâncreas, criando uma condição favorável ao aparecimento do diabetes. O fígado gorduroso pode comprometer a ação da insulina neste órgão, contribuindo ao aparecimento da hiperglicemia de jejum. A infiltração de gordura no pâncreas leva à diminuição da produção de insulina pela célula beta. Toda essa cadeia de infiltração de gordura é ativada seja diretamente, ou indiretamente pela ingestão dos carboidratos.

3. Benefícios na restrição de carboidratos não tem relação direta com a perda de peso

Estudos tem mostrado que pequenas restrições nos carboidratos melhoram o controle glicêmico, sem oferecer perda de peso. Portanto, não é a perda de peso ocasionada pela restrição de carboidratos que melhora o controle glicêmico.

4. Embora perda de peso não é pré-requisito, nenhuma intervenção dietética é melhor que a restrição de carboidratos para essa finalidade

Estudos mostram superioridade na redução de peso quando comparam dieta low carb em relação a dieta hipocalórica. Um estudo com 48.000 mulheres na menopausa mostrou que a dieta pobre em gorduras teve resultados muito desfavoráveis a longo prazo, com uma perda modesta de 2 kgs no primeiro ano, e recuperação do peso ao final do estudo.

5. Aderência à dieta low carb é significativamente melhor em pessoas com diabetes tipo 2

A adesão a uma dieta low carb geralmente é melhor, em razão de não impor limite de calorias a serem ingeridas, e oferece maior saciedade advinda da proteína e da gordura. Além disto, pacientes ficam mais satisfeitos e motivados ao terem que reduzir suas doses de medicamentos ou insulina para diabetes.

6. Substituição de carboidrato por proteína é geralmente benéfico

Uma meta-análise envolvendo 1141 obesos em dieta low carb, mostrou uma redução significativa no peso corporal, triglicerídeos e pressão arterial em comparação ao grupo com dieta pobre em gorduras.

 7. Gordura saturada é influenciada mais pela ingestão de carboidratos do que pela quantidade de gordura ingerida na dieta

Um grande temor na implementação de uma dieta pobre em carboidratos é o receito de aumentar o colesterol.Em um estudo com portadores de síndrome metabólica tratados com dieta muito pobre em carboidratos, os níveis de ácidos graxos saturados diminuíram quando comparados ao grupo que ingeriu dieta com pouca gordura.

8. O melhor indicador de complicações micro e macrovasculares em pacientes diabéticos tipo 2 é o controle da glicemia ( Hemoglobina Glicada).

A restrição de carboidratos comprovadamente reduz a hemoglobina glicada, sendo uma alternativa para os pacientes que não estão adequadamente controladas com hipoglicemiantes orais.

9. A restrição de carboidratos é o método mais efetivo em reduzir triglicerídeos e aumentar o HDL-colesterol

10. Pacientes com diabetes tipo 2 em restrição de carboidratos frequentemente reduzem suas medicações. Diabéticos tipo 1 requerem menos insulina.

11. Redução da glicemia pela restrição de carboidratos tem menos efeitos adversos comparáveis ao tratamento medicamentos intensivo.

Conclusão

O benefício da restrição de carboidratos é imediato e bem documentado. Está  estabelecido que emagrecimento, por qualquer método, é benéfico para indivíduos com diabetes. A vantagem de uma restrição de carboidratos é oferecer uma maior saciedade, sem necessidade de reduzir as calorias diárias.

Portanto, é uma  opção eficaz de dieta para os pacientes diabéticos, estando contraindicada  para os portadores de doença nos rins, em razão da necessidade de controlar a ingestão de proteínas.

Saliento porém, que esta dieta não é milagrosa, não oferece a cura do diabetes, como vem sendo alardeado na mídia social e telejornais . Porém, permite um melhor controle da glicose e de todos os parâmetros do metabolismo.

Vitalité  possui profissionais capacitados a orientar e acompanhar os pacientes que desejam ou tenham indicação para realizar esse tratamento dietético, associado ao ajuste dos medicamentos antidiabéticos. A dieta low carb também pode ser realizada por não diabéticos com sobrepeso ou obesidade, visando redução do peso corporal.

Fonte: Dietary carbohydrate restriction as the first approach in diabetes management: critical review and evidence base.FeinmanRD et al. Nutrition 2015 Jan;31(1):1-13. doi: 10.1016/j.nut.2014.06.011. Epub 2014 Jul 16.

