Compulsão alimentar ( parte I): como diagnosticar

1. Introdução

A compulsão alimentar é um transtorno bastante complexo, com múltiplas causas e
formas de manifestação . Traz prejuízos importantes em todas as instâncias que constituem um
indivíduo (emocionais, sociais/relacionais e físicas).
A prevalência da compulsão alimentar vem aumentando consideravelmente, principalmente em mulheres, e suas queixas tem se tornado cada vez mais frequentes nos consultórios de médicos, psiquiatras e psicólogos.

É o distúrbio alimentar mais comum, afetando 1-5% da população. Embora algumas pessoas que tem compulsão alimentar são obesas, alguns indivíduos estão presentes dentro de uma faixa de peso normal, tornando mais difícil o diagnóstico.
Nos próximos três posts iremos abordar o que é a compulsão alimentar, suas consequências  e como tratar, com   com  enfoque multidisciplinar e apresentaando novas técnicas de tratamento baseado em Mindfulness e  de auto-compaixão.

2. Definição

O Transtorno de compulsão alimentar (TCAP) é considerado um distúrbio alimentar
caracterizado pela ingestão exagerada de alimentos (normalmente de forma rápida), exibindo uma perda de controle, não conseguindo parar até que esteja muito cheio ou apresentando mal-estar, normalmente associado a sentimentos de culpa e/ou vergonha depois.
De acordo com o DSM-5 (Manual de Transtornos Mentais), trê dos seguintes
cinco sintomas devem estar presentes:

–  comer rápido

– comer até ficar muito cheio

–  experimentar desconforto

– comer grandes quantidades de alimentos quando não há fome real

– comer secretamente para que outros não saibam da extensão da alimentação e sentimentos de
nojo / culpa / vergonha depois

Os sintomas do transtorno podem começar na idade adulta precoce ou no final da adolescência. Normalmente o episódio de compulsão alimentar tem a duração de quase 2 horas e algumas pessoas têm muitos desses episódios durante o dia inteiro.

É importante salientar o fato de que é normal comer demais em algumas situações esporádicas, principalmente em festas de final de ano ou outros eventos sociais. Contudo, só podemos caracterizar um transtorno compulsivo quando o comportamento se torna um hábito, ocorrendo mais de 1 ou 2x por semana durante um intervalo de tempo.

3. Causas

Múltiplos fatores influenciam no desenvolvimendo da compulsão alimentar.
Algumas situações podem ter uma característica disparadora, como problemas de relacionamento (tanto amorosos como familiares/sociais), acontecimentos estressantes, dietas
restritivas, sentimentos negativos relacionados ao próprio corpo, depressão, ansiedade e tédio.
Nesses casos, a compulsão alimentar alivia temporariamente esses fatores. Porém,   a médio e a longo prazo surgem significativos danos a saúde de um modo geral.
Outro fator bastante comum é a transgeracionalidade da compulsão
alimentar, no qual o comportamento é aprendido no núcleo familiar e é reproduzido entre as gerações.

O ambiente e a genética  também podem estar envolvidos.

4. Consequências

As consequências do comportamento de comer compulsivo acabam atingindo todas as
instancias do indivíduo, gerando consequências relacionais/sociais, emocionais e físicas.

4.1 Consequências relacionais/sociais:

  • isolacionismo
  • dificuldade de manter relacionamentos íntimos (vergonha do corpo e culpa relacionada ao comportamento compulsivo)

4.2 Consequências emocionais

  •  depressão
  • ansiedade
  • culpa
  • vergonha
  • estresse
  • irritabilidade
  • insônia
  • desenvolvimento de outros transtornos mentais secundários e até tendência suicida.

4.3 Consequências físicas

  • aumento de peso com  risco para  obesidade
  • aumento dos níveis de colesterol,
  • gastrite,
  • hipertensão
  • cálculo renal,
  • desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2.

5. Conclusão

Muitas pessoas sofrem de compulsão alimentar e  suas consequências. Comece, neste momento,  reconhecendo tudo o que você esta sentindo, abraçando com totalidade toda a sua experiência vivenciada até este momento, assim como uma mãe abraça um filho que precisa de um carinho. Permita-se apenas reconhecer e aceitar, começando com os sentimentos de culpa/vergonha, aceitando que está tudo
bem em senti-los em certos momentos. Reconhecendo que você é um ser humano e que você é
perfeito e especial em sua totalidade, independente de suas imperfeições. Sofrimentos fazem parte da experiência humana e não há vergonha nenhuma em sentir e compartilhar isto. Convido você a iniciar o seu processo de mudança com uma disposição para a gentileza para consigo próprio.
Venha conosco e empodere-se de seu processo de mudança.
No próximo post iremos abordar o tratamento multidisciplinar do transtorno da compulsão alimentar.

 

 

CRP 07/28043

Psicóloga graduada pela PUC/RS

Especialista de Terapia Cognitivo Comportamental

Aperfeiçoamento em Mindfulness para redução de estresse – Instituto AMAR CENTRE – Austrália

Marcela Alves de Moraes

About Marcela Alves de Moraes

CRP 07/28043 Psicóloga graduada pela PUC/RS Especialista de Terapia Cognitivo Comportamental Aperfeiçoamento em Mindfulness para redução de estresse - Instituto AMAR CENTRE - Austrália

Post Relacionados

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *