Endometriose

1. O que é endometriose?

A endometriose é uma doença crônica estrogênio-dependente e caracteriza-se pelo implante de tecido endometrial (que normalmente recobre o útero internamente ) fora da cavidade uterina.

2. Que órgãos a endometriose afeta?

O implante endometriótico acomete o peritônio pélvico, superfície ovariana, parênquima ovariano (endometriomas), fundo de saco posterior (região no fundo da vagina) e órgãos extragenitais como o intestino retossigmoide, apêndice e trato urinário. Ainda, no foco da lesão de endometriose, podem ser encontrados vasos sanguíneos, linfáticos e tecido neural.

3. Qual a prevalência?

Estima-se que a endometriose acometa cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, mas esta prevalência muda de acordo com a população investigada. Sabe-se que em pacientes assintomáticas submetidas à laqueadura tubária, o encontro de implantes de endometriose pélvicos pode ocorrer em cerca 5% das situações e, por outro lado, pacientes com dor pélvica e/ou infertilidade podem apresentar a doença em até 50% dos casos. A estimativa  recente da prevalência da doença é de cerca de 176 milhões de mulheres no mundo.

4. Quais as causas?

Descrita desde o século XVII, a endometriose só foi reconhecida como doença há menos de um século e, desde então, motiva a busca de explicações de suas causas e de tratamentos efetivos que visem à recuperação da função reprodutiva e da qualidade de vida em geral. Muitas teorias já foram postuladas sem que nenhuma, isoladamente, pudesse explicar todos os casos da doença; aceita-se, atualmente, a teoria da menstruação retrógrada de Sampson (refluxo menstrual para o interior da pelve) associada à teoria imunológica (desequilíbrio entre as diferentes respostas imunológicas favorecendo a ocorrência e manutenção dos implantes de endometriose fora do útero). Há também uma associação familiar com acometimento de parentes de primeiro grau.

5.  Quais as dificuldades no diagnóstico?

Apesar de já haver inúmeras informações sobre o desenvolvimento da doença, bem como alternativas para o tratamento clínico e cirúrgico, ainda hoje o diagnóstico da doença é demorado. Sabe-se que o intervalo entre os primeiros sintomas (que motivam a procura de assistência) até o diagnóstico de certeza pode levar vários anos. Estudos em nosso meio e estudos internacionais são concordantes quanto à demora no diagnóstico mencionando períodos que, em média, podem levar de dois a doze anos. Talvez o atraso nesse diagnóstico seja explicado pela ausência de métodos não invasivos que permitam o diagnóstico da doença em seus estágios iniciais. Obviamente, uma vez que o diagnóstico é retardado, a condução adequada dos casos pode ser prejudicada, possibilitando o avanço da doença e suas consequências a médio e longo prazo.

6. Qual o tratamento?

Por tratar-se de doença multifatorial e com vasta gama de apresentações clínicas, a endometriose não permite o estabelecimento de uma regra universal na condução dos casos. Particularidades na evolução de cada paciente, a intensidade da sintomatologia apresentada, bem como a presença ou ausência de desejo reprodutivo imediato ou futuro são peças-chave nas decisões do manejo dos casos e na definição de se indicar um tratamento mais ou menos invasivo.

Fonte: adaptado de FEBRASGO – Guia Prático Manejo de Sintomas de Endometriose 2014