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
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Óleo de coco – modismo ou benéfico para a saúde?

O óleo de coco é um óleo tropical, podendo ser produzido na forma refinada ou virgem ( não-refinado).

É um óleo usado a milhares de anos por povos do mundo todo como alimento e medicamento. Alguns desses países são: India, Panamá, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné, Samoa, Jamaica, grande parte da America do Sul, Nigéria, e Tailândia.

O apelo da mídia, especialmente da mídia social, incentivando o seu consumo tem aumentado exponencialmente nos últimos anos. Os defensores do óleo de coco alegam que ele traria uma série de benefícios, entre eles, ajudar a queimar gordura , reduzir o risco de doenças cardíacas e aterosclerose, diminuir o colesterol e os triglicerídeos, fortalecer o sistema imunológico , melhorar o trânsito intestinal, entre outros. Mas será que o óleo de coco realmente traz tantos benefícios?

Propriedades do óleo de coco

Uma das vantagens do óleo de coco é a resistência à oxidação, o que o torna um óleo estável para o cozimento.

É composto de 92% de ácidos graxos saturados, e tem sido classificado, juntamente com a manteiga, óleo de palma e gordura animal, como uma fonte de gordura saturada. Seu principal componente é o ácido láurico.

O fato do óleo do coco possuir maior quantidade de ácidos graxos de cadeia média (AGCM), diferentemente de outras gorduras saturadas, faz com que tenha um comportamento no metabolismo distinto. Os AGCM são rapidamente absorvidos pelo intestino, sendo rapidamente transportados para o fígado, onde são rapidamente oxidados, gerando energia. Não participam do ciclo do colesterol e não são estocados em depósitos de gorduras.

Óleo de coco x Óleo vegetal

As revisões da literatura científica mostram um número limitado de estudos em humanos para avaliar os méritos do óleo de coco em relação à saúde cardiovascular. A maioria dos estudos tem limitações importantes, que exigem muita cautela na interpretação dos resultados, tais como amostras pequenas, viciadas e avaliação dietética inadequada.

Não há evidências robustas em termos de redução no risco de doenças,  apenas em relação ao colesterol e triglicerídeos. Estudos que compararam o óleo de coco com óleo vegetal (gordura insaturada) mostraram, na maioria deles, aumento tanto do LDL-colesterol ( colesterol ruim), quanto do HDL-colesterol( colesterol bom). Em relação aos  triglicerídeos, não houve diferença.

Como já está bem estabelecido o papel da redução do LDL-colesterol na mortalidade por doença cardiovascular, parece haver um benefício no uso de óleo vegetal em relação ao óleo de coco.

Por que alguns estudos mostram benefícios do óleo de coco?

Todos os estudos que mostraram os  benefícios do óleo de coco são pequenos, sendo muitos deles  em modelos animais . Já  os estudos em humanos são todos  de curta de duração ( poucos meses).

Não há nenhum estudo científico de longa duração, com uma amostra satisfatória, que mostre redução do risco cardiovascular naqueles que utilizaram óleo de coco em comparação com os óleos vegetais.

A afirmação de que o óleo de coco favoreça o emagrecimento é mera suposição, sensacionalista e inverídico. Nenhum estudo mostrou redução de peso por causa do óleo de coco.

As populações que mais utilizam o óleo de coco, tais como a Indonésia, um dos principais produtores mundiais, pertencem a países que tem uma alimentação mais saudável que a da do mundo ocidental, com utilização de produtos menos industrializados, maior consumo de frutas, verduras e legumes. Recomendar o consumo de óleo de coco, fonte de gordura saturada, regularmente para uma população que já consome, no seu dia a dia, uma maior quantidade de gordura saturada, é uma temeridade, pois ninguém sabe os efeitos sobre o risco cardiovascular a longo prazo.

Conclusão

Não há evidências científicas que mostrem que a utilização regular de óleo de coco traga benefícios para a saúde cardiovascular.

O posicionamento das principais Sociedades, entre elas, Associação Americana de Cardiologia, Associação Americana de Nutrição, Sociedade Brasileira de Diabetes e Associação para o Estudo da Obesidade afirma que o aumento no consumo de gordura saturada, incluindo o óleo de coco, aumento o risco para o infarto agudo do miocárdio e derrame cerebral.

