dieta pobre em carboidratos

Dieta low carb para diabéticos – 11 evidências favoráveis

Embora  dieta low carb (pouco carboidrato) para diabéticos  ainda é controversa, ela continua demonstrando eficácia, com pouco risco e boa aderência. Ao mesmo tempo, a dieta low fat (pouca gordura) não tem reduzido a incidência de diabetes, nem melhorou o controle da doença, indicando uma possível necessidade de reavaliação a favor de  uma redução em carboidratos.

Definição de Dieta Low Carb

Segundo a Associação Americana de Diabetes, dieta low carb é a ingestão de menos  de 130 gramas de carboidratos por dia. Se a ingestão por inferior a 50 gramas por dia, é considerada very low carb cetogência ( muito pouco carboidrato cetogênica).

11  evidências favoráveis à Dieta Low Carb

1. Hiperglicemia é a principal característica do diabetes. Restrição de carboidratos tem o maior efeito em reduzir a glicose no sangue.

O carboidrato é o principal determinante da glicose no sangue. Sua restrição tem o maior efeito em reduzir a glicose  pós-prandial ( após as refeições), bem como a hemoglobina glicada.

Um estudo que comparou uma dieta muito pobre em carboidratos em relação a uma dieta pobre em calorias, em uma amostra com 102 diabéticos e 261 não-diabéticos , mostrou  que os diabéticos com dieta com restrição de carboidratos reduziram a hemoglobina glicada de 8 para 6,2%, enquanto o grupo com dieta hipocalórica permaneceu acima de 7,5%.

2. A epidemia de obesidade e diabetes tipo 2 tem relação direta com o aumento na ingestão de carboidratos

O estudo NHANES, realizado nos Estados Unidos, indicou um grande aumento na ingesta de carboidratos como o principal contribuinte para o excesso de calorias de 1974 até o ano de 2000. O aumento médio no consumo passou de 42% para 49% das calorias nos homens, e de 45 para 52% nas mulheres. Não houve aumento na ingestão de gorduras. Em consequência, a incidência de Diabetes Mellitus tipo 2 aumentou consideravelmente no período, atingindo as proporções epidêmicas atuais.

O argumento é que a estimulação contínua na produção de insulina pode levar a um estado anabólico que favorece a formação de triglicerídeos. Ocorre também acúmulo de gordura no fígado, e secundariamente no pâncreas, criando uma condição favorável ao aparecimento do diabetes. O fígado gorduroso pode comprometer a ação da insulina neste órgão, contribuindo ao aparecimento da hiperglicemia de jejum. A infiltração de gordura no pâncreas leva à diminuição da produção de insulina pela célula beta. Toda essa cadeia de infiltração de gordura é ativada seja diretamente, ou indiretamente pela ingestão dos carboidratos.

3. Benefícios na restrição de carboidratos não tem relação direta com a perda de peso

Estudos tem mostrado que pequenas restrições nos carboidratos melhoram o controle glicêmico, sem oferecer perda de peso. Portanto, não é a perda de peso ocasionada pela restrição de carboidratos que melhora o controle glicêmico.

4. Embora perda de peso não é pré-requisito, nenhuma intervenção dietética é melhor que a restrição de carboidratos para essa finalidade

Estudos mostram superioridade na redução de peso quando comparam dieta low carb em relação a dieta hipocalórica. Um estudo com 48.000 mulheres na menopausa mostrou que a dieta pobre em gorduras teve resultados muito desfavoráveis a longo prazo, com uma perda modesta de 2 kgs no primeiro ano, e recuperação do peso ao final do estudo.

5. Aderência à dieta low carb é significativamente melhor em pessoas com diabetes tipo 2

A adesão a uma dieta low carb geralmente é melhor, em razão de não impor limite de calorias a serem ingeridas, e oferece maior saciedade advinda da proteína e da gordura. Além disto, pacientes ficam mais satisfeitos e motivados ao terem que reduzir suas doses de medicamentos ou insulina para diabetes.

