Pré-Diabetes: o que você precisa saber

O que é pré-diabetes?

Pré Diabetes ocorre quando os níveis de glicose no sangue são maiores do que a média normal, mas não são altos suficientes para serem considerados como diabetes.

A insulina, produzida pelo pâncreas, é responsável por transportar a glicose do sangue para as células, para que lá possa gerar energia.

Quando a insulina está funcionando bem, a glicose está em níveis saudáveis – levando energia necessária para as células.

No entanto, algumas vezes o processo de produção ou funcionamento da insulina encontra-se prejudicado. Quando isso acontece, a glicose não é metabolizada adequadamente e os seus níveis aumentam no sangue. Se não houver tratamento, a glicose pode aumentar até que ocorra o diagnóstico de Diabetes.

O pré-diabetes é  preocupante?

Muitos acreditam que o pré-diabetes seja uma condição benigna, com pouca repercussão na saúde futura. Porém, esse conceito está bastante equivocado, uma vez que o pré-diabetes aumenta significativamente o risco de surgimento de complicações de longo prazo, de forma muito semelhante à condição de diabetes plenamente instalado. Sabe-se que o controle da regulação normal da glicose em pessoas com pré-diabetes reduz significativamente o risco de evolução para o diabetes. Se nada for feito, cerca de 1/3 dos pacientes com pré-diabetes irá progredir para diabetes dentro do prazo de 3 a 5 anos.

Se levarmos em conta apenas os indivíduos com múltiplos fatores de risco, a taxa de progressão é ainda mais alta.

Quais são os fatores de risco para o pré-diabetes?

Como o pré-diabetes é basicamente uma estágio antes do surgimento do diabetes mellitus, o seus fatores de risco acabam sendo praticamente os mesmos. Os mais importantes são:

  • Sobrepeso (IMC maior que 25 kg/m²). Quanto maior for o IMC, mais elevado é o risco ( IMC – Como calcular o índice de massa corporal).
  • Acúmulo  de gordura na região abdominal (cintura maior que 94cm nos homens ou maior que 80cm nas mulheres).
  • Sedentarismo.
  • Idade acima de 45 anos.
  • História familiar de diabetes tipo 2.
  • História pessoal de diabetes gestacional.
  • Síndrome do ovário policístico.
  • Hipertensão arterial
  • Colesterol elevado
  • Tabagismo
  • Apneia obstrutiva do sono.

Quais São os sintomas de pré-diabetes?

Infelizmente, não existem sintomas de pré-diabetes. A única maneira de saber se você tem a doença é através dos exames de sangue, que serão solicitados pelo médico assistente diante dos fatores de risco. Existem três tipos de exames:

O mais comum é a dosagem da glicose após oito horas de jejum. Uma glicemia entre 100 e 125 mg/dL fará o diagnóstico.

A dosagem da glicemia duas horas após a ingestão de 75 gramas de glicose oral, é o teste conhecido como Teste de Tolerância Oral a Glicose (TTOG) que será positivo com glicemia entre 140 e 199 mg/dL.

Por fim, o médico poderá solicitar a hemoglobina glicada, que representa a média dos níveis de glicemia dos últimos três meses. O valor entre 5,7 e 6,4 % fará diagnóstico de pré-diabetes.

Se você tem uma glicemia acima dos valores da normalidade ou fatores de risco para o desenvolvimento do pré-diabetes, consulte um endocrinologista.

O endocrinologista poderá lhe orientar no tratamento mais apropriado visando a normalização da glicemia e reduzir o risco de complicações cardiovasculares futuras.

Síndrome dos Ovários Policísticos – o que você precisa saber

1. Diagnóstico

Síndrome dos Ovários Policísticos está presente se dois dos três seguintes critérios são encontrados: excesso de androgênios detectados por exames laboratoriais ou por manifestação clínica de hirsutismo ( aumento de pêlos em regiões normalmente presentes apenas no sexo masculino), acne e alopécia ( queda de cabelos); alteração ovulatória; ovários policísticos ao ultrassom, desde que excluídas outras causas que mimetizam o quadro clínicos de Síndrome dos Ovários Policísticos.