Alimentar-se com gordura é definitivamente parte de uma dieta saudável. Apenas lembre-se de escolher alimentos com boa gordura ( monoinsaturada e poliinsaturada). Procure ingerir vegetais, frutas, e cereais integrais; inclua produtos com pouca gordura de origem animal, peixes, aves, legumes, óleos vegetais, amêndoas, castanhas e nozes; limite a ingesta de sódio, doces, refrigerantes e carnes vermelhas. Fazendo isto, sua dieta será baixa em gordura saturada e trans, e diminuirá o seu risco cardiovascular.

Fonte: Virgin coconut oil and its potential cardioprotective effects.BABU, A.S.; VELUSWAMY, S.K.; ARENA, R.; GUAZZI, M.; LAVIE, C.J.Postgraduate Medicine2014 Vol: 126 Nro: 7 Págs: 76-8

            Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans.EYRES, L.; EYRES, M.F.; CHISHOLM, A.; BROWN, R.C.Nutrition Reviews2016 Vol;74 Nro:4 Págs 267-80

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Pâncreas artificial aprovado pelo FDA

O FDA acabou de aprovar o primeiro pâncreas artificial, que consiste de uma bomba de insulina de alça fechada híbrida, a qual automaticamente  monitora a glicose no sangue e administra a dose de insulina necessária. Está aprovada para pacientes a partir de 14 anos de idade com diabetes mellitus tipo 1.

Devido ao fato que o dispositivo corrige tanto as glicemias baixas, quanto as elevadas ( os atuais corrigem apenas a hipoglicemia), está sendo chamada de primeiro pâncreas artificial. Entretanto, como os pacientes ainda precisam colocar a quantidade de   carbohidratos ingeridos antes das refeições e requisitar ao dispositivo para fornecer a dose de insulina bolus ( da refeição), na verdade é um sistema híbrido ao invés de um completo sistema de alça fechada.

O sistema compreende um monitor continuo de glicose ligado ao tecido subcutâneo, o qual  verifica os níveis de glicose a cada 05 minutos. Uma bomba de insulina  lê a glicose e libera a insulina de acordo com os valores. Antes das refeições, o paciente digita a quantidade aproximada de carbohidratos que ingeriu e o sistema calcula a dose de insulina a ser liberada.

No estudo realizado com o dispositivo, não ocorreram eventos adversos sérios, tais como cetoacidose diabética e  hipoglicemia severa.

A fabricante  (Medtronic) está atualmente realizando estudos clínicos para avaliar a segurança e efetividade do dispositivo em crianças entre 7 a 13 anos de idade com diabetes tipo 1.

Este é um grande avanço na direção da cura do diabetes tipo 1. A expectativa é que este dispositivo deverá facilitar bastante o controle da doença, contribuindo para que o paciente atinja as metas de glicemia e hemoglobina glicada ( inferior a 7%), e diminuindo consideravelmente o risco de complicações crônicas.

O dispositivo chama-se sistema MiniMed 670G , e com este lançamento, estamos a um passo do sistema de alça fechada completo, que libera automaticamente a insulina de acordo com a glicemia, tanto no basal ( longe das refeições), quanto nas refeições.

A previsão é que estará no mercado americano no início de 2017. Não há previsão para sua chegada ao Brasil, nem o custo.

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Intolerância à lactose – causas e consequências

O que é intolerância à lactose?

Intolerância à lactose acontece quando você apresenta apresenta sintomas como inchaço no abdome, diarréia e gases após ingerir leite ou derivados. Se o seu intestino não produz muita enzima lactase, você tem dificuldade em digerir a lactose. Lactose que não é digerida vai para o seu intestino grosso. O intestino grosso é um órgão que absorve água das fezes e a solidifica. No seu intestino grosso, bactérias que normalmente habitam essa região digerem a lactose e geram fluidos e gases, provocando sintomas em você.

Os sintomas podem aparecer entre 30 minutos a 02 horas após a ingestão do leite ou derivados. Podem ser leves ou mais severos.

Nem todas as pessoas com enzima lactase diminuída apresentam sintomas.

A maioria das pessoas com intolerância ao leite e produtos lácteos podem ingerir alguma quantidade dessas substâncias e não apresentar sintomas. A quantidade de lactose que provoca sintomas varia de uma pessoa para outra.

O que causa a intolerância à lactose?

  • Em algumas pessoas, o intestino delgado fabrica menos lactase a partir dos dois anos de idade, o que pode levar à intolerância à lactose.Outras pessoas começam a apresentar sintomas mais tarde, na adolescência ou vida adulta.
  • Infecção, doenças ou outros problemas que danificam o intestino delgado podem diminuir os níveis de lactase. Baixos níveis de lactase podem torná-lo intolerante ao leite  e derivados até o seu intestino delgado se recuperar.
  • Bebês prematuros podem ser intolerantes por um curto período de tempo após o nascimento.
  • Em uma forma rara de intolerância, o intestino delgado produz pouca ou nenhuma lactase desde o nascimento.

leite e derivados

As pessoas algumas vezes confundem intolerância à lactose com alergia ao leite.Enquanto a intolerância  é um problema digestivo, a alergia ao leite é uma reação desencadeada pelo sistema imunológico a uma ou mais proteínas do leite. Se você tiver alergia ao leite, ingeri-lo até mesmo em pequenas quantidades pode ser ameaçador à vida. A alergia ao leite mais comumente ocorre no primeiro ano de vida. Já a intolerância  ocorre mais frequentemente na adolescência e em adultos.

Como a intolerância à lactose pode afetar a sua vida?

Além do desconforto provocado pelos sintomas, você pode ter problemas em absorver nutrientes suficientes, tais como cálcio e vitamina D. Leite e derivados são fontes de cálcio. Cálcio é um mineral que o corpo necessita para fortalecer os ossos e os dentes. Se você não recebe cálcio suficiente, ao longo do tempo seus ossos podem ficar mais enfraquecidos e quebrar facilmente.

Como meu médico sabe se eu tenho intolerância à lactose?

• História Clínica – seu médico perguntará sobre a sua história familiar, seus antecedentes, seus hábitos alimentares e a relação com os seus sintomas

• Exame Físico – o médico vai checar a presença de abdome distendido, aumento dos ruídos abdominais na ausculta e dor/aumento da sensibilidade à palpação do abdome

Após a realização da anamnese e exame físico, seu médico pode solicitar para que faça um teste parando de ingerir produtos que contenham leite e derivados, para avaliar melhora dos sintomas. Outros exames podem ser solicitados:

• Teste de Tolerância à Lactose – É ingerido um concentrado rico em lactose. Em indivíduos normais, a lactose é transformada no intestino em glicose, a qual é absorvida pela mucosa do intestino. Os indivíduos intolerantes apresentam uma elevação da glicose inferior a 20 mg/dl após a ingesta do líquido. Este teste não tem utilidade, e portanto não deve ser solicitado, para indivíduos portadores de diabetes mellitus.

• Teste do Hidrogênio Expirado – Checa a quantidade do gás hidrogênio na respiração. Normalmente, a pessoa exala apenas uma pequena quantidade de hidrogênio após ingerir lactose e a molécula é partida. Lactose que não é quebrada pelo organismo provoca altos níveis de hidrogênio na respiração. Para realizar o referido teste, você tem que ingerir previamente uma certa quantidade de lactose.

• Teste da acidez nas fezes – Se o seu corpo não digere a lactose, as fezes ficam mais ácidas. Este teste é mais indicado para ser realizado em crianças.

Qual o meu grau de intolerância à lactose?

A maioria das pessoas com intolerância ao leite e derivados podem ingerir alguma lactose sem apresentar sintomas. Pessoas diferentes podem ter diferentes quantidades de lactase. Por exemplo, uma pessoa pode ter sintomas severos ao ingerir uma pequena quantidade de leite. Outra pessoa pode ingerir uma quantidade grande, sem apresentar sintomas. Algumas pessoas podem ingerir tranquilamente um iogurte e queijos amarelos como cheddar e suíço, enquanto outros produtos lácteos podem lhes causar sintomas.

Pesquisas sugerem que muitas pessoas podem ter a quantidade de lactase suficiente para ingerir uma xícara de leite sem apresentar sintomas, ou apenas com sintomas leves. Quantidades maiores podem ser toleradas se a ingesta ocorrer durante as refeições ou em pequenas quantidades ao longo do dia.

Em geral as pessoas com este distúrbio não precisam evitar leite e derivados completamente. Se você evitá-los por completo, você poderá ingerir menos cálcio de que necessita, favorecendo o aparecimento de osteoporose no futuro.

