Óleo de coco – modismo ou benéfico para a saúde?

O óleo de coco é um óleo tropical, podendo ser produzido na forma refinada ou virgem ( não-refinado).

É um óleo usado a milhares de anos por povos do mundo todo como alimento e medicamento. Alguns desses países são: India, Panamá, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné, Samoa, Jamaica, grande parte da America do Sul, Nigéria, e Tailândia.

O apelo da mídia, especialmente da mídia social, incentivando o seu consumo tem aumentado exponencialmente nos últimos anos. Os defensores do óleo de coco alegam que ele traria uma série de benefícios, entre eles, ajudar a queimar gordura , reduzir o risco de doenças cardíacas e aterosclerose, diminuir o colesterol e os triglicerídeos, fortalecer o sistema imunológico , melhorar o trânsito intestinal, entre outros. Mas será que o óleo de coco realmente traz tantos benefícios?

Propriedades do óleo de coco

Uma das vantagens do óleo de coco é a resistência à oxidação, o que o torna um óleo estável para o cozimento.

É composto de 92% de ácidos graxos saturados, e tem sido classificado, juntamente com a manteiga, óleo de palma e gordura animal, como uma fonte de gordura saturada. Seu principal componente é o ácido láurico.

O fato do óleo do coco possuir maior quantidade de ácidos graxos de cadeia média (AGCM), diferentemente de outras gorduras saturadas, faz com que tenha um comportamento no metabolismo distinto. Os AGCM são rapidamente absorvidos pelo intestino, sendo rapidamente transportados para o fígado, onde são rapidamente oxidados, gerando energia. Não participam do ciclo do colesterol e não são estocados em depósitos de gorduras.

Óleo de coco x Óleo vegetal

As revisões da literatura científica mostram um número limitado de estudos em humanos para avaliar os méritos do óleo de coco em relação à saúde cardiovascular. A maioria dos estudos tem limitações importantes, que exigem muita cautela na interpretação dos resultados, tais como amostras pequenas, viciadas e avaliação dietética inadequada.

Não há evidências robustas em termos de redução no risco de doenças,  apenas em relação ao colesterol e triglicerídeos. Estudos que compararam o óleo de coco com óleo vegetal (gordura insaturada) mostraram, na maioria deles, aumento tanto do LDL-colesterol ( colesterol ruim), quanto do HDL-colesterol( colesterol bom). Em relação aos  triglicerídeos, não houve diferença.

Como já está bem estabelecido o papel da redução do LDL-colesterol na mortalidade por doença cardiovascular, parece haver um benefício no uso de óleo vegetal em relação ao óleo de coco.

Por que alguns estudos mostram benefícios do óleo de coco?

Todos os estudos que mostraram os  benefícios do óleo de coco são pequenos, sendo muitos deles  em modelos animais . Já  os estudos em humanos são todos  de curta de duração ( poucos meses).

Não há nenhum estudo científico de longa duração, com uma amostra satisfatória, que mostre redução do risco cardiovascular naqueles que utilizaram óleo de coco em comparação com os óleos vegetais.

A afirmação de que o óleo de coco favoreça o emagrecimento é mera suposição, sensacionalista e inverídico. Nenhum estudo mostrou redução de peso por causa do óleo de coco.

As populações que mais utilizam o óleo de coco, tais como a Indonésia, um dos principais produtores mundiais, pertencem a países que tem uma alimentação mais saudável que a da do mundo ocidental, com utilização de produtos menos industrializados, maior consumo de frutas, verduras e legumes. Recomendar o consumo de óleo de coco, fonte de gordura saturada, regularmente para uma população que já consome, no seu dia a dia, uma maior quantidade de gordura saturada, é uma temeridade, pois ninguém sabe os efeitos sobre o risco cardiovascular a longo prazo.

Conclusão

Não há evidências científicas que mostrem que a utilização regular de óleo de coco traga benefícios para a saúde cardiovascular.

O posicionamento das principais Sociedades, entre elas, Associação Americana de Cardiologia, Associação Americana de Nutrição, Sociedade Brasileira de Diabetes e Associação para o Estudo da Obesidade afirma que o aumento no consumo de gordura saturada, incluindo o óleo de coco, aumento o risco para o infarto agudo do miocárdio e derrame cerebral.

Alimentar-se com gordura é definitivamente parte de uma dieta saudável. Apenas lembre-se de escolher alimentos com boa gordura ( monoinsaturada e poliinsaturada). Procure ingerir vegetais, frutas, e cereais integrais; inclua produtos com pouca gordura de origem animal, peixes, aves, legumes, óleos vegetais, amêndoas, castanhas e nozes; limite a ingesta de sódio, doces, refrigerantes e carnes vermelhas. Fazendo isto, sua dieta será baixa em gordura saturada e trans, e diminuirá o seu risco cardiovascular.

Fonte: Virgin coconut oil and its potential cardioprotective effects.BABU, A.S.; VELUSWAMY, S.K.; ARENA, R.; GUAZZI, M.; LAVIE, C.J.Postgraduate Medicine2014 Vol: 126 Nro: 7 Págs: 76-8

            Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans.EYRES, L.; EYRES, M.F.; CHISHOLM, A.; BROWN, R.C.Nutrition Reviews2016 Vol;74 Nro:4 Págs 267-80

 

 

Especialista em Endocrinologia e Metabologia
Conselheiro do Conselho Regional de Medicina
Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM
Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM
Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

About Dr. Paulo Freitas

Especialista em Endocrinologia e Metabologia Conselheiro do Conselho Regional de Medicina Presidente da Câmara Técnica de Endocrinologia do CRM Membro da Câmara Técnica de Registro de Especialistas do CRM Médico Concursado da Secretaria de Estado de Saúde atuando na função de Regulador e Teleconsultor

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