6. Substituição de carboidrato por proteína é geralmente benéfico

Uma meta-análise envolvendo 1141 obesos em dieta low carb, mostrou uma redução significativa no peso corporal, triglicerídeos e pressão arterial em comparação ao grupo com dieta pobre em gorduras.

 7. Gordura saturada é influenciada mais pela ingestão de carboidratos do que pela quantidade de gordura ingerida na dieta

Um grande temor na implementação de uma dieta pobre em carboidratos é o receito de aumentar o colesterol.Em um estudo com portadores de síndrome metabólica tratados com dieta muito pobre em carboidratos, os níveis de ácidos graxos saturados diminuíram quando comparados ao grupo que ingeriu dieta com pouca gordura.

8. O melhor indicador de complicações micro e macrovasculares em pacientes diabéticos tipo 2 é o controle da glicemia ( Hemoglobina Glicada).

A restrição de carboidratos comprovadamente reduz a hemoglobina glicada, sendo uma alternativa para os pacientes que não estão adequadamente controladas com hipoglicemiantes orais.

9. A restrição de carboidratos é o método mais efetivo em reduzir triglicerídeos e aumentar o HDL-colesterol

10. Pacientes com diabetes tipo 2 em restrição de carboidratos frequentemente reduzem suas medicações. Diabéticos tipo 1 requerem menos insulina.

11. Redução da glicemia pela restrição de carboidratos tem menos efeitos adversos comparáveis ao tratamento medicamentos intensivo.

Conclusão

O benefício da restrição de carboidratos é imediato e bem documentado. Está  estabelecido que emagrecimento, por qualquer método, é benéfico para indivíduos com diabetes. A vantagem de uma restrição de carboidratos é oferecer uma maior saciedade, sem necessidade de reduzir as calorias diárias.

Portanto, é uma  opção eficaz de dieta para os pacientes diabéticos, estando contraindicada  para os portadores de doença nos rins, em razão da necessidade de controlar a ingestão de proteínas.

Saliento porém, que esta dieta não é milagrosa, não oferece a cura do diabetes, como vem sendo alardeado na mídia social e telejornais . Porém, permite um melhor controle da glicose e de todos os parâmetros do metabolismo.

Vitalité  possui profissionais capacitados a orientar e acompanhar os pacientes que desejam ou tenham indicação para realizar esse tratamento dietético, associado ao ajuste dos medicamentos antidiabéticos. A dieta low carb também pode ser realizada por não diabéticos com sobrepeso ou obesidade, visando redução do peso corporal.

Fonte: Dietary carbohydrate restriction as the first approach in diabetes management: critical review and evidence base.FeinmanRD et al. Nutrition 2015 Jan;31(1):1-13. doi: 10.1016/j.nut.2014.06.011. Epub 2014 Jul 16.

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

About Dr. Paulo Freitas

Especialista em Endocrinologia e Metabologia Conselheiro do Conselho Regional de Medicina Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

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2 respostas
  1. Nelly
    Nelly says:

    Boa noite dr Paulo, sou médica cardiologista e tenho duas pacientes que eram diabéticas tipo 2, obesas e iniciamos essa intervenção low carb. Após 5 meses as duas tiveram que parar o uso de medicamentos, e após 3 meses níveis de glicemia de jejum, pós prandial e hemoglobina glicada normais. Também, perderam 10kg cada uma e redução expressiva do percentual de gordura. Nesse caso, após um ano pode-se falar em cura ou controle? Abraços e grata pela resposta.

    Responder
    • Dr. Paulo Freitas
      Dr. Paulo Freitas says:

      Boa noite. Obrigado pelo contato.
      A diabetes é uma doença crônica, e a partir da sua instalação,o indivíduo perdeu pelo menos 50% das células produtoras de insulina. Portanto, não podemos falar em cura, mas sim em controle da doença.
      Pois, se ele interromper a dieta, voltar a exagerar no consumo de carboidratos, e consequentemente engordar, certamente a hiperglicemia irá retornar.
      Para falar em cura, teria que haver uma plena recuperação na população de células beta.
      Acredito sim em redução na prevalência de diabetes com a adoção da dieta low carb, e de acordo com resultados de diversos estudos científicos.

      Responder

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