Você pode conseguir ingerir leite e derivados sem apresentar sintomas se você:

  • ingerir meia xícara de leite ou menos em uma única tomada
  • ingerir pequenas quantidades de leite ou derivados juntamente com as refeições, como por exemplo, acompanhado  de cereal ou ingerir queijo com bolacha crackers.
  • adicionar pequenas quantidades de leite ou derivados aos poucos, em pequenas porções, e avaliar como se sente.
  • ingerir produtos lácteos com maior facilidade de digestão para pessoas intolerantes:
    • iogurte
    • queijos mais endurecidos

O que fazer se eu tenho intolerância à lactose?

Se você tem intolerância à lactose, você pode fazer mudanças na sua dieta. Alguns irão precisar apenas reduzir a ingestão de lactose. Outros deverão evitar a ingestão por completo.

Uma alternativa, é passar a ingerir  produtos lácteos e o próprio leite isento de lactose. Atualmente temos uma infinidade de produtos desta categoria no mercado.

Outra opção é ingerir a enzima lactase, na forma de comprimido ou sachê, imediatamente antes de ingerir produtos que contenham lactose. Já temos algumas opções disponíveis no mercado nacional atualmente.

Fonte: www.niddk.nih.gov/health-information/health-topics/digestive-diseases/lactose-intolerance/pages/facts.aspx

Doutora em Endocrinologia – USP/SP
Residência Médica em Endocrinologia – Hospital Brigadeiro/SP

Dieta sem Glúten – Separando o Joio do Trigo

Introdução

Durante a última década houve um aumento impressionante na popularidade da dieta sem glúten, sendo nos dias atuais o tratamento nutricional da moda no mundo inteiro, incluindo o Brasil. Questionando o conceito de que dieta sem glúten beneficiaria apenas indivíduos portadores de doença celíaca, profissionais da saúde tem relutado em separar o joio do trigo.  Há um clamor que eliminar o glúten da dieta aumenta a saúde e ajuda no emagrecimento, ou até mesmo que o glúten pode ser danoso a todo o ser humano.

Entretanto, à parte de modismos infundados, uma doença relacionada à ingestão de glúten, ou cereais que contenham glúten, chamada de sensibilidade ao glúten não-celíaco, tem ressurgido na literatura, incendiando o debate sobre a indicação de dieta sem glúten para pessoas sem diagnóstico de doença celíaca.

Sensibilidade ao glúten foi inicialmente diagnosticado na década de 1970, mas na última década os números de pacientes com este diagnóstico, assim como o número de publicações tem aumentado consideravelmente.

Ainda não está bem claro como diagnosticar ou manejar esta condição, e os mecanismos causadores são incertos, mas sabe-se que ocorre uma ativação do sistema imunológico inato, tendo efeitos deletérios em outras doenças autoimunes e doenças metabólicas concomitantes.

 Quando indicar dieta sem glúten para não-celíacos?

– Quando o paciente apresentar sintomas do trato gastrointestinal, tais como: dor abdominal, gases, estufamento ,meteorismo, ou extra-intestinais, tais como: dor de cabeça, fadiga crônica, dor muscular ou nas articulações, formigamento das extremidades, eczema, anemia ou depressão, que  aparecem horas ou dias após a ingestão de grãos contendo glúten, e desparecem rapidamente quando são eliminados da dieta.

– Em crianças que apresentem diarréia crônica sem perda de peso, além  de déficit de atenção.

Qual a diferença entre doença celíaca e sensibilidade ao glúten?

–   Na sensibilidade ao glúten, os auto-anticorpos contra componentes do glúten estão ausentes, na biópsia intestinal não são detectadas alterações inflamatórias na mucosa, exceto um leve aumento nos linfócitos intraepitelial, e os marcadores genéticos da doença celíaca estão ausentes ( HLA DQ2/8).

–  Diferentemente da doença celíaca, o diagnóstico da sensibilidade ao glúten é predominantemente clínico, ao se observar melhora dos sintomas gastrointestinais ou extra-intestinais com a retirada do glúten, e piora com a reintrodução.

Qual a prevalência da Sensiblidade ao Glúten?

– Muitas pessoas fazem dieta sem glúten por conta própria, sem indicação médica. Portanto, a prevalência é desconhecida.