2. Condições associadas

a) Infertilidade

Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos tem risco aumentado para anovulação e infertilidade. Aquelas que pretendem engravidar, deve ser pesquisada ovulação através de dosagem de progesterona na metade da fase lútea.

b) Obesidade

O aumento dos androgênios que ocorre na Síndrome dos Ovários Policísticos está associado com aumento da gordura abdominal. O Índice de Massa Corporal e medida da circunferência abdominal deve sempre ser calculado.

c) Diabetes Mellitus Tipo 2

Pacientes com Síndrome dos Ovários Policísticos tem risco aumentado para diabetes. Deve ser realizado um Teste de Tolerância Oral à Glicose e/ou Hemoglobina Glicada.

3. Tratamento

  • Contraceptivo Hormonal : trata simultaneamente o problema de anormalidade menstrual e o de hirsutismo e acne.
  •  Atividades Físicas + Dieta: para as pacientes com sobrepeso. Além de auxiliar no emagrecimento, ajuda a previnir o aparecimento de diabetes e aumento do risco cardiovascular.
  • Metformina: indicada principalmente para aquelas com pré-diabetes ou diabetes; também para tratar irregularidade menstrual naquelas que tem contra-indicação ou recusam usar anticoncepcional; também como adjuvante no tratamento de infertilidade.
  • Citrato de Clomifeno:para induzir ovulação no tratamento de infertilidade.
  • Antiandrogênios(Acetato de Ciproterona e Espironolactona): o uso deve ser criterioso, especialmente em adolescentes, pelo risco de má formação fetal em caso de gravidez.

O ginecologista e o endocrinologista podem atuar em conjunto para definir o melhor tratamento. O dermatologista atua no tratamento das manifestações cutâneas.

O Vitalité dispõe de uma equipe especializada no tratamento de pacientes com este distúrbio.

 

Hipertensão endócrina – quando investigar?

A maioria dos pacientes com hipertensão arterial não apresentam uma causa aparente. Porém, de 5 a 10% dos portadores de pressão alta podem ter hipertensão  endócrina. Identificar e tratar uma causa secundária de hipertensão pode levar à cura ou melhora significativa dos níveis pressóricos, e assim sendo, diminuindo o risco cardiovascular e as morbidades associadas com a pressão alta.

As doenças que podem causar hipertensão endócrina são: aldosteronismo primário, feocromocitoma, síndrome de Cushing, acromegalia, hiperparatireoidismo, hiperplasia adrenal congênita e hipo ou hipertireoidismo. Nem todos os pacientes hipertensos necessitam de investigação para hipertensão endócrina. Entretanto, quando houver uma suspeita clínica, esta faz-se necessária.

Neste post, vou escrever sobre as causas relacionadas às glândulas supra-renais.

1) Hiperaldosteronismo primário

O hiperaldosteronismo primário é a causa mais comum de hipertensão secundária. Caracteriza-se por um aumento na produção do hormônio aldosterona, proveniente da glândula supra-renal, decorrente de um tumor geralmente benigno, hiperplasia uni ou bilateral das suprarenais , hiperaldosteronismo idiopático ( de causa desconhecida), e hiperaldosteronismo remediado por glicocorticóides ( causa genética).

O rastreamento para hiperaldosteronismo primário deve ser considerado nas seguintes situações: potássio baixo,pressão alta de dificil controle em uso de três ou mais antihipertensivos, pressão maior que 160×100, hipertensão e achado de nódulo na suprarenal, hipertensão em adulto jovem, hipertensão com história familiar de início na juventude ou derrame cerebral antes dos 40 anos.

Os exames a serem solicitados no rastreamento são: aldosterona , atividade plasmática da renina e potássio. Se a aldosterona plasmática estiver elevada e a atividade plasmática da renina suprimida,ou potássio diminuído,a investigação deve ser aprofundada.

2) Feocromocitoma

O feocromocitoma apresenta uma tríade clássica de sintomas: cefaléia , sudorese generalizada e palpitação episódicas. O sinal mais comum é hipertensão presente em 90% dos casos, a qual pode ser em picos episódicos ou hipertensão constante.

