hipertensão secundária

Hipertensão endócrina – quando investigar?

A maioria dos pacientes com hipertensão arterial não apresentam uma causa aparente. Porém, de 5 a 10% dos portadores de pressão alta podem ter hipertensão  endócrina. Identificar e tratar uma causa secundária de hipertensão pode levar à cura ou melhora significativa dos níveis pressóricos, e assim sendo, diminuindo o risco cardiovascular e as morbidades associadas com a pressão alta.

As doenças que podem causar hipertensão endócrina são: aldosteronismo primário, feocromocitoma, síndrome de Cushing, acromegalia, hiperparatireoidismo, hiperplasia adrenal congênita e hipo ou hipertireoidismo. Nem todos os pacientes hipertensos necessitam de investigação para hipertensão endócrina. Entretanto, quando houver uma suspeita clínica, esta faz-se necessária.

Neste post, vou escrever sobre as causas relacionadas às glândulas supra-renais.

1) Hiperaldosteronismo primário

O hiperaldosteronismo primário é a causa mais comum de hipertensão secundária. Caracteriza-se por um aumento na produção do hormônio aldosterona, proveniente da glândula supra-renal, decorrente de um tumor geralmente benigno, hiperplasia uni ou bilateral das suprarenais , hiperaldosteronismo idiopático ( de causa desconhecida), e hiperaldosteronismo remediado por glicocorticóides ( causa genética).

O rastreamento para hiperaldosteronismo primário deve ser considerado nas seguintes situações: potássio baixo,pressão alta de dificil controle em uso de três ou mais antihipertensivos, pressão maior que 160×100, hipertensão e achado de nódulo na suprarenal, hipertensão em adulto jovem, hipertensão com história familiar de início na juventude ou derrame cerebral antes dos 40 anos.

Os exames a serem solicitados no rastreamento são: aldosterona , atividade plasmática da renina e potássio. Se a aldosterona plasmática estiver elevada e a atividade plasmática da renina suprimida,ou potássio diminuído,a investigação deve ser aprofundada.

2) Feocromocitoma

O feocromocitoma apresenta uma tríade clássica de sintomas: cefaléia , sudorese generalizada e palpitação episódicas. O sinal mais comum é hipertensão presente em 90% dos casos, a qual pode ser em picos episódicos ou hipertensão constante.

A presença de hipertensão em jovens com menos de 25 anos de idade, pessoas com as características clínicas supra-citadas, uma história de hipertensão resistente aos medicamentos, a descoberta de um nódulo na supra-renal, hipertensão severa durante uma anestesia ou sedação, e a presença de cardiomiopatia idiopática deve levantar a suspeita de feocromocitoma.

Os melhores exames para rastrear feocromocitoma são a dosagem de metanefrinas plasmáticas ou urinárias de 24 horas.

3) Síndrome de Cushing

A síndrome de Cushing é causada por um aumento do cortisol no organismo, seja por um tumor na glândula suprarenal ou na hipófise , ou por uso prolongado de medicação  corticóide por via oral.

A presença de sinais e sintomas como obesidade central, fácies em lua cheia, giba dorsal, fraqueza muscular, estrias violáceas no abdome, hipertensão arterial e diabetes mellitus, são suspeitos para esta doença, a qual  deve ser afastada inicialmente  com um teste simples no sangue ( teste de supressão noturna do cortisol com dexametasona 1 mg).

Portanto, toda a hipertensão de difícil controle, ou aquela que necessita de inúmeros medicamentos para o bom controle, ou aquela acompanhada de outros sinais ou sintomas, ou que iniciou em indivíduos jovens, deve ser investigada para uma causa secundária. O endocrinologista é o profissional especialista para realizar esta investigação e avaliar a conduta mais adequada de acordo com os resultados.

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

About Dr. Paulo Freitas

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