– Acredita-se que é um problema relativamente comum, sendo responsável por cerca de um terço dos pacientes com diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável*.

– Mais comum que a doença celíaca

– Mais comum em mulheres e adultos jovens

– Pode estar associada ao autismo, esquizofrenia, alergias e doenças autoimunes.

Conclusão

A dieta sem glúten é muito propagada e recomendada por nutricionistas nos dias atuais. Quando o paciente tem sintomas relacionados ao trato gastrointestinal, ou extra-intestinais de causa desconhecida, é importante inicialmente realizar uma completa investigação clínica para afastar causa secundária, especialmente doença celíaca.

Se não for encontrada uma causa que justifique os sintomas clínicos, o diagnóstico de sensibilidade ao glúten, nesta situação, deve ser pensado e um teste terapêutico ser realizado, com a retirada do glúten e reavaliação.

A prática de propor a retirada do glúten para os pacientes, de maneira universal, sem critérios de seleção, como parte de um programa de emagrecimento, não deve ser realizada, pois não há evidências científicas sólidas que indiquem um real benefício, pois  o glúten costuma trazer malefícios apenas para um perfil específico de pacientes.

* Síndrome do Intestino Irritável – termo aplicado a uma associação de sintomas, que consistem mais frequentemente de dor abdominal, estufamento, constipação e diarréia, sem causa orgânica identificável.

Fonte:Fasano, A et al. Nonceliac gluten sensitivity. Gastroenterology 2015 Vol:148 No:6 Págs: 1195-204

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Diabetes Mellitus tipo 2 : qual o melhor tratamento?

Introdução

O diabetes mellitus tipo 2 é hoje um dos maiores problemas de saúde em todo o mundo. Atualmente, mais de 250 milhões de pessoas convivem com a doença, mas a previsão que este número chegue a 380 milhões, em 2025. O Brasil ocupa a 4ª posição entre os países com maior prevalência de diabetes: são 13,7 milhões de pessoas, e muitas ainda nem foram diagnosticadas.

O excesso de peso é o grande vilão por trás desta pandemia. Além do fator genético, o diabetes é uma doença totalmente ligada ao estilo de vida adotado. Uma pessoa com alimentação desequilibrada, rica em gorduras, carboidratos, açúcares e produtos industrializados, e pobre em vegetais, legumes e frutas têm mais propensão a desenvolver o diabetes. Sedentarismo, obesidade e tabagismo também são fatores de risco e, juntos, contribuem para o aparecimento da doença.

Quando o indivíduo recebe o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2, ele já perdeu uma boa parte das células produtoras de insulina ( pelo menos 50%), também chamadas células beta. Manter a doença controlada, preservando as células beta restantes é o maior objetivo. Com isto reduz-se acentuadamente o risco de complicações crônicas, sejam elas macrovasculares, tais como infarto e derrame cerebral, ou microvasculares, tais como doença nos rins, nos olhos e nos nervos periféricos.

A meta para o tratamento deve ser individualizada, levando em consideração especialmente idade do paciente, tempo de diagnóstico e presença de complicações crônicas. Hemoglobina glicada acima de 7% aumenta o risco de complicações relacionadas ao diabetes mellitus.

Como tratar o Diabetes Mellitus tipo 2

1) Dieta

A dieta mais adequada deve objetivar oferecer carbohidratos com baixo índice glicêmico ( menor poder de elevação da glicemia), especialmente aqueles ricos em fibras. Além de facilitar o controle da glicemia, a fibra contribui para a distensão do estômago e aumenta a saciedade. Deve ser orientada por um nutricionista.

2) Atividade física

A prática de exercícios físicos deve ser estimulada. Os principais benefícios do exercício no diabetes mellitus tipo 2 são auxiliar a manutenção do peso corporal;aumentar a sensibilidade à insulina, reduzir a pressão arterial e aumentar o colesterol bom ( HDL); contribuir para a manutenção dos ossos, músculos e articulações;melhora do bem-estar, reduzindo risco de ansiedade e depressão; melhorar a resposta imunológica, fortalecendo as defesas do organismo.

3) Medicamentos

O uso de medicamentos para auxiliar o controle do diabetes mellitus tipo 2 deve ser indicado, com o intuito de ajudar a manter a longo prazo a doença controlada, intervindo de maneira positiva nos mecanismos geradores dessa doença.

Temos hoje disponíveis para o tratamento diversas classes de medicamentos, que devem ser selecionados de acordo com as características de cada paciente.

3.1) Metformina

A metformina aumenta especialmente a captação de glicose pelo fígado. É utilizada geralmente como primeira escolha no tratamento em razão de sua efetividade ( pode reduzir a hb glicada até 2%), baixo custo e segurança. Seu principal efeito adverso é gastrointestinal ( náuseas, vômitos). A formulação de liberação gastro-intestinal ( XR) tem melhor tolerância gastrointestinal.

3.2 ) Sulfoniluréias

Aumentam a produção de insulina.Temos como exemplos dessa classe a glibenclamida, gliclazida, gliclazida MR e glimepirida. São medicamentos potentes na redução de hb glicada ( até 2%), tendo como efeitos indesejados principais o risco de hipoglicemia e aumento do peso corporal.

3.3) Glitazonas

Aumenta a sensibilidade à insulina, agindo no tecido gorduroso, músculo  e fígado. A medicação desta classe é a pioglitazona. Não devem ser utilizados em portadores de insuficiência cardíaca e osteoporose, em razão de aumentar a retenção hídrica e o risco de fraturas. Podem provocar um pequeno ganho de peso. É a medicação com maior benefício para reduzir a gordura no fígado ( esteatose hepática).

3.4) Gliptinas ( Inibidores da DPP-4)

Aumentam a produção de insulina e reduzem o glucagon, através do incremento na produção de uma substância produzida no intestino chamada GLP-1. São seguras , tem boa tolerabilidade, e não costumam provocar hipoglicemia. Tem efeito neutro no peso corporal.

3.5) Análogos do GLP-1 

Também aumentam a produção de insulina, reduzindo o glucagon, através do aumento do GLP-1 ( incremento maior que o produzido pelos inibidores da DPP-4). Promovem perda de peso, redução da pressão arterial. Os principais efeitos adversos são náuseas, vômitos e diarréia. As principais opções disponíveis no mercado hoje são o liraglutide ( Victoza) e a Dulaglutida ( Trulicity). O Victoza é administrado através de uma única aplicação subcutânea diária e o  Trulicity é administrado através de uma aplicação semanal, também subcutânea.

3.6) Gliflozinas 

Agem inibindo o transportador 2 da glicose no túbulo proximal do rim, promovendo a eliminação de açúcar na urina. Estão contra-indicados para portadores de insuficiência renal moderada a grave. Promovem redução no peso e na pressão arterial. Temos três opções no mercado: dapagliflozina ( Forxiga), empagliflozina ( Jardiance) e canagliflozina ( Invokana). O estudo EMPA-REG mostrou redução de 38% na mortalidade por causas cardiovasculares em um periodo de 04 anos de estudo, quando comparou a medicação empagliflozina  ao grupo controle. Considerando que a principal causa de morte em pacientes diabéticos é por doença cardiovascular, o resultado deste estudo trouxe bastante entusiasmo para o tratamento destes pacientes.

Conclusão

O arsenal terapêutico atual para o controle do diabetes é amplo e permite que o médico especialista possa escolher as melhores alternativas de maneira individualizada, considerando as características clínicas de cada paciente.

Para os pacientes que precisam controlar a doença e perder peso, as opções das gliflozinas e análogos do GLP-1 são ótimas escolhas.

Para os idosos que necessitam de segurança no tratamento, com eficácia e menor risco de hipoglicemias, uma boa opção é a classe dos inibidores da DPP-4.

Para os individuos com muita gordura no fígado, uma ótima   opção é a pioglitazona.

Existem inúmeros tratamentos corretos para um mesmo indivíduo. O médico assistente deve avaliar, entre todas as opções possíveis, aquelas que se encaixam ao perfil do paciente, afim de atingir o sucesso no tratamento.

 

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Pré-diabetes: o que você precisa saber

Definição

Pré-Diabetes é definido como o aumento da glicose no sangue insuficiente para ser definido como diabetes, ou seja, quando a glicemia está entre 100 e 125 mg/dl no jejum, entre 140 e 199 mg/dl após o teste de tolerância à glicose ou hemoglobina glicada ( A1C) entre 5,7 a 6,4%.