A presença de hipertensão em jovens com menos de 25 anos de idade, pessoas com as características clínicas supra-citadas, uma história de hipertensão resistente aos medicamentos, a descoberta de um nódulo na supra-renal, hipertensão severa durante uma anestesia ou sedação, e a presença de cardiomiopatia idiopática deve levantar a suspeita de feocromocitoma.

Os melhores exames para rastrear feocromocitoma são a dosagem de metanefrinas plasmáticas ou urinárias de 24 horas.

3) Síndrome de Cushing

A síndrome de Cushing é causada por um aumento do cortisol no organismo, seja por um tumor na glândula suprarenal ou na hipófise , ou por uso prolongado de medicação  corticóide por via oral.

A presença de sinais e sintomas como obesidade central, fácies em lua cheia, giba dorsal, fraqueza muscular, estrias violáceas no abdome, hipertensão arterial e diabetes mellitus, são suspeitos para esta doença, a qual  deve ser afastada inicialmente  com um teste simples no sangue ( teste de supressão noturna do cortisol com dexametasona 1 mg).

Portanto, toda a hipertensão de difícil controle, ou aquela que necessita de inúmeros medicamentos para o bom controle, ou aquela acompanhada de outros sinais ou sintomas, ou que iniciou em indivíduos jovens, deve ser investigada para uma causa secundária. O endocrinologista é o profissional especialista para realizar esta investigação e avaliar a conduta mais adequada de acordo com os resultados.

 

A insulina de hoje não é mais aquele fantasma do passado

É comum as pessoas terem conceitos equivocados sobre o papel  da insulina no tratamento do diabetes. Podem ter ouvido falar: ” Eu comecei a insulina e minha perna foi amputada”.   Nós sabemos que a insulina não é a razão da amputação da perna, mas o paciente fica com isto na mente, e a insulina torna-se um grande medo, um verdadeiro fantasma. É dever do médico ajudar o paciente a superar esse preconceito.

Os médicos tiveram uma parcela importante de culpa em incutir o temor dos pacientes em relação à insulina. Era comum, no passado, o profissional  ameaçar o paciente dizendo : ” Se você não caprichar na dieta, vou ter que lhe prescrever insulina na próxima vez”. Ou seja, associando à insulina como algo ruim, um castigo.

Muitos estudos tem mostrado o tempo que leva o médico a realizar uma modificação necessária no tratamento. É a chamada inércia terapêutica. Tem sido demonstrado que algumas vezes o paciente permanece fora da meta de tratamento, com a diabetes descompensada por anos, e mesmo assim, o profissional toma a conduta de ” dar mais uma chance” ao paciente. Particularmente quando o paciente tem sintomas de deficiência de insulina, tais como perda de peso, urinar muito, muita sede, aumento do apetite e visão turva, a introdução de um medicamento oral para reduzir a glicemia não surtirá efeito.

A insulina de hoje não é a mesma do tempo dos nossos pais ou avós. Temos melhores análogos de insulina ( insulinas geneticamente modificadas), temos canetas para aplicação de insulina, e agulhas mais finas e mais curtas. A aplicação de insulina tornou-se mais fácil, prática, indolor, segura, e portanto, mais aceitável por parte dos diabéticos.

Não há mais justificativas, com o conhecimento e a tecnologia no tratamento do diabetes, que médicos protelem a introdução da insulina. Agir tardiamente contribui de maneira decisiva no aparecimento de complicações micro e macrovasculares ( retinopatia, amputação, impotência, insuficiência renal, infarto e derrame cerebral).

Os análogos de insulina, tanto os de longa ação, quanto os de ação ultra-rápida tendem a causar menos hipoglicemias e uma menor variabilidade da glicemia, quando comparados às opções de  insulinas disponíveis no passado ( NPH e Regular). Algoritmos para ajuste na dose de insulina são disponibilizados aos pacientes, que permitem um auto-ajuste na dose de insulina prescrita, afim de atingir o alvo terapêutico, e permitindo uma maior independência do paciente.

É preciso conscientizar a população que a insulina é uma arma importante no bom controle da diabetes e prevenção de complicações, e sua indicação jamais deve ser retardada pelo profissional de saúde, quando sua utilização estiver indicada.