É importante destacar que pessoas com pré-diabetes frequentemente tem outros fatores de risco para o coração e circulação, tais como obesidade, pressão alta, e aumento de colesterol, apresentando aumento do risco para Infarto Agudo do Miocárdio e Derrame Cerebral.

Como manejar o pré-diabetes

Pacientes com pré-diabetes devem ser encaminhados para um acompanhamento nutricional e programa de aconselhamento para atividade física, buscando um alvo de perda ponderal em torno de 7% do peso corporal e aumentar a atividade física para o mínimo de 150 minutos por semana.

Exercícios de resistência, tais como levantamento de peso, tem efeito benéfico na circunferência abdominal, melhora na sensibilidade insulínica, e diminuição do risco para diabetes.

Quatro grandes estudos mostraram uma robusta redução na progressão para diabetes com as mudanças acima citadas: o Diabetes Prevention Program ( DPP) mostrou redução de 58% em 03 anos; o estudo Da Qing 43% em 20 anos; o Finnish Diabetes Prevention Study ( DPS) 43% em 07 anos; redução de 34% em 10 anos no U.S. Diabetes Prevention Program Outcomes Study ( DPPOS).

A medicação metformina deve ser considerada especialmente para aqueles com Indice de Massa Corporal > 35 kg/m2 ( cálculo disponível na nossa home page), aqueles com menos de 60 anos de idade, e mulheres com Diabetes Gestacional prévia.

Uma medicação promissora para normalizar a glicemia e evitar a progressão para diabetes é o liraglutide (Saxenda®), recém-chegada ao mercado brasileiro, e aprovada para o tratamento da obesidade.

Tecnologia no controle do pré-diabetes

A tecnologia pode ser um meio efetivo para atingir os objetivos supracitados. Estudos recentes dão suporte aos pequenos grupos virtuais da internet para perda de peso, aplicativos de telefones celulares e outros dispositivos. Aplicativos de celulares para emagrecimento e prevenção de diabetes tem sido validados pela sua capacidade em reduzir a média glicêmica em indivíduos com pré-diabetes.

O pedômetro, um dispositivo para registrar a sua caminhada diária, pode ser um grande aliado para uma vida mais ativa. Para aqueles indivíduos em que seja recomendado atividades físicas de nível moderado, o objetivo é realizar 10.000 passos por dia.

Fonte: Prevention or Delay of Type 2 Diabetes. Diabetes Care 2016;39(Suppl. 1):S36–S38| DOI: 10.2337/dc16-S007

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

Sal é realmente maléfico para a saúde?

O consumo excessivo de sal é um determinante bem estabelecido de aumento da pressão arterial.  Em 2010 causou aproximadamente 19% de todos as causas globais de mortes.

Em adição aos efeitos na pressão arterial , também estão implicados outros problemas, tais como câncer gástrico e osteoporose.

A OMS recomenda que todos os países implementem um programa de redução do consumo de sal. O alvo é uma redução de 30% até 2025.

Alguns estudos de baixa qualidade, com conflitos de interesse, ainda questionam os benefícios da redução de sal.

Uma revisão sistemática bem conduzida, por um grupo de universidades conceituadas e de vários países, publicada em 2016, publicou o impacto do sal dietético na saúde pública.

Foram analisados três grandes estudos e todos mostraram malefícios do aumento na ingesta de sal.

Um dos estudos mostrou diminuição do risco de cefaléias na ordem de 31% entre o grupo que consumia uma média de 2,8 gramas de sal por dia , quando comparado ao grupo que consumia uma média de 8,6 gramas  por dia.

Outros dois estudos mostraram aumento na mortalidade geral. Em um dos estudos, com seguimento por 18 anos, ficou evidenciado o incremento na mortalidade geral na ordem de 19% e também na relacionada ao câncer, na ordem de 43%, principalmente dos tipos gástrico e de células renais.

Os achados desta revisão dão suporte às recomendações da OMS e Sociedades de Hipertensão, para a recomendação de redução global no consumo de sal.

Em um próximo post vou escrever sobre os  tipos de sal e alternativas para ajudar a diminuir o seu consumo.

Fonte:

1. The Science of Salt: A Systematic Review of Quality Clinical Salt Outcome Studies June 2014 to May 2015. Johnson et al; J Clin Hypertens (Greenwich). 2016 Jul 21. doi: 10.1111/jch.12877. [Epub ahead of print]

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